quarta-feira, maio 18, 2016

Coisas sobre sexo que você nunca quis saber, mas que eu faço questão de divulgar (3)


A putaria e a política foram feitas uma para a outra. De um lado, encontramos mocinhas que só pensam em sacanagem como fonte de renda, enquanto de outro, senhores afoitos que fazem, como fonte de renda, a mesma sacanagem. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger chegou a proferir uma frase célebre: “O melhor afrodisíaco do mundo é o Poder, porque quem tem o Poder pode foder todo mundo...”

CUNHADA COBIÇADA
Por mais que o caçador de marajás tente negar, sabe-se que o ex-presidente Fernando Collor ficou muito mais enlouquecido do que costume ao levar uma desfeita da cunhada. Queria convencê-la de que seria possível conhecer as coxas mais cobiçadas do país sem trair o irmão Pedro. Como na época seu irmão estava – e era também – muito vivo, o sonho se desfez. A partir daí, o castelo collorido começou a cair.

TESÃO PRESIDENCIAL
Em novembro de 1960, John F. Kennedy comemorou sua vitória nas eleições americanas entre quatro paredes, na companhia de duas garotas deslumbrantes, estrelinhas desconhecidas de Hollywood. Seu refinado gosto por uma boa sacanagem era tanto, que a certa altura do campeonato, ele sugeriu um “ménage” a Jackie K., afirmando ter certeza de que ela adoraria. A futura Sra. Onassis não topou.  Mulheres bonitas não faltaram ao leito presidencial de JFK, passando por Mary Pinchot Meyer (pintora que afirmou ter fumado maconha com ele) e Jane Mansfield (a peituda mais peituda de Hollywood).

CAMINHOS DA FAMA
A atriz Marilyn Monroe, a loira mais linda e gostosa de Hollywood, rolou também pela cama dos Kennedy. Transou com o presidente John e com seu irmão senador Bob. Nunca revelou quem era o melhor, mas chegou a confessar que não gostaria de passar mais pela trilha que a tornou famosa.

MAO ERA BOM DE CAMA
Mao Tsé Tung tinha um apetite insaciável por qualquer forma de sexo. Às vezes se divertia na cama com quatro ou cinco mulheres ao mesmo tempo. Costumava ofertar um manual taoísta de sexo para suas parceiras lerem. Não se importava com o fato de o sexo grupal espalhar doenças venéreas entre as jovens. Mais ainda: ele também se relacionava sexualmente com rapazes. Tudo isso foi revelado pelo seu médico particular.

SANTO REMÉDIO
O mesmo presidente Kennedy deixou que algumas de suas intimidades sexuais viessem à tona. Tornaram-se absolutamente públicas suas investidas às mulheres do país inteiro, sempre com o pretexto de curar a enxaqueca. “Trepar é um santo remédio para esse problema”, costumava dizer.

TOALHA MOLHADA
Deu na impressa: ao descobrir que seu marido, o então governador de Alagoas Geraldo Bulhões, tinha uma amante, a primeira dama, dona Denilma, deu-lhe uma boa surra de toalha molhada.

SEXO NAZISTA
Adolph Hitler, um dos líderes mais temidos e execrados do século XX, levou para abaixo dos sete palmos algumas versões, verdadeiras ou não, sobre sua sexualidade. Nunca foi muito evidenciada sua convicta heterossexualidade, da mesma forma como muito se anunciou que fazia questão de transar de botas. Consta também que ele colecionava fotos das amantes, sempre nuas, com a bunda em close, para que não fossem reconhecidas em caso de extravio. Há notícias de que era chegadíssimo a um sadomasoquismo perverso. E ainda, estranhamente, a maioria de suas amantes morreu por suicídio.

SEXO FACISTA
Benito Mussolini, o mais jovem Primeiro Ministro da história italiana, ficou conhecido como o “rapidinho”, pelas performances sexuais em seu gabinete, que eram tão ligeiras, que sequer tinha tempo de tirar os sapatos e as calças. Imagine que o homem evitava a todo o custo que as mulheres passassem uma noite com ele, por medo que elas rissem da sua “camisola de dormir”.

TANGO E PODER
Eva Peron vivida por Madonna no filme “Evita”, em memorável produção norte-americana, foi implacável na sua carreira sexual, mostrando-se amante de uma série de homens que subiam na vida. Supostamente era muito boa de “boquete”, e iniciou sua carreira sexual, como prostituta. Tanto que aos 14 anos de idade, ela ofereceu seus serviços sexuais para um cantor de tango, de segunda categoria, chamado José Armani, contanto que ele a levasse para Buenos Aires. Os que a conheceram dizem que Evita era uma mulher assexuada, fria e matreira, cujo interesse era o poder.

PRIMEIRA EMPREGADA
Thomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos não dispensava nem a empregada de casa. Consta que o bacana teve um longo caso com a mulatinha Sally Hemings, que era filha da empregada. Cobravam-lhe o título de “primeira-empregada” a ela, já que existia o de primeira-dama.

CORRENDO ATRÁS

Segundo o noticiário sensacionalista, consta que o ex-presidente do Brasil, Jânio Quadros, certa vez foi flagrado correndo atrás da sua secretária particular em pleno gabinete, rodando feito galo doido, com as piores intenções possíveis para com a mocinha. E, em seguida, proibiu biquíni na praia.

Café do Pina é tombado como bem imaterial de Manaus


A Câmara Municipal de Manaus (CMM) aprovou o Projeto de Lei do vereador Mário Frota (PHS), que torna a marca Café do Pina como Patrimônio Imaterial da Cidade de Manaus. O Café do Pina, localizado na Praça Heliodoro Balbi – também conhecida como Praça da Polícia – foi inaugurado no dia 3 de maio de 1951 e hoje faz parte da história da cidade de Manaus por abrigar movimentos culturais e políticos como o Clube da Madrugada e o Projeto Jaraqui.

Na sua justificativa o vereador Mário Frota esclarece que a família Pina chegou ao Brasil na década de 20, fugindo do lastimável estado da economia portuguesa, depois da implantação da República, que transformara Portugal em um país arrasado economicamente, com desemprego em massa.

Foi nessa época que três portugueses, oriundos de Loriga, Serra da Estrela, chegaram a Manaus. Dois eram irmãos: José Pina e Carlos Pina; o outro, Antônio Pina, era primo dos dois. José Pina fundou o Café do Pina, tornando-se famoso na cidade por tratar todo o mundo de ‘jovem’ e pela qualidade e sabor do seu cafezinho.

O saudoso Senador Jefferson Peres foi um dos intelectuais amazonense que presenciou a inauguração do Café do Pina e fez o seguinte relato: “Em 1950 tinha início uma nova década e, também, a construção de um barzinho, sem nada de especial, mas que iria marcá-la profundamente. O local era um canteiro triangular, em frente ao Guarany, onde havia um antigo chafariz desativado e dois postes de sustentação da tela na qual se projetavam filmes ao ar livre. Ao se erguerem os tapumes, correu o boato de que seria construído um posto de gasolina. A novidade não agradou os ginasianos, que ensaiaram um movimento de protesto e ameaçaram depredar a construção.

Pressionado, o então prefeito Chaves Ribeiro aconselhou o proprietário a acelerar as obras, a fim de criar o fato consumado. Diante disso, foi abandonado o projeto original, de forma circular, por outro mais feio, retangular, que pôde ser construído em tempo recorde. O êxito foi imediato e se deveu a uma conjugação de fatores. Em primeiro lugar, sua localização, nas vizinhanças de dois cinemas, três colégios, um quartel, e mais, da então concorridíssima Praça da Policia; segundo a excelência do seu café, talvez o melhor da cidade; e finalmente, a simpatia do proprietário, o português José de Brito Pina, extrovertido e conversador, que em pouco tempo chamava cada um dos frequentadores pelo nome. Batizado oficialmente de Pavilhão São Jorge, o barzinho era conhecido popularmente por Café do Pina e, mais tarde, Republica Livre do Pina”.

Depois da revitalização do Palacete da Província, onde funcionou o antigo Quartel da Polícia Militar, as instalações do Café do Pina se mudou para outro local na mesma  Praça Heliodoro Balbi, sendo agora, na frente da Rua Rui Barbosa, no local conhecido como Coreto do Pina, onde atualmente funciona as reuniões do Projeto Jaraqui,  frequentado por aposentados, intelectuais, turistas, comerciários e empresários.

“O tombamento do Café do Pina como Bem Imaterial é uma forma de resgatar a história da nossa cidade por meio das suas tradições, línguas e costumes. Os portugueses que aqui chegaram para trabalhar e edificar as suas famílias, deixaram a sua contribuição, com muito suor, para o desenvolvimento do Amazonas e essa é também uma homenagem aos nossos irmãos patrícios”, esclarece Mário Frota.

Uma outra Argentina possível


Por Mario Vargas Llosa

Será que finalmente terminou para a Argentina o tempo dos desvarios populistas e do feitiço suicida que o “socialismo do século XXI” de Chávez e Maduro exerceu sobre o governo dos Kirchner? Depois de passar uma semana neste país, alegra-me dizer que sim, que, em seus poucos meses no poder, Mauricio Macri conseguiu levar a cabo reformas valentes e radicais para desmontar a máquina intervencionista e demagógica que estava arruinando uma das nações mais ricas do mundo, isolando-a e empurrando-a para o abismo.

Não é necessário recorrer a pesquisas e estatísticas para demonstrá-lo: a mudança está no ar que se respira, na maneira como as pessoas falam do momento atual, no alívio e no otimismo com que ouço a maior parte dos conhecidos e desconhecidos comentar a política atual.

É verdade que a oposição peronista – ainda que talvez fosse melhor dizer kirchnerista, pois o peronismo, formado por um leque de tendências, não é unívoco em sua oposição, mas sim diversificado e matizado – não deu ao novo governo um prazo de carência, e começou a atacá-lo sem piedade e a tentar sabotar osinceramiento [adequação à realidade] da economia – o cancelamento dos subsídios que a asfixiavam – e se colocar em posição contrária às reformas. Mas os benefícios já são visíveis e inequívocos.

Desde seu acordo com os detentores dos chamados “fundos abutres”, a Argentina recuperou o crédito internacional, e o desaparecimento do cepo [controle cambial] devolveu à sua moeda uma estabilidade da qual não usufruía há tempos.

A visita do presidente Obama, que significou um importante aval à nova Argentina, abriu um desfile de visitantes dignos de nota, das áreas política e econômica, que vêm para explorar a possibilidade de investir em uma terra pródiga em recursos que as políticas autistas e nacionalistas da senhora Cristina Kirchner estavam levando a uma ruinosa autarquia. E em política internacional o governo de Macri reverteu totalmente aquela do regime anterior, manifestando sua vocação democrática, criticando a violação da legalidade e dos direitos humanos na Venezuela e pedindo que o regime de Maduro abra um diálogo com a oposição a fim de assegurar uma transição pacífica que ponha fim à lenta desintegração de um país que o estatismo e o coletivismo levaram à fome e ao caos.

Que diferente é ligar a televisão e, em vez dos lugares-comuns e dos slogans terceiro-mundistas que faziam às vezes de ideias nos discursos da senhora Kirchner, escutar o presidente Macri, em uma entrevista coletiva, explicando com clareza, simplicidade e franqueza que desafogar uma economia paralisada pelo construtivismo demagógico tem um preço alto e inevitável e que, sem esse saneamento que é voltar da fantasia à realidade, a Argentina nunca sairia do buraco no qual foi atirada por uma ideologia fracassada em todos os países que a aplicaram.

Ouvi-o explicar também, de maneira absolutamente persuasiva, por que a erroneamente chamada lei antidemissões, que acaba de ser aprovada pela oposição no Senado, só servirá para dificultar a geração de novos empregos, ao desencorajar as empresas a ampliar seus serviços e contratar mais funcionários.

Em todas as intervenções públicas e em conversas privadas que escutei esta semana o novo chefe de governo argentino me pareceu desprovido da arrogância que costuma acompanhar o poder e da retórica inconsistente de tantos políticos, e empenhado em construir pontes e em convencer seus compatriotas de que os sacrifícios necessários para acabar com o nefasto populismo são o único caminho através do qual a Argentina pode recuperar a prosperidade e a modernidade das quais já usufruiu no passado.

E evidentemente há razões para acreditar nisso. A Argentina é um país muito rico em recursos naturais e humanos; o sistema educacional exemplar que teve no passado, apesar de ter se deteriorado com as más políticas dos governos precedentes, ainda produz cidadãos mais bem formados do que a média latino-americana – talvez nenhum outro país da região tenha exportado mais técnicos de alto nível para o resto do mundo –, e não há dúvidas de que, com as reformas agora em andamento, os investimentos estrangeiros, retraídos durante todos estes anos, voltarão em grande número a uma terra tão pródiga, criando os empregos necessários e elevando os níveis de vida e as oportunidades para os argentinos.

Há um aspecto que gostaria de destacar entre as mudanças vividas pela Argentina. Com a liberdade de expressão, que sofreu tantas avarias durante os governos dos Kirchner, a corrupção, que sob esse Estado que Octavio Paz chamou de “ogro filantrópico” proliferou de maneira cancerosa, agora é revelada e, justamente nestes dias a imprensa dá notícias estarrecedoras sobre as quantias vertiginosas acumuladas pelos testas de ferro dos antigos mandatários, monopolizando as obras públicas de regiões inteiras e saqueando seus orçamentos de maneira impudica, transformando em bilionários aqueles donos do poder que se vangloriavam de ser revolucionários anti-imperialistas e inimigos jurados do capitalismo.

Duvido muito que haja um só capitalista no mundo que tenha acumulado uma fortuna tão prodigiosa como Lázaro Baez, aparentemente testa de ferro de Néstor Kirchner e agora na prisão, ex-tesoureiro de um banco de Santa Cruz que alguns anos depois possuía cerca de 400 propriedades rurais e urbanas e cerca de uma centena de automóveis em seu país, e comprava apartamentos e casas em Miami por mais de 100 milhões de dólares.

O êxito da Argentina nas pacíficas reformas democráticas e liberais que está empreendendo tem uma importância que transcende suas fronteiras. A América Latina pode aprender muito com este país que, depois de quase chegar ao fundo do poço por culpa da ideologia coletivista e estatista que esteve a ponto de arruiná-lo, ergue-se de suas próprias cinzas com os votos de seus cidadãos e tem a coragem de desfazer o caminho equivocado.

E inicia um novo, aquele dos países que graças à liberdade – a única verdadeira, ou seja, a que engloba a política, a economia, a cultura e os âmbitos social, cultural e pessoal – alcançaram os melhores níveis de vida da atualidade, os que mais reduziram a violência nas relações humanas e os que criaram a maior igualdade de oportunidades para que seus cidadãos possam concretizar suas aspirações e seus sonhos.

Ainda que às vezes de maneira confusa, acredito que este seja um ideal que foi criando raízes nos países latino-americanos, onde os antigos modelos que disputavam a preferência da população – as ditaduras militares e as revoluções armadas socialistas – perderam prestígio e atualidade e só valem para minorias insignificantes. Por isso é que, com exceção de Cuba e Venezuela, em toda a região agora há democracias, apesar de algumas serem muito imperfeitas e estarem ameaçadas pela corrupção.

A Argentina pode servir de exemplo para renová-las, purificá-las e atualizá-las, de modo que se integrem ao mundo e aproveitem as grandes possibilidades que este oferece aos países que se apropriam da cultura da liberdade.

Viviane Orth, magra e sensual


Por Giba Um

“Acho ótima essa proposta de trazer uma modelo para as páginas da revista e mostrar que as magras também são sensuais. Todas as mulheres são lindas. Linda é quem se ama e se aceita como é”. É Viviane Orth, 26 anos, nova atração de Playboy, que sempre trabalhou com alta costura e desfilou para Dior e Chanel. “Era hora de encarar mais este desafio”. Vivi, como é chamada, tem nove tatuagens pelo corpo de 1m80. Mais medidas: 83-62-89. As fotos são de André Passos.

Adeus à TV Lula
Criado em 2007 sob inspiração de Franklin Martins, a TV Brasil, apelidada de TV Lula, está ameaçada de desaparecer. A Empresa Brasileira de Comunicação, que engloba a emissora, uma rádio e uma agência de notícias, passará por um processo de enxugamento que poderá mesmo resultar na extinção da televisão oficial criada no segundo governo Lula.  De lá para cá, a manutenção desse esquema de propaganda petista custa uma média de R$ 750 milhões por ano e até hoje, já teria torrado R$ 6 bilhões, sem nenhum resultado – e nem para o próprio PT, devido a falta de audiência.

Queda da amiga
Presidentes de federações de agricultura do país entregarão carta de renúncia assim que a ex-ministra Kátia Abreu retornar à presidência da Confederação Nacional da Agricultura, depois de cumprir quarentena. Com a renúncia coletiva, formarão novas eleições para o comando da entidade, Mais: produtores rurais também ameaçam não pagar a contribuição sindical quando Kátia assumir a confederação. Ela permaneceu ao lado de Dilma até afastamento: considera a presidente “sua amiga”.

Última
A última autorização da Comissão de Incentivo á Cultura, quando Juca Ferreira ainda era ministro, para captação de recursos foi para a empresa paulista Fidelo Produção e vai montar um musical sobre a vida de Maysa, com direção de seu filho Jayme Monjardim. Foram autorizados R$ 15,7 milhões, que também serão usados numa exposição.

Em campo
Mesmo sob a reclamação de muitos sobre seus horários, o chanceler José Serra começa a se destacar no novo ministério: rejeitou as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, e Nicarágua, quer fechar embaixadas e consulados principalmente na África e Caribe (hoje, o país tem 227 postos diplomáticos, que estão com seus aluguéis atrasados em até três meses) e quer recolocar a brasão da República nas capas dos passaportes. Agora, sua pasta engloba a Apex - Agência Brasileira de Promoção das Exportações.

Conselheiro
Quem vem mantendo contato quase diário com ministro José Serra é o embaixador Sérgio Amaral, que não pode assumir mais cargos de carreira porque já se aposentou. Até agora, Serra tem se aconselhado com ele até área da Apex. Amaral foi ministro do Desenvolvimento no governo de Fernando Henrique Cardoso. Mais: o novo chanceler manteve toda a equipe anterior.

Livro de Villa
O historiador Marco Antonio Villa, comentarista ácido da Jovem Pan, está lançando o livro “Collor Presidente”. Nele, recorda que o marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato, assinou em 1992, com Mino Pedrosa e Augusto Fonseca, a reportagem de IstoÉ, com o motorista Eriberto França narrando o esquema de corrupção que envolvia o governo Collor. Nos últimos anos, Santana foi o responsável pelas duas campanhas de Dilma á presidência.

Inauguração
Michel Temer quer entregar, ainda este ano, as obras de transposição do Rio São Francisco. O Ministério da Integração está preparando um cronograma financeiro e de trabalho que poderá até mesmo substituir a Mendes Junior, que tem um dos lotes e que está em situação financeira complicada (foi considerada inidônea), por homens do Exército.

Aposta
Fabiano Augusto Martins Silveira, novo ministro de Fiscalização, Transparência e Controle, virou motivo de apostas no núcleo principal do governo Temer: uns dizem que ele foi indicado por Renan Calheiros, outros, por Romero Jucá. Nos dois casos, a intenção é ir queimando o indicado.

Alegres Comadres
Nem bem começou o governo de Michel Temer e os integrantes do núcleo principal – Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima, Romero Jucá e Henrique Alves – já gastam boa parte de seu tempo falando mal um do outro – até o próprio presidente em exercício já notou, isso. Por causa disso, receberam o apelido nos bastidores do governo de As Alegres Comadres, título de uma peça de Shakespeare. A “alegria” é porque eles também costumam rir, de longe, uns dos outros.

No Bolso
Quem não conhecia bem o chanceler José Serra e está trabalhando mais próximo dele no Itamaraty, já está descobrindo a verdadeira mania que o tucano tem por remédio (inclusive, leva muitos no bolso). Serra, de vez em quando, até recomenda determinados remédios para algum funcionário. Agora, os diplomatas também contam entre si a velha piada sobre ele: dia sim, dia não, Serra apareceria na farmácia do bairro e perguntaria ao balconista se tem “alguma novidade”.

Para Curitiba
O Ministro Teori Zavascki, do Supremo, já está providenciando a remessa dos inquéritos de Lula para Curitiba, onde os esperam o juiz federal Sergio Moro. O ex-presidente acompanha esse encaminhamento,  o que aumenta seu grau de preocupação  sobre uma possível prisão. E também sabe que outros inquéritos sobre seus familiares estão em plano andamento, lá mesmo Curitiba.

Outro vice
O nome de Gabriel Chalita para figurar como vice na chapa de Fernando Haddad que disputará a reeleição para a Prefeitura de São Paulo está perdendo o fôlego junto aos petistas. Eles começam a achar que Chalita não significaria, obrigatoriamente, mais votos para a chapa. E já surge outro grupo que quer empurrar para a vice de Haddad o deputado federal Ivan Valente, do PSOL.

Novo Alvo
Os mesmo homens muito próximos de Michel Temer, que vivem falando mal uns dos outros, consideraram a entrevista de Alexandre de Moraes em desastre porque, além do problema da Procuradoria-Geral da República, ele teria levado para dentro do governo temas mais do que indesejados, entre eles, repressão a manifestações e movimentos sociais e o escândalo da merenda de São Paulo. De um jeito ou de outro, Moraes vai recuar um pouco sua exposição.

Outro apelido
Eliseu Padilha, Moreira Franco, Romero Jucá e Geddel Vieira Lima também são identificados, até por outros ministros, como os “jaburus”. Mais: muita gente acha que jaburu é algum familiar da tartaruga, inclusive Geddel Vieira Lima. Nada disso: é um pássaro.

Durou pouco
Moreira Franco já deixou de ocupar o gabinete da vice-presidência no Planalto. O espaço só não será mais exclusivo da vice-presidência quando Dilma Rousseff estiver definitivamente afastada da Presidência. Moreira já está ocupando outras dependências.

Ainda a TV Lula
Se a TV Brasil continuar funcionando, mesmo depois da operação-enxuga de quadros e despesas, poderia se transformar numa emissora de “utilidade pública”, auxiliando o governo em suas campanhas de saúde e educação e outras. A ideia é de Michel Temer.

Falando sozinho
Grande parte dos senadores da base do governo, que não aguentam mais discursos de petistas, especialmente de Jorge Viana, que ataca o governo Temer todos os dias, resolveu adotar nova técnica, em vez de contra-atacar. Muitos deixam o plenário e outros, se permanecem, ficam conversando entre si: preferem não perder tempo com a “choradeira” de Viana.

Tamanho do rombo
Em três dias, a equipe de Henrique Meirelles calculou, com três resultados diferentes, o tamanho do déficit deixado por Dilma Rousseff: passou de R$ 120 bilhões para R$ 150 bilhões e no último dia, R$ 160 bilhões. Correndo por fora, analistas de consultorias independentes asseguram que, se forem acrescentados rombos de estatais e outras áreas, pode chegar até mesmo a R$ 600 bilhões.

Quer processar
Ricardo Melo, que ficou menos de uma semana como diretor-presidente da EBC e foi demitido pro Michel Temer, quer processar o governo por sua exoneração, alegando que seu mandato era de quatro anos. O Planalto não pretende se incomodar: se houver processo, fará defesa.

sábado, maio 07, 2016

Uma pequena história da Ciranda


Conheci a advogada Débora Sávia na “Casa do Veraneio”, da Gracionei Medeiros, em meados dos anos 90, e, depois de alguns minutos de conversa, soube que ela era uma das filhas do saudoso professor, pesquisador, escritor e folclorista José Silvestre do Nascimento e Souza, o responsável por ter trazido a ciranda de Tefé para Manaus. A advogada me apresentou ao seu pai.

Em uma das inúmeras conversas que tive com ele, Silvestre me contou a seguinte história:

Março de 1963. Professor de Português do Colégio Comercial Sólon de Lucena, em Manaus, Silvestre era um guapo de pouco mais de 30 anos oriundo de Tefé. Ele havia deixado o torrão natal para continuar seus estudos superiores na capital como era prática comum entre muitos jovens nascidos no interior.

Um dia, ele foi chamado na sala da diretoria pelo diretor Bartolomeu Dias de Vasconcelos.

– Silvestre, você conhece algum cordão folclórico desses que se apresentam ao público por ocasião das festas juninas? – indagou o diretor.

– Conheço vários deles, inclusive alguns que ainda não se apresentaram aqui em Manaus, como o Papagaio Verde, a Ciranda, o Barqueiro, a Pomba e o Bem-te-vi – respondeu Silvestre. – Todas essas brincadeiras eram apresentadas pelos meus familiares na cidade de Tefé, onde nasci!

– Que bom, meu amigo, que bom! Me diz uma coisa: você quer cooperar com o nosso colégio, montando um desses cordões folclóricos da sua terra natal, que você deve conhecer de cor e salteado? – insistiu o diretor.

– Quero sim, mas desde que possa contar com o seu apoio total e sua irrestrita colaboração! – devolveu Silvestre.

– Está certo, podes contar comigo e com os demais professores do colégio! – encerrou Bartolomeu, dispensando o professor.

Silvestre recrutou os músicos, escolheu os alunos e começou a ensaiar um cordão folclórico na quadra da escola.

Dois meses depois, ele foi chamado às pressas na sala da diretoria do colégio, onde se deparou com uma senhora quase discutindo com o diretor.

– Este aqui é o professor Silvestre, madame! – disse Bartolomeu.

Sem perda de tempo, a mulher soltou logo os cachorros:

– Foi ele que faltou com o respeito com a minha filha! Foi ele! Foi ele!

Silvestre quase caiu para trás. Apesar de jovem e boa-pinta, ele era decente e íntegro até a medula. Não havia nenhuma hipótese de o professor se envolver com alguma Lolita do colégio.

Como não tinha a menor ideia do que diabos estava acontecendo, ele pediu para falar com a suposta “vítima”. Bartolomeu mandou alguém chamar a garota.

Daí a pouco entrou na sala uma menina loura, de aproximadamente 11 anos, que era uma das melhores alunas do professor.

– Minha filha, eu lhe faltei com o respeito em algum momento? – questionou Silvestre.

– Não, professor, acho que foi a mamãe que não entendeu direito! – explicou a garota. – Na semana passada, nós estávamos almoçando em família, eu, papai, mamãe e meus irmãos. Aí, ao terminar o almoço, eu me dirigi à mamãe e fiz um pedido: “Mamãe, a senhora deixa eu dançar na Pomba do professor Silvestre?...” A mamãe arregalou os olhos, ficou branca como uma defunta, quase teve um troço e, na mesma hora, me colocou de castigo!

– A sua filha tinha razão de lhe fazer aquele pedido, minha senhora! – esclareceu Silvestre. – A Pomba é um cordão folclórico que estou ensaiando no colégio a pedido do diretor, mas os brincantes têm de pedir autorização de seus responsáveis para participar da brincadeira. Se a senhora quiser pode aguardar alguns minutos até a hora do recreio, quando realizarei o ensaio com as crianças, para a senhora ver pessoalmente que não tem nada de extraordinário na dança... É apenas uma brincadeira do folclore de Tefé, como a Dança do Corrupião e a Dança do Papagaio Verde!

Ainda contrariada, a mulher questionou:

– Por que, então, o senhor não muda o nome do cordão para Dança do Pombo? Fica menos escandaloso... Dançar na Pomba, convenhamos, soa meio pornográfico...

– Vou pensar seriamente no seu caso, minha senhora! – avisou o professor, se despedindo e indo cuidar de seus afazeres.

Depois do terceiro ensaio, para evitar novas aporrinhações, Silvestre resolveu parar de ensaiar a Dança da Pomba e começou a ensaiar a Dança da Ciranda (que se tornou conhecida como “Ciranda de Tefé”), contando com a colaboração de dois conterrâneos tefeenses, Ambrósio Ramos Correa e Gaudêncio Gil.

O resultado foi a criação de um dos mais bonitos e aplaudidos cordões folclóricos de todos os tempos, que ganhou o Festival Folclórico de Manaus daquele mesmo ano.

A  segunda ciranda criada em Manaus foi a da escola Senador Lopes Gonçalves, que participou do Festival Folclórico de 1965.

Nos anos 70, foi criada a Ciranda do Ruy Araújo, na Cachoeirinha, que se tornou a maior campeã da história do Festival Folclórico do Amazonas de todos os tempos.

Para se ter uma pálida ideia, somente sob a presidência de Adelson Cavalcante, o “Adelson da Ciranda”, a Ciranda do Ruy Araújo conquistou 12 títulos consecutivos e é até hoje a única Supercampeã do Festival por ter obtido, em uma das edições, mais pontos do que todos os demais conjuntos campeões das diversas categorias.

A Ciranda do Ruy Araújo continua em plena atividade até os dias de hoje e costuma realizar seus ensaios na quadra do GRES Andanças de Ciganos.

No início dos anos 80, sob a orientação do próprio Silvestre, a professora Perpétuo Socorro de Oliveira levou a brincadeira para Manacapuru, montando a ciranda Flor Matizada na Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré.

O sucesso foi imediato e, rapidamente, duas outras escolas entraram na brincadeira: a Escola Estadual José Mota, que criou a ciranda Guerreiros Muras, e a Escola Estadual José Seffair, com a sua Ciranda Tradicional.

Em 1997, o prefeito de Manacapuru, Angelus Figueira, organizou o 1.º Festival de Cirandas do município, dando um caráter competitivo às apresentações, o que proporcionou um verdadeiro salto de qualidade na brincadeira.

O resto, conforme se diz, é história.

sexta-feira, maio 06, 2016

Música de elevador para consultório de dentista


Por Cezário Camelo

Estiquei as férias por tanto tempo, que resolvi voltar sacaneando. Não peguei nenhum ataque terrorista do Estado Islâmico, mas, em compensação, visitei tantos sebos de vinil na Europa que estou de pick-up duro. No bom sentido, de fora pra dentro. Pessoas sensíveis, go home. Pessoas brutalizadas, fuck off. Pessoas mais ou menos, go ahead. Vou falar sobre as bolachas que ouvi, curti e afanei espiritualmente, e gostaria que os cachorros, gatos e periquitos fossem postos pra fora da sala. Eles não vão entender o espírito da coisa. E de espiritismo, entendemos nós.

Nos Estados Unidos, ela é chamada de mood music, música ambiente. Na Inglaterra, de light music, música ligeira. No Brasil, grosseiramente, de música de elevador. Grosseira e injustamente porque, hoje em dia, só os melhores elevadores continuam oferecendo música a seus usuários. Mas, para quem despreza o que se escuta neles, considerando-o o epítome da caretice, ainda veremos o dia em que os elevadores tocarão The Who, Pink Floyd ou Skank - embora, quando isso acontecer, eu pretenda estar absolutamente morto e enterrado (desculpem o pleonasmo... machuquei alguém?). Cedo ou tarde, o destino de toda espécie de música é o elevador, o consultório do dentista e o toque do celular. Tom Jobim já está em todos eles, assim como Ary Barroso, Cole Porter, Paul McCartney e Beethoven, e isso não os tornou menores.

Que espécie de música é essa – quase toda produzida nos anos 60 – que une os jazzistas, roqueiros e eruditos num desprezo comum? O que a define? Digamos que ela seja uma diluição suavizada de certas formas musicais que, em sua versão original, seriam muito barulhentas ou complicadas para se ouvir quando se quer apenas relaxar. Imagine subir 30 andares ouvindo Air Mail Special, de Lionel Hampton, com a orquestra do próprio a todo pano, ou fazer um tratamento de canal ao som da Cavalgada das Valquírias, de Wagner, regida por Stokowsky. O suicídio não seria uma má idéia. Mas, se for uma Air Mail Special adocicada por Jonah Jones ou uma Cavalgada domada por Mantovani, tanto os vácuos e solavancos do elevador quanto a broca do dentista serão quase imperceptíveis. Se a música serve para tudo, por que não pode servir também para zerar angústias? E por que a música explicitamente agradável se tornou tabu?

Nos últimos tempos, nos Estados Unidos e na Inglaterra, o conceito se expandiu e esse tipo de música passou a ser agrupado nas lojas sob uma nova categoria, chamada easy listening. Significa toda espécie de música popular que não seja jazz, rock ou um corpo estranho chamado world music. Bem, considero também ofensiva essa marota classificação de easy listening – porque dá a entender que, se ela é fácil de escutar, foi também fácil de fazer. O que não é verdade – ao contrário de 50% do jazz e de 100% do rock disponíveis na praça, fáceis de fazer e duríssimos de escutar. Além disso, easy listening sugere um tipo de música que, se por acaso estiver ao alcance das suas orelhas, tanto faz que você esteja ou não prestando atenção, porque ela não irrita nem acrescenta.

Pois eis aí outra definição preconceituosa. Qualquer tipo de música pode ser escutado com um ouvido só e, nesse caso, não nos acrescentará nada – seja Villa-Lobos ou Abílio Farias, para ficar nos extremos. Mas suponha agora que exista uma grande quantidade de mood music que mereça ser escutada com atenção. A prova está numa série de extraordinários lançamentos importados, trazendo de volta orquestras e conjuntos que, com todo o apelo comercial, produziam música de espantosa qualidade e beleza.

Uma dessas orquestras, por exemplo, tinha como arranjador e regente nada menos que o compositor clássico e maestro Morton Gould. Seu disco, Blues in the Night, gravado em 1957 na RCA Victor, dá um caráter tão majestoso a temas como Birth of the Blues e Mood Indigo que, hoje, é difícil acreditar que possa ter sido gravado para servir de fundo musical a ouvintes distraídos. O mesmo se aplica a Easy Jazz, com a orquestra de Paul Weston (enriquecida por solistas como o trompetista Ziggy Elman, o pianista Paul Smith e o guitarrista George Van Eps), num repertório que inclui Body and Soul, Georgia on my Mind e My Funny Valentine. Weston morreu há cinco anos, aos 84 anos, respeitado como um dos maiores arranjadores do século por sua delicadeza para combinar cordas e metais.

E, até que enfim, os discos de Jackie Gleason renascem em CD. Gleason, mais conhecido no Brasil como ator (era o gordo que perseguia Burt Reynolds nos filmes da série Agarra-me Se Puderes), foi uma potência da música americana nos anos 50 – sem tocar qualquer instrumento e sem ler uma nota de música. Os discos de sua orquestra vendiam-se aos milhões: eram ótimos para dançar, ouvir ou criar climas para coisa mais séria entre um homem e uma mulher. E como Gleason conseguia isso? Com sua tremenda musicalidade intuitiva, orientando seus arranjadores para o tipo de som e de andamento que queria – o que ele fazia cantarolando e regendo naipes imaginários com um cigarro como batuta. Se você quiser ouvir para crer, a pedida é Velvet Brass - How Sweet It Is, na verdade muito mais swing que sweet.

O humorista americano Ambrose Bierce, autor do Dicionário do Diabo, chamou o acordeon de “um instrumento com os sentimentos de um assassino”. Mas isso é porque ele nunca ouviu seu compatriota, o acordeonista Art Van Damme, nascido em 1920. Van Damme praticamente introduziu o acordeon no jazz e, por volta de 1950, influenciou adivinhe quem no Brasil: João Donato. Depois de décadas esquecido, alguns de seus discos antigos estão saindo no Japão e na Alemanha – alguns deles, Martini Time e State of Art. Os quase surdos os rotularão de música para coquetel, pelo pecado de serem de audição agradabilíssima. Mas vá tentar fazer o que ele faz.

Art Van Damme está para o acordeon como um xará seu para o piano: Art Tatum. E um de seus mais deliciosos contemporâneos também foi redescoberto: o pianista Page Cavanaugh. Entre outras coisas, o trio de Cavanaugh foi a principal influência do conjunto vocal carioca Garotos da Lua, cujo crooner em 1951 chamava-se João Gilberto. Depois, como pianista, ele seria o acompanhante ideal de Doris Day e Frank Sinatra. Pois Cavanaugh foi posto para gravar de novo e o resultado, até agora, são dois lindos discos chamados The Digital Page (Page One e Page Two).

A grande sensação, no entanto, é a série de 12 CDs individuais da Capitol intitulada Ultra-Lounge, contendo o máximo do repertório de mod music desta gravadora nos anos 50 e 60. É a absoluta volta a um tempo em que o homem se vestia inteiro para levar uma mulher a uma boate ou para recebê-la em seu apartamento. E essa mulher, naturalmente, exorbitava em seus decotes, sedas e no vermelho do batom.

Homens e mulheres equipavam-se para seduzir e a música era parte importante nesse jogo. Cantores e orquestras eram movidos a hormônios na tentativa de estabelecer uma atmosfera densa e sensual. A música podia ser americana, latina, francesa ou com toques negros - mas era sempre dançante, sensual e envolvente, ideal para preliminares elegantes. Ir para a cama com alguém devia ser uma batalha naquele tempo, mas, até chegar lá, as mulheres não se queixavam de falta de romantismo.

É esse o clima passado pelos CDs desta série, como Bachelor Pad Royale, Rhapsodesia, Cocktail Capers, The Crime Scene, A Bachelor in Paris, Cha-Cha de Amor e os outros. Cada um deles tem 18 faixas, estreladas por grandes nomes como Nelson Riddle, Bobby Darin, Billy May, Jonah Jones, Ray Anthony, Dean Martin, Leroy Holmes, Peggy Lee, Perez Prado, Julie London, Cy Coleman, Sam Butera, Les Baxter, etc etc.

Grandes sons – arranjos fabulosos, que induzem um casal a sair dançando lentamente em direção ao leito ou que, no caso dos mais tímidos, também permitem grandes momentos de mãos dadas no sofá da sala. Se este for o seu caso, não se torture: esta é uma música que também pode perfeitamente ser apenas escutada. Eu, por exemplo, quero ouvir com a Hedôzinha colocando a boca no meu trombone de vara. Se é que me entendem.

Mergulho radical na libertação


Torquato Neto viveu o suficiente para desafinar o coro dos contentes

Por Wally Sailormoon

Se vocês estiverem com dinheiro sobrando (o salário mínimo vai aumentar agora em maio, certo? Comece a gastar por conta...), não deixem de adquirir a monumental caixa “Torquatália”, de Torquato Neto. Org. Paulo Roberto Pires. Editora Rocco. Volume I (“Do lado de dentro”), 368 páginas, R$ 44. Volume II (“Geléia geral”), 408 páginas, R$ 49. O investimento vai valer a pena.

Eu, particularmente, continuo reputando como tarefa ingrata essa de reunir a obra completa de Torquato Neto (1944-1972). Ele não se deixava apreender com facilidade, distribuiu seu talento por várias áreas, destruiu muito do que escreveu antes de se matar aos 28 anos. Juntar o artista em dois volumes é tentar dar-lhe contornos mais precisos. Mas, como não poderia deixar de ser, as sensações de “Torquatália” sobrevivem em incongruências: “as palavras arrebentadas, os becos, as ciladas etc. etc. ad infinitum”.

Os rastros de Torquato Neto foram agora mapeados pelo jornalista, escritor, professor e editor Paulo Roberto Pires em “Do lado de dentro” e “Geléia geral”. Os textos do piauiense estavam sumidos havia muito tempo. É de 1982 a segunda e última edição de “Os últimos dias de paupéria”, coletânea organizada pela mulher, Ana Maria Duarte, e por este vosso escriba. Torquato sobrevivia de maneira mais próxima do público nas letras de canções, o meio que lhe deu alguma celebridade.

O material traz inéditos, em livro ou não. De poemas da adolescência, escritos em Salvador e no Rio entre 1961 e 1962, aos textos da coluna Música Popular, do “Jornal dos Sports”, e do suplemento Plug, do “Correio da Manhã”. Além das clássicas (“Minha senhora”, “Louvação”, “Três da madrugada”, entre outras), há letras que os parceiros tiraram do baú e nunca gravadas. Gilberto Gil e Caetano Veloso estão entre os que contribuíram com redescobertas.

O melhor da nova fornada, entretanto, são as cartas trocadas com Hélio Oiticica no início dos anos 70, quando o artista dos parangolés estava em Nova York, ou melhor, em “Babylon”. Na confusão de duas cidades, na correspondência entre dois mundos, encontra-se um painel saboroso da produção cultural da época: os bastidores, as idéias, as disputas. Todo mundo andava meio perdido, sem saber aonde ir, “quebração de cara geral”, resumia Torquato.

Sobram fofocas e achincalhes — a Gustavo Dahl, Nelson Motta e Capinam, por exemplo. Oiticica escreve com afetação, é mais pródigo na baixaria. A transa (gíria repetida em abundância por Torquato, hoje com sentido mais determinado) de Torquato era sempre a busca da liberdade para o “lado de dentro”, sem abandonar certa elegância, expressa em meio a todo o coloquialismo. Suas fotografias não deixam as palavras mentir.

Todo dia era dia de libertação, dentro da cabeça e do país. Mas a coisa ficou barra pesada, nos dois lugares, e ele não aguentou. “Torquatália” confirma o talento múltiplo do jornalista, poeta, letrista, ator e cineasta. Na maioria das vezes, artista inconcluso, como se algo nunca pudesse ser efetivamente fechado. O suicídio é solução coerente com uma vida-obra, mais do que idéias que são concebidas e transformadas em projetos reais. Nem o jornalismo de Torquato conseguiu prender-se ao factual. Fez da “Geléia geral” lugar-comum.

Faz sentido, então, perguntar: o que resiste da palavra rabiscada nos cadernos de anotações ou do diário esboçado no Hospital Psiquiátrico Pedro II? O que fica da frase datilografada? Rabiscos, esboços e as marcas de tinta no papel-jornal são imagens que separam e unem as partes do volume “Do lado de dentro”. Antecipam angústias contemporâneas com mais brilhantismo do que outros companheiros de jornada na Navilouca tupiniquim, talvez por conta de constante irracionalidade.

No dia 13 de novembro de 1971, pouco menos de um ano antes de morrer, Torquato escreve: “a literatura, o labirinto perquiridor da linguagem escrita, o contratempo, a literatura é a irmã siamesa do indivíduo. a idade das massas, evidentemente, não comporta mais a literatura como uma coisa viva e por isso em nossos dias ela estrebucha e vai morrer. a literatura tem a ver com a moral individual e a moral individual não interessa — não existe mais”. A crise ainda está aí, tal e qual o diagnóstico.

Se a literatura não resolve, cabe experimentar para todo lado, com o risco da dispersão. Aconteceu com Torquato por necessidade vital (ou o oposto disso), tem sido tentativa atual apenas dos que podem, por méritos intelectuais e financeiros — normalmente juntos. Os que transitam entre as artes têm sentido dificuldade por conta da imposição do rótulo, solicitado pela mídia. A especialização, tudo o que não tem a ver com as transações de Torquato, essa necessidade de foco de energia numa só coisa virou a moeda de troca intelectual da qual o “anjo torto” procurou fugir desesperadamente.

Assim, a mais curiosa constatação de “Torquatália” é que Tropicalismo e Tropicália parecem coisas passageiras diante de tantas outras referências e atitudes. Nem merecem as maiúsculas, nesse caso. Essa ausência, o próprio Torquato deve ter sentido. Abandonou o barco, foi “desafinar o coro dos contentes” sem tribo, quase sozinho. Não dá mais para reduzir esse multiprocessador de informações a um movimento manifesto. Além do valor de relíquia, da recuperação de memória, os dois volumes têm o mérito do estilhaçamento porque mostram como é difícil restringir Torquato, homem de projetos inacabados. Daí a tarefa nobre e necessária da coletânea, porém insuficiente por natureza.

Um ou outro deslize na edição, como a não referência à gravação de “Mamãe, coragem” por Nara Leão em 1968, nem de longe prejudica o trabalho de Paulo Roberto Pires, que assina ensaios introdutórios aos livros. Por suas mãos, Torquato volta para nos alertar sobre a pasmaceira sem censura e mercadológica que tomou conta do cenário cultural brasileiro, quando mais uma vez começa a surgir a vontade de ir embora, quando a gente tinha tudo para ficar. Sem medo de ser contente. “Aqui não tem nada, mas é a tal festa. Ninguém se entende e o conformismo é geral: em ritmo de Brasil grande. Um inferno. Mas eu continuo achando que não devo me apressar em nada. Quando as coisas estiverem melhor arrumadas eu darei um pulo do lado de fora, ou farei logo o filme, não sei”, escreve a Oiticica.

Torquato não foi grande crítico de música, mas agitou a imprensa. Não deixou um livro publicado, mas se fez ouvir muito mais longe (claro). Não montou o filme que havia rodado, mas deixou instruções para que se pudesse fazê-lo. Tudo ao mesmo tempo agora, eis um lema pop e possível. Há quem diga, afinal, que ele bolou um projeto de morte fazendo da própria vida a obra no tempo. Sabe-se lá.

O que quer dizer “Laissez-Faire”?


O rei Leopold II adorava colocar os negrinhos no pastoreio

Por Fran Pacheco

Laissez-Faire é um termo filosófico cunhado pelos Fisiocratas do séc. XVIII, que significa “deixa rolar”. Tornou-se lema do Capitalismo Liberal ao propor o fim de qualquer intervenção do Estado nos negócios das empresas privadas. Baseia-se na duvidosa premissa de que um patrão é menos filho da puta que um burocrata.

A idéia foi implementada em 1885, no Estado Livre do Congo, tornado uma empresa de propriedade particular do monarca Leopold II, da Bélgica. A sede da Companhia ficava em Leopoldville – atual Kinshasa.

O desemprego foi erradicado, pois os congoleses tornaram-se não mais cidadãos, mas funcionários arregimentados da seguinte forma: o setor de RH da Companhia enviava mercenários (headhunters, na moderna terminologia de Wall Street) que sequestravam as mulheres e crianças das aldeias.

Os homens tinham que trabalhar no mínimo 7 dias por semana, embrenhados na selva, extraindo látex, óleo de copal e marfim, se não quisessem ver a família morta. O pagamento pecuniário (salário) tornava-se, por este, digamos, contrato de trabalho, desnecessário.

A baixa produtividade rendia ao funcionário uma mão ou um pé amputados, como advertência. A demissão era protocolizada com a execução sumária do ex-funcionário. Melhor não entrar em detalhes sobre o que acontecia com grevistas e anarco-sindicalistas.

Misteriosamente, apesar dos fabulosos lucros do negócio, a quantidade de trabalhadores existentes no Congo sofreu um forte “viés de baixa” durante a boca-livre da Companhia.

Com a mão-de-obra dizimada e pressionado pela grita mundial, o velho Leopold, já sem ter onde enfiar tanto marfim, abandonou sua empreitada em 1908 e “vendeu” a carniça de volta para o Estado Belga por 45 milhões de francos. E ainda embolsou mais 5 milhões, a título de “agradecimento pelos seus grandes sacrifícios em prol do Congo”.

O Congo é hoje isso que aí está. A memória de Leopold é venerada pelos belgas, que depois (felizmente) só conseguiram produzir os Smurfs. Os liberais (se é que existem verdadeiros liberais) não gostam de tocar no assunto.


(Extraído de “Azancoth – História Universal dos F.D.P.”, Editora Uqbar)

Um Dilma após o outro


Na bica de perder o emprego de presidenta, Dilma Roskoff já entrou na fila do Minha Casa Minha Vida. Desde que a casa seja o Palácio da Alvorada, é claro.

Por Agamenon Mendes Pedreira (*)

O Brasil está mais parado que o meu Dodge Dart 73, enferrujado, onde vivo ao lado de Isaura, a minha patroa, que, ao contrário da mulher do Temer, não é bela, recatada e nem do lar. Já a presidanta Zika Rousseff passa os dias solitária no seu bunker do Alvorada, que deveria mudar de nome para Palácio da Revoada. Todo mundo está se mandando dali: Jacques Wagner arrumou um emprego de pai de santo em Salvador e Merdinho Silva vai voltar para onde veio, isto é, lugar nenhum.

Ninguém quer mais saber da gerentona mandona que metia o bedelho em tudo. Hoje em Dilma, a presidenta não manda mais p*!#*** orra nenhuma. Outro Dilma mesmo ela pediu para tomar um cafezinho e o mordomo, desbocado e petulante, mandou a quase futura ex-presidanta tomar na AGU. Mas o que deixou mesmo a Dilma bolada é que ela recebeu um bilhete azul para comparecer ao Departamento de Recursos Humanos semana que vem.

O desemprego que assola o Brasil (e que começou pela minha pessoa), finalmente chegou a Brasília. Quem também “partiu para novos desafios” foi o ex-presidente da Câmara, Dedurado Chicuncunha. Partir para novos desafios é o eufemismo atual para quem é demitido do emprego. E o deputado Enrolado Cunha realmente tem pela frente grandes desafios. O primeiro desafio vai ser explicar aquela grana toda que ele tem na Suíça e que ele diz que não tem. Igual ao Lula que não tem o sítio em Atibaia, não tem tríplex no Guarujá e também não tem vergonha na cara.

Com o fim do Reich petista, os companheiros que ainda não foram em cana estão torcendo para serem presos o quanto antes. Pelo menos, na carceragem da Polícia Federal ou na Papuda eles têm garantido casa, comida e roupa listrada lavada.


 (*) Agamenon Mendes Pedreira é jornalista sem fronteiras.

sexta-feira, abril 15, 2016

Coisas sobre sexo que você nunca quis saber, mas que eu faço questão de divulgar (2)


MÚSCULOS MILAGROSOS – Lola Montez, uma bailarina anglo-irlandesa, aventureira e cortesã, descobriu bem cedo que podia satisfazer seus desejos sexuais ao mesmo tempo em que vendia seu corpo por uma fortuna. Ela teve três maridos e entre seus inumeráveis amantes estiveram Franz Liszt e Alexandre Dumas, o pai. Mesmo sendo do tipo “pegue e pague”, Lola recusou-se a fornicar com o vice-rei da Polônia, porque ele usava perereca e queria lhe beijar na boca! Lola chegou a ser amante do rei Luís I, da Bávaria, que a presenteou com os títulos de baronesa e condessa, porque “ela podia fazer milagres com os músculos de suas partes íntimas”, dizia. A bailarina foi uma das primeiras cortesãs da época a ter seu “bezerro premiado em exposição” elogiado publicamente em todas as cortes europeias.

BEATA PELADA – O falecido rei Alfonso 13, avô de Juan Carlos, atual rei da Espanha, tinha como passatempo predileto assistir filmes eróticos, muito deles feitos por encomenda e roteirizados pelo monarca em pleno anos 20. Seus assessores faziam contatos com diretores, atores e atrizes para viabilizar o desejo real. Uma das fitas recentemente encontradas conta a história de um padre que convencia lindas jovens beatas a rezarem nuas e depois liberarem o rodiscley, pois assim ganhariam o reino dos céus. Parece enredo de um dos catecismos do Carlos Zéfiro, fala sério!

PORTA DOS FUNDOS – Durante milhões de anos, antes de se tornar um homenzinho – era apenas um primata de futuro –, nosso ancestral fez sexo penetrando por trás, como os macacos. O intercusso era curto, grosso, breve e, na maioria das vezes, o macho, engatando pela retaguarda, nem via a cara da parceira. Deve ser por isso que até hoje as mina pira quando ficam de quatro...

TRAIÇÃO AUTORIZADA – Pela lei babilônica, se a esposa legal fosse estéril cabia a ela encontrar uma substituta para o marido. Complicado era recuperar o marido depois.

PICADINHO DE CLITÓRIS – Os egípcios marcavam suas mulheres extirpando o clitóris e os lábios vaginais. O objetivo, aparentemente, era de evitar que a mulher de algum marido incompetente, querendo gozar, saísse por aí dando mais do que o chuchu na serra.

VIRGINDADE GARANTIDA – Há registros de que os curdos praticavam o defloramento público para que se comprovasse a castidade pré-marital da noiva. Imagine a quantidade de punheteiros que corriam para a praça num dia destes.

APENAS POR INSTINTO – Entre as mulheres, diz Shere Hite, a tal do famoso Relatório, a masturbação se constitui em “uma das poucas formas de comportamento instintivo à qual se tem acesso”. Todas as pesquisas, de ontem, de hoje e, provavelmente, de amanhã, indicam que os homens se masturbam muito mais do que as mulheres. Só não dizem o quanto elas estão perdendo.

ACREDITE SE QUISER – Alguém aí sabe como nasceu Afrodite, a deusa do coito? Da espuma de sêmen do deus Urano, cujos testículos foram jogados ao mar pelo seu filho Cronos.

FRIGIDEZ ANUNCIADA – Santo Agostinho refletindo sobre o sexo no Jardim do Éden, concluiu que a primeira transa deve ter sido fria e intensa de qualquer excitação. Segundo ele, só depois de o “pecado original” é que a emoção chegou ao sexo.

PELA QUANTIDADE – No século VI, a imperatriz Teodora pôs novamente em prática as tradições romanas de ninfomania. Ela abria “as portas de Vênus” diariamente a, pelo menos, dez jovens nobres, escolhidos aleatoriamente entre os mais bem dotados da corte. Em ocasiões especiais, a “santa” começava o dia praticando sexo com até 30 servos, no velho estilo “barba, cabelo e bigode”. Teodora era do ramo!

TREINANDO ANTES – O Taoísmo pregava que uma criança só nasceria forte e saudável se a essência do pai estivesse na sua potência máxima. Para isso, o homem deveria manter relações com outras mulheres antes do encontro final com a “futura mamãe”.

COMIDA CASEIRA – Essa história de “comer a empregadinha lá de casa” é muito mais antiga do que se pode imaginar. Entre 1726 e 1736, mais da metade das mães solteiras de Nantes, na França deram o nome do seu patrão aos filhos.

MANUAL DO SEXO – Os chineses produziram os primeiros manuais de sexo conhecidos no mundo. Ainda hoje esse livros – ou o que sobrou deles – são vistos no Ocidente como pornográficos.

SEM CHANCE – No mundo grego, a castração obedecia a interesses puramente conceituais. O eunuco serviria como escravo para serviços internos, como cuidar dos aposentos do sultão. Seus órgãos sexuais externos eram cortados exatamente para isso, para deixa-los sem nenhuma possibilidade de qualquer gracinha para cima do harém.

CURA DA GONORREIA – A famosa gonorreia, também chamada de blenorragia e que muito marmanjo por aí já contraiu na adolescência, teve seu micróbio identificado em 1879. Já a cura só foi descoberta depois da chegada das sulfamidas em 1941. Êita tempo bão!

RESTAURAÇÃO DO SELO – O Japão de hoje é exigente em relação à virgindade da noiva. Muito espertinhas, as mocinhas casadoiras não perdem a viagem. Segundo cálculos recentes, cerca de 40 mil hímens são restaurados por ano. A operação é conhecida como “hímen renascido”.

O pé na bunda é P&B, a liberdade é 3D


Xico Sá

Está ai um momento lindamente difícil, primeiro plano, fechado, só você e a câmera do homem que filma tudo lá de cima, agora em 3D, para que todos acreditem e não vejam como truque ou chantagem, o justo instante em que diz, absoluto(a): adeus, acabou chorare, chega de palhaçada!

Dificílima decisão quando você ama o(a) sujeito(a) como nos versos mais lindos dos Beatles que ouviram do Ipiranga, da Serra do Rola Moça, do Mucuripe,  da beira do Capibaribe ou do Crato.

Mas que linda iluminação, meu santo Jack Kereouac, o beijo no vento, o sorriso, o fim da maldição de todas as músicas que parecem biográficas, sejam de Leonard Cohen, do Chico ou do Waldick Soriano.

Já reparou, amigo(a) que, quando doentes de amor, toda e qualquer canção é a história cagada e cuspida das nossas vidas?! Entramos no carro ou em um táxi de madrugada, velho e bom Serginho Barbosa, e lá está a trilha sonora da existência.

Agora você simplesmente ergue as mãos para os céus e diz: estou livre!

Penei, sofri, vivi o luto amoroso, mas essa(e) peste não me merece. Você foi grande, não esnobou com o(a) primeiro(a) que apareceu pela frente, respeitou, viveu noites de insônia e solenes carências.

Você tomou fortes remédios, enfim, você foi intenso(a) e segurou a onda em todas as medidas e trenas do possível.

Óbvio que às vezes você se engana, todos nós caímos nessa, achamos que estamos libertos e temos recaídas, acontece, basta estar vivo, dane-se, o amor é uma droga pesada, muito bem disseram, passa a régua.

Agora não, você se sente livre mesmo, até recita um verso de outro grande poeta, o Walt Whitman, aquele que diz mais ou menos assim, não recordo de memória: “De hoje em diante não digo mais boa sorte / boa sorte sou eu!”

Pronto. É isso ai, vamos embora e etc.

Você se sente livre mesmo(a), se arruma bem linda, bota flor no cabelo, você, macho velho, luta boxe sozinho no banheiro, ouve uma do Rolling Stones ou do Bartô Galeno, você está preparado(a) para uma nova vida, caiu a pena como um passarinho, caiu o pêlo como um(a) gato(a), mudou de sina e com todo respeito ao clichê mais vagabundo, a fila anda.

Vixe, nossa!, você fez todas as rezas, orou para Jesus, foi no terreiro e no centro espírita, baixou os tarôs e tomou todas as carma-colas, pediu para a menina anônima que viu a virgem na mata e rendeu-se ao neo-orientalismo, você fez de tudo um pouco, santa, de tudo um pouco como o nome daquele bom prato do restaurante Buraco de Otília, Recife, rua da Aurora –a rua da luz mais bonita do mundo, segundo Gilberto Freyre e todos os bons fotógrafos do planeta.

É, amigo(a), se o pé-na-bunda é em preto e branco como naqueles bons, mudos e tristes filmes do expressionismo alemão, a salvação é em 3D, mais que Avatar e léguas submarinas, é uma montanha russa, um carrossel de parque de diversão, uma roda gigante ou uma simples caminhada pelas ruas com um sorriso enigmático e um bom ventinho na cara. Adeus muchacho(a)!

A lenda e a obra da seita lulopetista


J. R. Guzzo

Com a velha lorota de implantar um “Projeto Social” que na realidade jamais existiu, o método do trio Lula-Dilma-PT, depois de treze anos em Brasília, só conseguiu apresentar ao país um governo que incomoda a todos, mas é especialmente esmagador para os mais pobres. O Brasil está vivendo hoje uma de suas fábulas mais fabulosas, ou, para quem prefere uma linguagem com menos cerimônia, a maior mentira de todas as que já foram contadas por aqui nos últimos 500 anos.

O grande conto do vigário de hoje não é a história de chamar o processo de impeachment de “golpe”. É uma falsificação tão miserável dos fatos que nem o próprio governo, o ex-presidente Lula ou o PT acreditam nisso; se acreditassem, já teriam tomado há muito tempo as providências legais para impedir o golpe, acionando as autoridades responsáveis pela segurança pública.

Também não é a gritaria oficial contra a “violência” de quem está a favor do impeachment; que “violência” é essa, quando 3,5 milhões de pessoas, ou mais, vão às ruas de todo o país para pedir a saída de Dilma e não se registra um único episódio de desordem?

Esqueça-se, ainda, a aflição das classes intelectuais com a “legalidade”, ou os esforços para transformar o juiz Sergio Moro numa espécie de capitão do mato das “elites” ─ Moro, para resumir a ópera, é o homem mais popular do Brasil no momento. Não se trata nem nunca se tratou de nada disso, nem das outras contrafações multiusos em circulação atualmente na praça.

A mentira campeã é a tentativa de dizer que há uma disputa entre “dois projetos de país”. Um deles é o “Projeto Social” Lula-PT para melhorar a vida do povo brasileiro. O outro não se sabe direito o que é, e nem interessa ─ basta saber que é o “projeto” de quem discorda de Lula e, portanto, é coisa do mal. Não pode ser debatido. É “deles”.

Trata-se de uma farsa, e por uma razão bem simples: Lula não tem projeto social nenhum. Sempre disse que tem, claro ─ é mentira velha. O que muda é a embalagem. Vem em garrafa, em lata, em plástico, mas a mentira é sempre a mesma. O ex-presidente, desde o começo de sua caminhada rumo ao topo, nunca se interessou por fatos. O que realmente vale, em sua maneira de ver o Brasil, é a imagem que consegue criar; acha mais eficaz substituir a ação pela comunicação. Política é coisa que se faz com um bom gerente de marketing, alguém capaz de entender a sua indiferença quanto aos teores de lógica, realismo ou verdade naquilo que diz; só lhe importa a quantidade de gente disposta a acreditar nele.

O projeto de Lula é cuidar de Lula ─ e convencer a maioria do público de que ele é mesmo o homem que diz ser. Quer que acreditem, por exemplo, que está sendo questionado na Justiça por causa de um pedalinho no sítio de Atibaia, ou porque tem uma adega com sabe-se lá quantas garrafas de bebida. Ou, então, que o juiz Moro é o culpado pelo desemprego (“Vão procurar os seus empregos com o Sergio Moro”, já disse), porque os processos de corrupção de Curitiba estão causando problemas para as empresas e daí elas demitem. Alguém engoliu? Então valeu. Tem dado certo; Lula já foi eleito presidente duas vezes e, mais que isso, conseguiu eleger Dilma Rousseff outras duas.

No exterior, onde as lendas brasileiras mais esquisitas são tantas vezes levadas a sério, constava até há pouco tempo que ele era um grande reformador da sociedade no Terceiro Mundo. E o “Projeto Social” ─ resultou no quê? Não vem ao caso. Ficar fazendo perguntas sobre isso é “preconceito”.

A comprovação prática de que o avanço dos interesses populares, tal como é pregado por Lula, faz parte de um país imaginário está no fato de que o Brasil de hoje vai horrivelmente mal. Ou existe alguém achando que não vai? Após treze anos e tanto de governo pelo método Lula-Dilma-PT, temos acima de 10 milhões de desempregados na praça, mais do que em qualquer outra época ─ e com viés de alta. Para a maioria deles, perder o emprego não é um fenômeno da economia; significa ser jogado de repente à fronteira da miséria, ou algo tão parecido com isso que não dá para perceber a diferença.

O Brasil está a caminho de três anos seguidos de recessão após um ano de crescimento zero, uma desgraça 100% assinada pelo trio citado acima ─ e, como se sabe, é impossível produzir menos e aumentar renda. Na verdade, o que está aumentando são as classes D e E, que só de 2015 até o fim de 2016 vão ganhar cerca de 8 milhões de brasileiros com renda familiar de 2 000 reais para baixo.

Caso a economia não volte a crescer já, e muito, haverá mais pobres no Brasil em 2018, ao fim do mandato oficial de Dilma, do que havia em 2005. Não existe nenhuma defesa para eles. Os serviços públicos que deveriam atendê-los estão quebrados pela falência múltipla do governo. Governo ruim é isso ─ incomoda a todos, mas esmaga o pobre.

A grande lenda viva no Brasil conta que Lula comandou “reformas sociais” de alto alcance. Que reformas? Desde que ele chegou à presidência, e até hoje, não houve nenhuma reforma social de verdade neste país ─ não as reformas que realmente mudam alguma coisa decisiva. Onde está a reforma da lei de propriedade imobiliária, que permitiria aos pobres tirar escritura dos espaços que ocupam ─ e a partir daí obter patrimônio, crédito e respeito? Está exatamente onde esteve antes de Lula e PT: no zero.

Não foi feito nada de sério na reforma da Previdência Social, uma aberração talvez sem paralelo no resto do mundo ─ 1 milhão de aposentados do setor público consomem mais dinheiro do governo, na hora em que o Erário paga os déficits perpétuos do sistema, do que 28 milhões de aposentados da área privada. Ao contrário: os reformadores sociais não admitem que seja feita a mínima mudança para reduzir a injustiça, turbinada pelo fato de que a Previdência, sozinha, gasta mais do que saúde, educação e programas sociais somados.

Jamais se fez uma reforma decente na saúde pública, que Lula já disse ser uma das “melhores do mundo” e na vida real é um dos piores insultos feitos pelo governo aos brasileiros que não têm dinheiro para pagar planos médicos privados. Estão entregues a hospitais sem anestesia para fazer operações, sem horário para consultas, sem vacinas para se defender das epidemias que nunca castigaram tanto a população como neste 14º ano de governos petistas.

No momento, por sinal, o Ministério da Saúde foi posto à venda como um saco de batatas por Lula e Dilma, em sua guerra ao impeachment. Só falam no atrativo de sua verba de “90 bilhões” em 2016. Quando dizem “Ministério da Saúde”, não pensam em saúde ─ pensam em dinheiro.

Que raio de reforma social estão fazendo aí ─ ou em qualquer outra área do governo que afeta diretamente a vida de quem nasceu no degrau errado da escala de renda? Não há força humana capaz de pôr no “Projeto” de Lula uma melhoria real da educação no Brasil, a única maneira conhecida de fazer com que os pobres saiam da pobreza e não voltem a ela.

Nada é tão potente para diminuir as desigualdades quanto o acesso à instrução de qualidade; ninguém consegue ganhar mais sabendo menos. Mas o “Projeto” ignora esse fato. Em vez de cumprirem sua obrigação de fornecer uma educação pública menos miserável a todos, os donos do governo criaram “cotas” ─ o que não ajuda em nada as dezenas de milhões de jovens brasileiros que nunca vão receber cota alguma.

Sobram, para ir ficando por aqui, os aumentos do salário mínimo, as estatísticas sobre um aumento de 130% acima da inflação, de 2003 a 2014, na renda dos 10% mais pobres da população, e o Bolsa Família.

Os aumentos reais do mínimo foram criação do governo Fernando Henrique. Os 130% foram, como citado, para os 10% mais pobres, e a renda desses 10% continua sendo uma das mais baixas do mundo ─ fizeram uma viagem da miséria à miséria.

O Bolsa Família é um programa de preservação da pobreza nacional; como um cidadão deixará um dia de ser pobre com 150 reais por mês? É isso, no fim das contas, a soma total do que o governo tem a mostrar como “conquistas sociais”. É, também, tudo o que Lula, Dilma e PT prometem daqui pra frente.

Estão vivendo o momento decisivo para escapar do impeachment e continuar mandando no Brasil ─ querem garantir que o país não correrá nenhum risco de mudança, nem hoje nem nunca.

O Brasil dá adeus a Lula


Marco Antonio Villa

Assistimos aos últimos dias do projeto criminoso no poder. O país padeceu durante treze anos de uma forma de ação política que associou o velho coronelismo tupiniquim ao leninismo – e com toques de um stalinismo tropical, mais suave, porém mais eficaz. Ainda não sabemos – dada a proximidade histórica – quais os efeitos duradouros deste tipo de domínio que levou à tomada do aparelho de Estado e de seus braços por milhares de funcionários-militantes, que transformaram a ação estatal em correia de transmissão do projeto petista, criminoso em sua ação e devastador na destruição do patrimônio nacional.

É nesta conjuntura – a mais grave da história do Brasil republicano – que as nossas instituições vão ser efetivamente testadas. Até o momento, uma delas, o Supremo Tribunal Federal, ainda não passou no exame. Muito pelo contrário. Inventou um rito de impeachment que viola a Constituição. Sim, viola a Constituição. Deu ao Senado o “direito” de votar se aceita a abertura de processo aprovada pela Câmara, o que afronta os artigos 51 e 52 da Constituição. E interferiu até na composição da comissão processante da Câmara. Pior deverá ser a concessão de foro privilegiado e, mais ainda, do cargo de ministro-chefe da Casa Civil a Luís Inácio Lula da Silva. Caso isso ocorra – e saberemos nesta semana – o STF deixará de ser um poder independente e passará a ser um mero puxadinho do Palácio do Planalto, uma Suprema Corte ao estilo da antiga URSS.

Ainda na esfera do STF, causa preocupação o seu protagonismo em um processo estritamente político como é o impeachment. Não cabe à Suprema Corte decidir o andamento interno e o debate congressual do impeachment. O STF não pode, em nenhuma hipótese, se transformar no Poder Moderador – de triste memória, basta recordar os artigos 98-101 da Constituição de 1824. E nem desempenhar o papel que o Exército teve nas crises políticas desde a proclamação da República até a promulgação da Constituição de 1988. Em outras palavras, o STF não pode ser a carta na mão de golpistas, que a colocam na mesa quando estão correndo risco de derrota. Judicializar o impeachment é agravar ainda mais a crise e jogar o país no caos social e político.

A solução do impasse político é no Parlamento – e com a participação das ruas. A manifestação de 13 de março – a maior da história do Brasil – impediu uma saída negociada do projeto criminoso do poder. O sinal das ruas foi claro: fora Dilma e Lula na cadeia. A estas duas palavras de ordem, as ruas reforçaram ainda mais a necessidade imperiosa de continuidade da Lava Jato até o final. O impulso popular levou o PMDB a mudar radicalmente de posição, basta recordar a dúbia decisão tomada a 12 de março – de independência – e a meteórica reunião de 29 de março, quando rompeu com o governo.

A participação das ruas na política brasileira inaugurou um novo momento na nossa história. É incrível o desinteresse da universidade em estudar o fenômeno representado, entre outros, pelos movimentos Vem pra Rua e Brasil Livre. Ao invés de enfrentar este desafio interpretativo, os docentes das instituições públicas organizam atos e manifestos em defesa de um governo corrupto, antibrasileiro e criminoso. É a apologia ao crime – e paga com dinheiro público.

A resposta do projeto criminoso de poder foi pífia. Tentou de todas as formas organizar manifestações para demonstrar que ainda domina as ruas e tem apoio popular. Fracassou. Mesmo utilizando-se de fartos recursos públicos, de partidos políticos, centrais sindicais pelegas e contando com setores da imprensa para inflar o número de participantes. Pior foram os comícios realizados no Palácio do Planalto. Nunca a sede do Executivo Federal assistiu aos tristes espetáculos de incitação à violência, de ameaça à propriedade privada e ao rompimento da ordem legal. E contando com a conivência de Dilma. Lula, o presidente de fato, optou por permanecer em uma suíte de hotel, em Brasília, de onde governa o Brasil, como se a ficção dos clássicos da literatura latino-americana – “A festa do bode”, de Mário Vargas Llosa, entre outros – fosse transformada em realidade.

Neste momento decisivo da vida nacional é necessário evitar cair nas armadilhas produzidas à exaustão pelo projeto criminoso de poder. Num dia insinuam que adotarão o Estado de Defesa (artigo 136 da Constituição), noutro que vão antecipar a eleição presidencial, depois que contam com um número confortável de deputados para impedir a abertura do processo de impeachment, ou que o Senado vai rejeitar a decisão da Câmara. E mais: que a saída de Dilma vai produzir uma grave crise social. Falácias. É o desespero, pois se avizinha – ainda neste mês – a derrota acachapante do petismo.

A hora do acerto de contas político está chegando. Manter o respeito à lei, à ordem e à Constituição é essencial. Lula – que é quem, de fato, vai ser “impichado” – agirá para desestabilizar o processo democrático, como se fosse um general abandonando território conquistado. Destruirá o que for possível destruir. Não deixará pedra sobre pedra – daí a necessidade da sua prisão, pois solto coloca em risco a ordem pública, desrespeita as instituições e ameaça o país com uma guerra civil. Quer transformar a sua derrota em um cataclismo nacional. Não vai conseguir. A desmoralização da política não pode chegar ao ponto de dar a ele o direito de decidir que vai incendiar o país. Ele sabe que, desta vez, como se diz popularmente, a crise não vai acabar em pizza – ou na rota do frango com polenta, em São Bernardo do Campo. Vai terminar em sushi.

quinta-feira, abril 14, 2016

Teodora: prostituta, atriz, imperatriz e santa pela Igreja Ortodoxa Oriental


Uma igreja em Ravenna, no nordeste da Itália, exibe um mosaico vibrante de uma mulher vestida de roxo. Ela tinha seus próprios cortesãos e o seu mosaico ocupava um enorme espaço ao lado de um mosaico de Cristo. A mulher era a imperatriz Teodora e a sua história ainda desperta curiosidade devido aos muitos extremos que ela frequentou.

Teodora viveu em uma época de grandes mudanças na igreja, linguagem e Estado. O que tinha sido Roma estava prestes a se tornar o Império Bizantino e as regiões do leste, incluindo o Egito, estavam pedindo para usar suas próprias línguas, insinuando autodeterminação. O profeta Maomé nasceu apenas 20 anos depois da morte de Teodora.

Apesar da grande quantidade de história escrita sobre aquele período, Teodora foi praticamente ignorada. No livro História Secreta, de Procópio, que foi escrito pouco tempo depois da morte de Teodora, em 548, ela é descrita como uma espécie de Senhora Maquiavel. Procópio a chama de prostituta, se refere a ela como “Teodora do bordel” e conta os detalhes das suas apresentações no palco onde ela permitia que os gansos bicassem grãos de sua parte intima enquanto dançava nua.

Procópio também conta que Teodora lamentava que deus tivesse lhe dado apenas três orifícios para o prazer. Mas quando Procópio descreve o marido de Teodora, o imperador Justiniano, como um demônio sem cabeça, podemos supor que nem tudo que ele escreveu é verdade e que muitas histórias sobre Teodora podem ter sido exageradas com a intenção de caluniar a imperatriz e seu marido, talvez por ser inimigo da dinastia Justiniana ou das leis que Teodora apoiou como imperatriz.

O ponto de vista de Procópio sobre Teodora, que não foi publicado até o século 17, influenciou outros escritores mais tarde, mas Teodora permaneceu um enigma. O que sabemos sobre ela nos remete à ideia de uma mulher moderna, feminista e, quase sempre, controversa. A vida e a história de Teodora chegam muito perto de se parecer com uma história de ficção.

Ela nasceu em Constantinopla por volta de 500 DC. Seu pai, domador de ursos no hipódromo, morreu quando ela tinha cinco anos e sua mãe se casou com um outro domador que não conseguiu o antigo trabalho de seu marido morto.

Foi então que a ex-viúva ensaiou movimentos de súplica com suas três filhas, vestiu as meninas formosamente e as levou para o hipódromo, um vasto complexo com capacidade para trinta mil pessoas, para solicitar formalmente um trabalho para seu novo padrasto. 

O desejo foi concedido e Teodora, que atuou muito bem executando os movimentos de súplica, se tornou atriz, dançarina, mímica e comediante.

Com 15 anos de idade, ela já era a estrela do hipódromo, atuando em espetáculos que, pela narração de Procópio, não estavam muito longe do burlesco moderno. Assim como a maioria das atrizes daquela época, Teodora também era uma prostituta da pá virada.

Quando tinha 14 anos, Teodora teve o seu primeiro filho e, por volta dessa época, ela e sua irmã mais velhas eram acompanhantes de luxo de muitos homens velhos e ricos. É provável que as três tenham feito muitos abortos. 

Aos 18 anos, Teodora se afastou de sua carreira surpreendentemente bem sucedida, para se tornar amante de Hecebolus, o governador do que hoje é conhecido como a Líbia.

Quando eles se separaram, não muito tempo depois, ela ingressou em uma comunidade ascética no deserto perto de Alexandria, onde aconteceu a sua conversão religiosa para um ramo do cristianismo primitivo, o monofisismo, que estava sob ataque por parte do estado romano. 

O problema religioso era entre aqueles que acreditavam, como a maioria dos romanos, que Cristo era ao mesmo tempo humano e divino, e aqueles que, como Teodora, acreditavam que a divindade de Cristo era a sua força principal.

Depois de sua conversão, ela viajou para Antioquia onde ganhou fama por ter trabalhado com Macedônia, uma mulher um pouco mais velha do que ela, que era prostituta, dançarina, e espiã. 

Antioquia era uma grande cidade da Síria, uma das muitas províncias que estavam começando a questionar a supremacia de Constantinopla. Os dois lados contavam com serviços de espionagem.

Aos 21 anos, Teodora voltou para a capital e conheceu Justiniano. Eles eram um casal muito improvável, Justiniano era filho de um agricultor da atual Sérvia que foi para Constantinopla com 11 anos de idade para trabalhar para o seu tio, o imperador Justiniano I.

Justiniano tinha uma mente brilhante e sua codificação do direito romano, que ainda hoje faz parte da formação jurídica de nossos advogados, embutiu uma lei criada exclusivamente para elevar o status de Teodora e outra lei criada para permitir que ela se casasse, algo que as atrizes e ex-atrizes não podiam fazer legalmente.

Eles se casaram contra a vontade da tia de Justiniano, a imperatriz Eufêmia, ela mesma uma ex-escrava e concubina, que viu suas próprias origens em Teodora.

Quando Justiniano I morreu e seu sobrinho Justiniano tornou-se imperador em 527, também como Justiniano I, a “Teodora do bordel” recebeu o título de imperatriz de Roma.

Quando os senadores se encontravam com Justiniano e Teodora, eles se ajoelhavam no chão, em sinal de respeito, e a relação entre Justiniano e Teodora com o povo foi descrita como uma relação entre senhores e escravos.

Teodora exercia muita influência sobre Justiniano, que, por seu turno, foi responsável por várias realizações célebres durante o período em que exerceu o poder.

Eles reformaram a cidade de Constantinopla, construíram dezenas de aquedutos, pontes e mais de 20 igrejas, entre elas a Catedral de Santa Sofia.

Como imperatriz, Teodora trabalhou para impedir os cafetões de receberem dinheiro de prostitutas.

Ciente da impossibilidade do casamento e de uma vida segura para essas mulheres, a imperatriz montou uma casa onde elas poderiam viver em paz.

Teodora, por meio do marido, batalhou pelo casamento legal dessas mulheres, pela legislação anti-estupro e ajudou muitas jovens que eram vendidas como escravas sexuais pelo preço de um par de sandálias.

Suas leis baniram os cafetões de Constantinopla e de todas as principais cidades do império.

Tudo isso faz de Teodora uma das primeiras feministas do planeta, mas sua história é ainda mais complicada.

Existem indícios de que ela estava envolvida em envenenamentos, torturas e casamentos forçados, e mesmo tendo feito muito para ajudar mulheres e meninas em dificuldade, ela não se esforçou para ajudar as mulheres de posição mais elevada, atacando qualquer uma que ameaçasse a sua posição, incluindo a imperatriz Eufêmia.

Teodora morreu em 28 de junho de 548. Relatos da época dizem que Justiniano chorou durante todo o funeral e nunca a esqueceu.

A imperatriz foi sepultada na Igreja dos Santos Apóstolos, em Constantinopla, e declarada santa pela Igreja Ortodoxa Oriental. Sua festa litúrgica acontece todos os anos em 14 de novembro.

É claro que ainda existem muitas perguntas sem respostas na história de Teodora. Ela era uma espiã ou uma santa, uma vagabunda ou uma atriz genial? O que realmente acontecia com os gansos no palco do hipódromo? Eles se afogavam na gruta molhada? Macedônia era sua amiga ou sua amante? Cartas para a redação.