quinta-feira, fevereiro 16, 2017

É um pássaro? É um avião? Não, é o CANDIRU...


Ivan Oliveira, eu e Neilo Batista, meus dois manos diretores do GRES Reino Unido da Liberdade, na fuzarca da Banda do Caxuxa no ano passado. É ganhamos o carnaval de 2016...

Respondendo aos e-mails da pedagoga Maria Augusta (a doce “Guguta”, de Óbidos-PA), do poeta Marcos Fernando (de Caicó-RN, terra dos violeiros Gerson Asa Branca e Paulão dos Oito Baixos, meus manos forever!), do sociólogo Júlio Andrade (de Barra do Piraí-RJ), do Milton Cardoso (meu querido “Miltinho”, de Corumbá-MT) e do resto da cachorrada que frequenta o mocó: Não, não vou descontinuar essa nossa pocilga. O que vai acontecer é que vou demorar um pouco mais pra contar as novidades. Só isso.

Explico melhor. Juntei um bando de cachorros doidos do meu mesmo naipe para fazermos uma revista cultural eletrônica. Uma revista antropofágica, em que cada um é o seu próprio guia. Achou um texto legal, publica. Se puder dar os créditos, ótimo. Se não puder, ótimo também. Nossa função é compartilhar informações pra diminuir o nível de imbecilidade do planeta.

Começamos essa odisseia há quase um mês. Falei pra eles não se preocuparem com audiência a partir de uma premissa básica dos dervixes Naqshbandi: “Quem quiser encontrar, acha. Quem não quiser, encontra as trevas.”

Somos dez malucos por literatura, informação, música e humor, não necessariamente nessa ordem. E sabemos que vamos competir em um ciberespaço onde são criados 10 milhões de sites por mês. Foda-se. A maioria deles é em chinês...

Quem é nosso público-alvo?... Porra, não é neguinho que entra na internet via redes sociais, com um smarthphone comprado a perder de vista. Ou um tablete comprado de um ladrão de ocasião.

Não queremos papo, pelo menos por enquanto, com essa gente do facebook, instagram, google +, linkedin e twitter. Pelo menos, por enquanto.

Queremos conversar com essas 15, 20 mil pessoas que ainda frequentam livrarias nesse nosso Brasilsão cada vez mais jerico, cada vez mais roceiro, cada vez mais atrasado.

Gente que ainda gosta de conversar com um ser humano olhando nos olhos. Sim, sei, sabemos, é um sintoma de atraso tecnológico. Mas ainda somos assim, fazer o que?

Cada um dos dez malucos é livre pra publicar o que achar interessante. Mas estabelecemos algumas regras, que nem sempre são cumpridas.

Vamos a elas, por que cada uma representa um bloco autônomo dentro do site.

MEMÓRIA VIVA – Lembranças de Manaus, de Paris, de New York. Vale biografias de gente que nos informou. Vale mostrar o passado como caminho para o futuro. Vale tudo.

CONVERSA DE BOTEQUIM – Conversas de papo de bar em forma de entrevista. Escutar o que essa gente tem pra dizer, independente de quando rolou o papo. Eu, particularmente, fiquei enlouquecido quando li a entrevista do Aldir Blanc. E também gostei muito da do João Ubaldo Ribeiro.

CAUSOS DE BAMBAS – Estórias engraçadas, tipo causos, de gente que conviveu com a gente. Ou não. Todas elas guardam uma máxima, um ensinamento, uma vertigem. Descobrir é função do leitor. Não temos nada com isso.

BOCA DO INFERNO – Tem sido nosso pior papel, pelo menos por enquanto. A regra era colocar coisas polêmicas. Possivelmente, nossos (meu e de mais dois editores) conceitos de polêmicas são polêmicos. Parceiros colocam lá o que querem. E isso é bom. Não vamos nos dispersar por causa disso.

CHUMBO QUENTE – Também aqui estamos perdendo o pé. Era pra ser a polêmica das polêmicas. Parceiros preferem investir nisso pra polemizar. Tem sido divertido discutir com eles, sem censurar, a presepada. Como a maioria acha que é mesmo por aí, nos quedamos em respeito.

CABARÉ CHINELO – Qualquer matéria que o coletivo não achar interessante, mas achar que deve ser compartilhada. Rola muitas coisas interessantes. É a que mais leio, a mais divertida, a mais sacana, a mais doida e a mais doída. Experimente.

Se acharem que estou de sacanagem, entrem em uma dessas seções do CANDIRU e se divirtam. Vocês vão achar muito mais divertido do que esse meu blog. Papo sério.


quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Concurso de Fantasias e Máscaras no Teatro Amazonas


O colorido das plumas e paetês vai dar o tom especial ao Carnaval 2017, com o encantamento promovido pelo tradicional Concurso de Fantasias e Máscaras do Carnaval do Amazonas que o Governo do Amazonas realiza, via Secretaria de Cultura, nos dias 19 e 26 de fevereiro.

Em sua 14ª edição, o evento terá lugar no Teatro Amazonas, em alusão à comemoração dos 120 anos da casa, e acontece a partir das 18h, no dia 19, e 19h, no dia 26.

O concurso acontece nas modalidades Fantasia Infantil, dia 19, e Fantasia Adulto e Máscara, dia 26. Na modalidade “Infantil”, terá as categorias Luxo Infantil e Originalidade Infantil, divididas nas faixas etárias de 03 a 05 anos, 06 a 08 anos e de 09 a 12 anos.

Já a modalidade “Fantasia Adulto” conta com as seguintes categorias: Luxo Masculino, Luxo Feminino, Originalidade Masculina, Originalidade Feminina, Mestre Sala e Porta Bandeira, e Melhor Idade. E na modalidade Máscara, as categorias Originalidade e Luxo.

Durante o concurso, serão avaliados itens como a consonância com o título da fantasia e o seu histórico, a criatividade na elaboração, o desempenho cênico do (a) modelo, e o acabamento da peça. Além disso, algumas categorias terão critérios específicos na avaliação, como sintonia, evolução, emprego de certos materiais, tanto alternativos como nobres ou luxuosos.

“Os Concursos de Fantasia realizados pelo Governo, via Secretaria de Cultura, são uma tradição no cenário cultural do Amazonas e nos remetem aos antigos carnavais, com a participação das famílias, principalmente, das crianças”, declarou o secretário de Cultura, Robério Braga.

As inscrições do concurso são gratuitas, e para o Concurso de Fantasias Infantil, podem ser feitas no período de 8 a 17 de fevereiro, na sede da Secretaria de Cultura, e no dia 19 de fevereiro, das 15h às 17h, no Teatro Amazonas.

Já as inscrições para o Concurso de Fantasias Adulto vão de 8 a 24 de fevereiro, também da sede da SEC, e no dia 26 de fevereiro, das 15h às 18h, no Teatro Amazonas.

O edital e os demais documentos relativos ao concurso estão disponíveis no site editais.cultura.am.gov.br. Para mais informações sobre outras ações, projetos e atividades desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Cultura, acesse facebook.com/culturadoamazonas e o Portal da Cultura (www.cultura.am.gov.br).

Banda Pega na Inxada é a nova atração do Galvez Botequim


Considerado o mais charmoso bar cultural de Manaus, o Galvez Botequim vai participar das folias de Momo com a sua tradicional frevolândia, que será realizada no dia 25 de fevereiro, sábado gordo, a partir das 13h.

Até o ano passado, o bar era reduto do Bloco É Mole Mas é Meu, que tinha como símbolo a simpática tromba de um elefante cor-de-rosa segurando uma sombrinha de frevo.

Esse ano, entretanto, uma espertalhona chamada Cristiane Costa registrou o nome do bloco como se fosse originário da comunidade da Grande Vitória e conseguiu ser contemplada no edital de patrocínio da Manauscult, deixando os verdadeiros fundadores do bloco a ver navios.

Para não deixar a peteca cair, o estado-maior do Galvez Botequim – Álvaro José, Célio Cruz, Torrinho, Mario Jorge Costa, Renan Freitas Pinto, etc – resolveu colocar um novo bloco na rua e o nome escolhido por unanimidade foi “Banda Pega na Inxada”.

A frevolândia do Galvez vai ser animada pelo grupo Meninos de Olinda e pelo DJ Nego Léo, especialista em mixar frevo tradicional com Pink Floyd e Led Zeppelin.

Estão estranhando o nome da banda?...

No Nordeste, a corruptela “inxada” tanto significa a ferramenta agrícola conhecida como sachola, charrua, enxada ou tapira quanto o órgão sexual feminino conhecido como perseguida, bacorinha, racha ou vagina.

Mas também pode designar o órgão sexual masculino, também conhecido como estrovenga, pomba, rola ou carne crescida.

Pegou em um, pegou em Deus.

O frevo da banda ainda está em fase de composição, mas já podemos adiantar alguns trechos da letra:

Nesse carnaval vou tirar o panema
Me fartar de mato, terra preta e urucu
Meu arpão já está bem afiado
Só vô embora se comer um baiacu

Dos caruanas quero só o maracá,
As cantorias e o cigarro tauhary
Uma cabrocha na paioça ou na ubá
Beber cauim e rebater com cunambi

Vem curupira, vem tomar chibé
Vem cá fazer uma pussanga da pesada
Que logo mais vai começar o fuzuê
Com uma boa ajuda da rapaziada:

Pega na inxada pra plantar a mandioca
Soca bem o pilão pra fazer piracuí
Bota peconha pra mode subir o pau
Que o carnaval pede beiju e açaí!

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Recordando João Nogueira


No primeiro ano do Projeto Pixinguinha, em 1977, uma aula de samba com João Nogueira e Cartola

Ele se definiu como “sambista de calçada”: não era do morro, não foi forjado pela tradição das escolas de samba e tampouco era da zona sul carioca, com o berço de classe média.

João Batista Nogueira Júnior – ou, simplesmente João Nogueira – cantava o que via nas ruas suburbanas do Rio de Janeiro, a boemia dos botequins, a malandragem, as histórias cariocas e também os sentimentos humanos com a musicalidade inata dos grandes sambistas, influenciado pelo som de Wilson Batista, Geraldo Pereira e Noel Rosa.

Neste ano, completam-se 17 anos da morte do intérprete e compositor. Ele partiu no dia 5 de junho de 2000, aos 58 anos, vítima de um enfarte. Seu legado conta com uma rica discografia de 18 discos-solo e outras participações em lançamentos coletivos e mais de 300 composições – a maioria gravada por ele mesmo, mas também interpretadas por nomes como Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Beth Carvalho, Alcione e outros. João Nogueira deixou quatro filhos, sendo um deles seu herdeiro musical: Diogo Nogueira.

João Nogueira nasceu no dia 12 de novembro de 1941, e cresceu no meio do samba e do choro: seu pai, com quem compartilhou o nome, era violonista e chegou a tocar com Noel Rosa. A casa da família, no Méier, zona norte da capital fluminense, era frequentada por Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Donga e João da Baiana. João Nogueira deu seus primeiros acordes no violão para acompanhar o pai, que morreu precocemente, quando o sambista tinha apenas dez anos.


A ausência do pai levou João a trabalhar como vitrinista, vendedor e bancário. Mas nunca se afastou da música: desde os 15 anos, João compunha sambas para os blocos de carnaval do bairro. O sucesso veio no início da década de 70: o primeiro álbum, que levou seu nome, foi lançado em 1972. Mas só em 1974, quando lançou o segundo disco, “E Lá Vou Eu”, trazendo os sucessos “Batendo na porta”, uma ode à escola de seu coração, a Portela, e “Sonho de bamba”, composta junto com o grande parceiro Paulo César Guimarães, o som de João Nogueira explodiu.

Além de enfileirar clássicos como “Poder da Criação”, “As Forças da Natureza”, “Espelho”, “Nó na Madeira”, “Mineira”, “Súplica”, “Eu sei Portela”, João Nogueira marcou posição na defesa dos artistas nacionais e pela valorização do samba.

O Clube do Samba, criado por ele, Alcione, Martinho da Vila e Beth Carvalho em 1979, teve a sua casa, no Méier, como primeiro endereço. O nome do movimento batizou, inclusive, um dos discos de João. Por ali passaram sambistas de várias gerações, compositores das escolas de samba e intérpretes. O bloco de carnaval do Clube do Samba também foi lançado, levando, todos os anos, para a Avenida Rio Branco a tradição do ritmo e as canções dos velhos carnavais.

João Nogueira foi mais que um compositor e letrista refinado: ele era também um cantor marcante, de voz grave e aveludada. Inovador, fazia interpretações recheadas de carioquismo, malícia e ritmo. Parte dos críticos consideram João Nogueira como o melhor intérprete de Noel Rosa.

Boêmio inveterado, flamenguista de coração e apaixonado pela Portela, João costumava dizer que em suas composições homenageava as coisas simples da vida, que são a matéria prima dos grandes sambas.

Neste especial do programa Samba na Gamboa, exibido pela TV Brasil, Diogo Nogueira homenageia seu pai, cantando os grandes sucessos de João Nogueira.

Os convidados são Paulo César Feital, amigo e parceiro de João, e Gisa Nogueira, irmã do sambista e compositora. Curta:

terça-feira, janeiro 31, 2017

Uma Noite Vermelho e Branco no GRES Andanças de Ciganos


Nesta sexta-feira, 3, a partir das 21 horas, na quadra do GRES Andanças de Ciganos, a simpática escola de samba da Cachoeirinha realiza a sua aguardada “Uma Noite Vermelho e Branco”, com a participação especial de Quinho do Salgueiro, Rebeca Pinheiro (mulata de ouro do carnaval carioca) e Cris Alves (musa da bateria do GRES Acadêmicos de Salgueiro).

Entre as atrações locais vão estar presentes a Bateria Show da Grande Família, a Bateria Vai ou Racha do Andanças de Ciganos e as Rainhas do Carnaval amazonense Rayssa Santos (2016) e Mayla Jéssica (2014). As Ciganas Glamurosas também vão mostrar uma coreografia especial. As mesas estão sendo vendidas a R$ 100 e o ingresso individual, R$ 10, pelo telefone 99202-7605. A quadra dos Ciganos fica na Rua Borba, entre as ruas Parintins e Tefé, na Cachoeirinha.

“Arrepiiiiiia, Salgueiro. Pimba, pimba! Ai que lindo, que lindo!” Quem nunca cantou junto de Quinho esse grito de guerra, dos mais conhecidos da Sapucaí? Pois é. Em 2015, ninguém cantou. Dono de um carisma particular, o cantor saiu da cena carnavalesca como num passe de mágica.

Após abandonar o carro de som da vermelho e branco para se candidatar à presidência da escola em 2014 – e, posteriormente, ter sua chapa impugnada –, o intérprete ficou sem microfone nas mãos para o desfile do Grupo Especial.


Quase três anos depois de sua frustrada busca pelo poder maior da “Academia do Samba”, o puxador admite que sua empreitada política foi um erro.

– Minha candidatura à presidência do Salgueiro foi um devaneio. Nunca mais vou tentar isso. Eu sou cantor, sempre fui, e se hoje eu sou o Quinho, devo ao samba. Não fiquei satisfeito como aconteceu, meu nome é sinônimo de alegria, quero manter sempre assim – confessa Quinho, que por 20 carnavais guiou os sambas do Salgueiro na Avenida.

Em outubro do ano passado, o Salgueiro fez uma grande festa para a escolha do samba enredo do carnaval de 2017. A presidente Regina Celi, chorando copiosamente e muito emocionada, anunciou o samba de Marcelo Motta como o grande vencedor.

A agremiação recebeu várias personalidades do mundo do samba, mas uma delas chamou a atenção de todos. Sempre irreverente, o intérprete Quinho passou quase toda a noite chupando pirulito e falou sobre um possível retorno para a escola:

– Estou com uma saudade imensa dessa escola que me projetou, que me tornou campeão por duas vezes, com sambas inesquecíveis e a presidente Regina Celi mais uma vez provou que é uma mãezona e está me recebendo aqui de braços abertos.

Perguntado sobre o fato de estar chupando um prosaico pirulito, ele explicou:

– Estou numa fase zen. Comigo tudo sempre foi muito intenso, quando fumava charuto, que sempre gostei muito, fumava bastante, quando bebia meu uísque gostava de beber bem, mas agora estou numa fase de beber uma água, uma coisa mais zen e estou curtindo um pirulito.

É essa nova fase zen do grande intérprete que os manauaras vão poder conferir na próxima sexta feira, na quadra do GRES Andanças de Ciganos. Todo mundo lá.

O conselheiro come...


Por João Ubaldo Ribeiro

Quando eu era estudante em Salvador, tinha sempre um colega ou professor especialista em histórias sobre Ruy Barbosa, a maior parte delas com certeza inventada. Não pode ser verdadeira, por exemplo, a anedota segundo a qual ele chegou a Londres e publicou um anúncio no Times: “Ensina-se inglês aos ingleses”. Também não boto muita fé em que ele se distraía arrolando dezenas de sinônimos para “chicote” ou “prostituta”, embora até hoje existam muitos conterrâneos meus que se aborrecem com quem desmente essas e outras alegações.

Mas há histórias sobre ele em que acredito. Uma delas, aliás, nem o tem como protagonista, mas, sim, sua mulher. Dizem que, procurado para dar um parecer ou realizar um trabalho qualquer, Ruy Barbosa, como acontece com muitos intelectuais, não costumava puxar o assunto do pagamento. E contam que, depois de ver o marido explorado com frequência, a mulher dele chamava o visitante para uma conversinha, na saída. Perguntava se tinham acertado alguma remuneração e, como a resposta era quase sempre negativa, ela, delicadamente, pedia ao visitante que voltasse e combinasse um pagamento.

– O conselheiro come... – explicava ela.

Pois é, o conselheiro comia. E eu, apesar de não ser nem conselheiro nem Águia de Haia, também como. Mas creio que há muita gente que acha que escritores, de modo geral, não comem, nem precisam de dinheiro para nada.

Como tudo mais, deve ser culpa da imprensa, que costuma falar em escritores de best-sellers internacionais, os quais ganham dois milhões de dólares por mês, papam nove entre cada dez estrelas de cinema e têm vastas coleções de carros e relógios de luxo.


A verdade, ai de nós, é que a maior parte dos escritores, não só aqui como no mundo todo, tem que se virar de várias formas para conseguir viver modestamente.

Acho que foi o Paulo Francis que se queixou, já faz algum tempo, do volume de trabalho de graça que aqui esperam dele. Agora me queixo eu. O Brasil, me parece, é campeão nesse tipo de prática. As pessoas esperam que o escritor trabalhe de graça o tempo todo e ficam grandemente ofendidas quando ele se recusa.

Há poucos dias, um grupo de estudantes universitários passou para mim a tarefa que lhes tinha sido incumbida pelo seu professor de literatura brasileira e, como eu não concordei em fazer o trabalho por eles, ficaram aborrecidíssimos e só faltaram xingar toda a minha árvore genealógica. Para não falar que, mesmo que eu quisesse fazer o trabalho, não saberia responder a perguntas do tipo “como caracterizar sua inserção no contexto da literatura brasileira pós-moderna”.

As encomendas de trabalhos escolares aparecem mais ou menos a cada mês. Já originais de livros para meu exame chegam todos os dias. A impressão que tenho é que a maior parte dos autores deseja que eu largue tudo o que estiver fazendo, leia sofregamente os originais, adore tudo, escreva um prefácio arrebatado e edite o livro – após o que ele passará a ganhar dois milhões de dólares por mês, a papar nove em cada dez estrelas de cinema e, enfim, viver essa vidinha de escritor.


E, na verdade, a pessoa não quer uma opinião sincera, como sempre alega. Quer, o que, aliás, é natural, receber a confirmação de seu talento. Mas, se eu fosse ler todos os originais que me surgem, não faria outra coisa na vida. Além disso, tenho muito pudor de dar opinião sobre o trabalho alheio, não me acho qualificado. E fico sem graça e me sentindo culpado porque não posso ler os originais. Não é justo, pois não posso mesmo, mas é o que acontece.

Entrevista é outro trabalho de lascar. Parece-me que a entrevista devia ser destinada a obter informações que ainda não tenham sido tornadas públicas. Por exemplo, todo mundo que já ouviu falar de mim sabe que eu sou baiano e moro no Rio. Contudo, a esmagadora maioria dos entrevistadores começa perguntando onde nasci e se ainda moro em Itaparica. Uma repórter iniciou sua entrevista perguntando se eu era escritor.

As perguntas são invariavelmente as mesmas e podiam ser respondidas com uma olhada nos arquivos do jornal ou revista, mas eu tenho de dar a entrevista e, novamente, trabalhar de graça. Não aguento mais contar que livros publiquei, que gosto de escrever de manhã, que aprendi inglês quando era menino, que nasci em Itaparica e passei a infância em Sergipe etc. etc. etc.

No caso da televisão costuma ser pior. Todo mundo que trabalha em televisão, aqui neste país onde ela é das coisas mais importantes que existem, se acha o máximo porque trabalha na televisão. A síndrome de Bozó, do Chico Anysio, assume várias formas. Os seguranças tratam a gente como lixo, devendo dar-se por felicíssima por ter a chance de aparecer na tevê. Para trabalhar de graça, a gente tem de comparecer ao estúdio, identificar-se, botar crachá, ficar esperando e obedecer ordens estranhas, tais como não olhar para a pessoas com quem se está falando, mas para a câmera.


Uma vez me fecharam num cubículo durante um tempo interminável e aí, amedrontado, fugi. De vez em quando, alguém fica indignado porque uso óculos e dá reflexo, ou porque sou careca e também dá reflexo, quase me obrigando a pedir desculpas por existir.

O interessante é que, se o camarada é amigo do dono do armazém ou da quitanda, não lhe ocorre pedir para fazer a feira da semana de graça. Afinal, trata-se de um negócio, sobrevive-se daquilo. O escritor e o jornalista também sobrevivem de seu trabalho, mas parece que ninguém acredita nisso. Volta e meia sou levado a crer, pelo jeito imperioso com que frequentemente me intimam a trabalhar de graça, que acham que recebo um estipêndio do governo para exercer essas funções.

Quando, certa feita, aceitei pagamento para escrever e assinar um anúncio, caíram de pau em cima de mim e dos outros que toparam o mesmo serviço, como se tivéssemos vendido nossas santas e puras almas ao diabo. Sei que talvez fizesse muito melhor figura de escritor se vivesse bebum, esmolambado e tomando uns trocados emprestados aqui e ali. Mas, infelizmente, me falta vocação, devo ser um falso escritor, nem milionário nem miserável.

domingo, janeiro 29, 2017

T5 Jamaica bate o Vila Mamão e conquista o Peladão Brahma diante de 27 mil pessoas


Por Camila Leonel

Com inteligência e habilidade, o T5 Jamaica, da Compensa, conquistou o Peladão Brahma ao vencer o Vila Mamão por 3 a 1, gols de Sid, Brauli e Rafael. Claudinho descontou para o Vila Mamão. A partida final foi prestigiada por mais de 27 mil pessoas, em uma inquestionável sucesso de público.

Como não poderia deixar de ser, o título foi muito comemorado pelos jogadores e comissão técnica do T5. "Estou há dois anos no time, perdemos uma final e agora ganhamos. Então foi uma grande felicidade hoje, na Arena, com tanta gente assistindo, uma maravilha. O Peladão é tudo aqui para o futebol do Amazonas", destacou o jogador Raílton 'Gatinho', do T5 Jamaica.

Para o treinador do time campeão, o título foi fruto de um trabalho longo. "Estamos treinando há sete meses, coisa que nem time profissional faz. Só nós que estamos no dia a dia com o time e sabemos o que é preciso fazer para ser campeão. E hoje conseguimos", disse Evanilson Ferreira.

Do lado do Vila Mamão, a resignação com o resultado. "O time deles estava com mais vontade do que a gente, e foi o vencedor", desabafou Daniel, o treinador do vice-campeão.

O jogo

Movimentação não faltou no primeiro tempo da final da categoria principal entre Vila Mamão e T5 Jamaica. O primeiro a colocar fogo no jogo foi o Vila Mamão com Pedrinho saindo em velocidade pelo meio do campo no primeiro minuto de jogo. Parado com falta, Claudinho cobrou, mas a bomba foi defendida pelo goleiro Ian, do T5 Jamaica. Aos três minutos, novamente Claudinei chegou soltando uma bomba em direção ao gol adversário, mas o goleiro defendeu novamente.

Mesmo com um começo mais intenso do Vila Mamão, quem abriu o placar foi o T5 Jamaica. Maik, ao cobrar falta, rolou a bola para Thiaguinho tocar em Sid. O camisa oito  de fora da área chutou um balaço de primeira e a bola parou no fundo da rede. T5 1 a 0.

Atrás no placar, o Vila Mamão se lançou ao ataque. Com a forte marcação do T5, o jeito era apostar em jogadas individuais. Aos 12 minutos, Iran fez bela jogada individual e mandou para o gol, mas Ian salvou o T5 mais uma vez.
Outro lance de perigo aconteceu aos 24 minutos, com Irla chutando colocado de fora da área. A bola entraria no ângulo se não fosse a bela defesa de Ian.

No segundo tempo, o ritmo de jogo diminuiu, as equipes mais cautelosas evitavam dar muitos espaços para os adversários. Isso durou até os 10 minutos quando o T5 começou a crescer no jogo e pressionar. E a pressão resultou em gol. Com 13 minutos do segundo tempo, Michael cruzou da direita para Brauli cabecear no segundo pau. O goleiro do Vila Mamão até tocou na bola, mas ela já havia ultrapassado a linha do gol. T5 2 a 0.

Com a vantagem no placar, o T5 Jamaica passou a administrar o jogo. O Vila Mamão até tentava esboçar uma reação como aos 27 minutos após jogada de Claudinho para Paulinho, mas faltou alguém para concluir a jogada. O T5 jogando no contra ataque quase amplia primeiro com Thiaguinho e depois com Rafael, mas o goleiro evitou  os gols.

Aos 33 minutos o juiz marcou pênalti para o Vila Mamão. Claudinho bateu e descontou. Dois minutos depois quem foi derrubado na área foi o jogador do T5 Jamaica. Pênalti. Rafael cobrou e fez para o delírio da torcida que já gritava é campeão.  O placar seguiu inalterado até o fim, restando apenas a festa para toda a torcida da Compensa

sábado, janeiro 28, 2017

“Tem dinheiro. Se não roubar, dá pra brincar”, é tema da 31ª Banda da Bica


A Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) completa 31 anos e deve realizar a tradicional festa de carnaval no dia 18 de fevereiro. O bloco desce a rua 10 de Julho, no Centro Histórico de Manaus, a partir das 15h até 00h. A expectativa de público é de 70 mil pessoas.

Com o tema “Tem dinheiro. Se não roubar, dá pra brincar” – inspirado em um bordão que ficou conhecido nas eleições para Prefeito de Manaus de 2016, a banda traz a tradicional crítica à situação política do país. “A banda da BICA sempre faz crítica do cenário político”, comentou uma das organizadoras e dona do bar, Ana Cláudia.

Diversas apresentações devem animar os milhares de foliões. Segundo a organização, devem se apresentar na BICA, a bateria da escola de samba Reino Unido da Liberdade, o bloco do Cauxi Eletrizado, a Orquestra Manaus Frevo e a Banda do Adal, trazendo as tradicionais marchinhas de carnaval.


Os ensaios (esquentas) irão começar no dia 2 de fevereiro, e devem continuar nos dias 9 e 16 do mesmo mês.

Recentemente homenageado com o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas, o Bar do Armando foi fundado na década de 1970 pelo português Armando Dias Soares, que chegou a Manaus em 1953 e morreu em abril de 2012, aos 77 anos.

“É uma banda muito importante da cidade de Manaus que tem como característica manter as marchinhas de Carnaval. E outra tradição é que é uma banda segura, as pessoas vão confiantes de que vão brincar, e tem sido assim durante os 30 anos", afirmou a filha do Armando Soares, Ana Cláudia.

Conheça abaixo as duas primeiras marchinhas da BICA que já estão tocando nas rádios:



Marchinhas: tradição ou preconceito?


Por Guilherme Franco

Muito antes dos sambas-enredo das escolas de samba e dos trios elétricos fazerem sucesso, quem animava os foliões eram as marchinhas de carnaval. Alegres e fáceis de aprender, elas exprimem espírito das festas de rua ao mesmo tempo que fazem crônicas breves de seu tempo, se incorporando à cultura musical do país.

O auge da marchinha coincide com o auge do rádio, entre as décadas de 1930 e 1960, antes que a televisão começasse gradualmente a ocupar espaço na criação de modas e tendências associadas à música. Desde as primeiras composições, na década de 1920, as estrofes eram cheias de duplo sentido, deboches e em alguns casos, preconceitos.

A historiadora Rosa Araújo, juntamente com o jornalista Sérgio Cabral, fez uma pesquisa na qual ouviram mais de 1.300 composições entre as décadas de 1920 e 1970 para criarem o espetáculo teatral “Sassaricando: e o Rio inventou a marchinha”. Como verdadeiras crônicas do cotidiano da época, as marchinhas abordavam praticamente todos os assuntos: comportamento, vida doméstica, família, economia, clima, serviços urbanos, história do Brasil, entre outros.

De acordo com ela, não havia temática proibida à época quando o assunto eram as marchinhas de carnaval, o que valia era a criatividade e a brincadeira. As canções eram como cartuns, uma maneira rápida e vívida de cristalizar um aspecto engraçado ou paradoxal de uma situação qualquer.

“Elas faziam a crônica dos temas cotidianos com sarcasmo e bom humor, de tudo que atrai a atenção do povo. Não havia preocupação com questões político-sociais. No carnaval tudo é festa e alegria, pois são dias em que o Brasil está de perna para o ar”, explica.

Segundo a historiadora, as sátiras estavam adaptadas ao contexto político do momento. “Naquele período ninguém tinha noção do politicamente correto, o feminismo estava nascendo e o racismo era velado. No entanto, as pessoas sabiam que existiam esses preconceitos, mas foram noções que se desenvolveram com mais clareza no século XXI”.

Rosa Araújo entende que as marchinhas de carnaval ainda vão animar por muitos anos os foliões. “Elas são eternas, um patrimônio nacional. Serão sempre bem-vindas, pois retratam a história do Brasil”, crê.

Entre as marchinhas mais conhecidas com viés preconceituoso estão “Cabeleira do Zezé“— em que a homofobia está presente ao se perguntar se o “Zezé” é “transviado” e mandando cortar seus cabelos — e “Maria Sapatão” — em que se confunde identidade de gênero e orientação sexual. No caso da marchinha “O Teu Cabelo Não Nega”, música da década de 30, o verso “Mas como a cor não pega, mulata/ Mulata eu quero o teu amor” é ilustrativo de um racismo nada implícito.

Para a militante feminista e autora do blogue “Que Nega é Essa?”, Aline Ramos, o fato das letras terem sido criadas num contexto político diferente do atual não significa que elas eram aceitas pelos grupos minoritários. “A diferença está na maneira em que essas pessoas se organizavam para reivindicar seus direitos e apontar o preconceito. Precisamos encarar as marchinhas como dispositivos culturais com forte poder de mensagem. E se essa mensagem violenta um grupo social de algum modo, ela deve ser revista”, opina. “Homofobia, racismo, transfobia e machismo matam do mesmo modo que matavam no passado”, completa.

Aline aponta os novos blocos de rua como um fator que pode ganhar força e se diferenciar das letras compostas nas últimas décadas. “Atualmente, esses blocos não possuem um apelo popular grande, mas são manifestações que estão surgindo de grupos que não estão satisfeitos com o que está estabelecido. Imagina que legal estar no bloco das negas empoderadas em vez do bloco da nega maluca?”, conclui.

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Uma explicação medianamente desnecessária


Em maio de 2011, ou seja, dez anos depois de ter lançado com sucesso um livro contando a gênese da música eletrônica (“Funk, a música que bate”, duas edições esgotadas, de 3 mil exemplares cada uma), resolvi fazer um post ironizando a baixa aceitação do gênero aqui na taba.

Para minha surpresa, dezenas de idiotas de plantão não entenderam o espírito da coisa e começaram a me espinafrar por meio de comentários preconceituosos, sem eira nem beira.

Além de me chamarem de gordo, feio e pobre (qualidades morais que nunca neguei!) e de morar no meio de índios (da tribo dos Papacus, sempre é bom lembrar...), começaram a achar que sou um “inguinorante” musical.

Porra, para um moleque que era DJ com 17 anos e ouvia Kraftwerk desde os quinze, isso soou como uma infâmia.


No início, achei divertido – e publicava os comentários. Com o tempo, virou um pé no saco – e comecei simplesmente a informar ao blogger que aquilo era spam. Foda-se.

Sim, porque a maioria dos comentários era assinada por um tal de “anônimo”. E de anônimo, já basta minha conta numerada na Suíça.

Confesso que não sei lidar com idiotas de plantão – sequer sei como eles vêm parar aqui no meu mocó, já que faço de tudo para mantê-los afastados.

Desconfio – sem poder provar – que é gente acostumada a transitar com desenvoltura na cracolândia virtual das chamadas redes sociais (facebook, whatsapp, google +, instagram, et caterva), em que o xingamento é publicado em tempo real.


Aqui no blogger, entretanto, o buraco é mais embaixo. Os comentários, negativos ou não, aguardam o moderador do blog para serem publicados.

E, como qualquer sujeito hedonista que adora compartilhar informações, eu publico ou não.

Dito isso, vamos entrar em um acordo: quem ficar puto com as minhas postagens, que guarde suas críticas bem escondidinhas no olho do cu e me esqueça completamente, já que não dependo de seus “likes” para ser feliz.

Sem contar que também não quero ser responsável pela sua frustração intelectual de retornar ao post diariamente e constatar que sua “crítica maravilhosa” não foi publicada.

Perca tempo com isso não, mainha... Vá dar duas horas de cu com o relógio parado, painho... Procurem o que fazer ali na esquina, mas me deixem em paz, please!

Existem 580 milhões de blogs na internet. Encontrem um pra chamar de seu, mas me errem, carálio!...

Now, quem tem senso de humor e sabe separar o joio do trigo, vai continuar sendo bem-vindo ao mocó. É para eles que continuo escrevendo. Simples assim.

Aviso aos meus queridos navegantes!


Eu, Iran e Marlon no primeiro esquenta da Banda da Caxuxa

Fiquei quatro meses sem aparecer aqui no mocó por que estava envolvido em uma série de projetos. O maior deles (eleger o Marcelo Ramos prefeito de Manaus) naufragou em meio à maior derrama de dinheiro (leia-se compra de votos) já registrada nas eleições locais nos últimos trinta anos. Mas em compensação, fizemos o prefeito reeleito sair de sua zona de conforto e voltar a trabalhar pela cidade.

O segundo projeto, em importância, era ressuscitar o site Candiru, o único portal de humor da cidade (os outros também são de humor, mas se acham sérios...). 

Por enquanto, a experiência está sendo bem-sucedida. Se quiserem conferir, acessem aqui.

Entre os demais projetos estava publicar dois novos livros ainda este ano, um sobre os 60 anos do Festival Folclórico do Amazonas e outro sobre os 35 anos do Carnaval de Educandos, além de copidescar um inédito (todo manuscrito) livro de crônicas do meu dileto amigo Moacir Andrade, falecido abruptamente no ano passado.

O livro sobre o festival já está em fase de revisão, o do carnaval está andando e o do Moacir Andrade ainda está nos primeiros passos porque muitas vezes tenho que adivinhar o que sua caligrafia octogenária estava querendo dizer. Choses.

Por enquanto, é isso. O New York Times informará.

Ah, e que 2017 seja pior do que 2018, mas infinitamente melhor do que 2016.

Vila Mamão é o representante da Zona Sul na final do Peladão


Depois de trinta anos de espera, o Vila Mamão F.C., de São Francisco, vai disputar sua primeira final no maior campeonato de futebol do planeta, segundo o jornal londrino The Guardian, que teve mais de 500 clubes na disputa desse ano. O jogo será realizado neste sábado, na Arena da Amazônia, a partir das 15h. O adversário da Vila Mamão será o T5 Jamaica, da Compensa, campeão do ano passado.

No último sábado, 21, o campo do Clube da Petrobrás ficou pequeno quando Vila Mamão F.C e Liga do Aleixo/Náutico Clube disputaram a semifinal que daria a vaga ao primeiro finalista da categoria principal. Empurrado pelos gritos e cantos da torcida, o Vila Mamão acabou superando o adversário por 2 a 0 e garantindo a inédita passagem à grande final do Peladão.

“É um sonho de infância. Graças a Deus nós chegamos nessa final, devido à união de toda a comunidade da Vila Mamão. O time tem mais de 30 anos de Peladão e hoje tá fazendo história”, resumiu o treinador da equipe, Daniel Ricardo.

Sem perder a humildade, o Vila Mamão F. C. está cada vez mais confiante de erguer o título de campeão e coroar uma temporada de superação do time. “A união do grupo é o diferencial. Começamos mal nas primeiras rodadas do Peladão, os dois primeiros jogos foram empate devido ao time não se conhecer. Tivemos várias divergências de vaidade, mas no final o time se uniu e estamos indo pra decisão com o coração no bico da chuteira”, diz Edlúcio, um dos cartolas do clube.


Emily Moisa e Renata Penha (finalistas) e a nova rainha do Peladão, Thais Bergamini, vão participar da festa na Arena da Amazônia

Conhecido pela beleza de suas candidatas – Kelly Taline, Bruna Dayane, Camila Vieira, Paloma Albuquerque, Rossicléa Castilho, Luana Batista, Ana Paula e Luana Silva, entre outras, que sempre ficaram entre as 18 finalistas do concurso de Rainha do Peladão –, o Vila Mamão F. C. agora quer ficar conhecido pelo seu bom futebol. Por enquanto, a equipe contabiliza nove vitórias e apenas dois empates.

Na 1ª Fase, o Vila Mamão empatou com o Amigos do Beco (1x1) e com o Jardim Brasil (0x0), e derrotou o Locomotiva (5x0) e o Amigos do Roger (4x0). Na 2ª fase, foram quatro vitórias seguidas: 2x1 no Sete Quedas, 5x0 no Inefável, 2x1 no Unidos do Bueiro e 1x0 no Treze de Maio. Nas oitavas de final, o Vila Mamão fez 1x0 no Núcleo 5. Nas quartas de final, 3x0 no Caça Barca. Na semifinal, 2x0 no Liga do Aleixo/Náutico Clube.

Entre os destaques do time estão o goleiro De Leon (que já defendeu dois pênaltis), Parintins (ex-São Raimundo), Claudinho (ex-São Raimundo), Iran, Serginho (ex-campeão do Peladão pelo Alvorada) e Rossi (ex-capitão de equipe do Compensão). Entre os torcedores fanáticos estão Ivancy Wilkens (ex-campeão amazonense de jiu-jitsu) e Áureo Petita (primeiro craque do Peladão pelo Murrinhas do Egito, em 1974).

Hegemonia da Zona Sul


Nesses 43 anos, a taça de campeão do Peladão foi conquistada apenas duas vezes por times do interior do Estado (Furacão, em 1985, e Entram, em 1993 – ambos de Manacapuru). Nas outras 41 edições, o título de melhor equipe de pelada ficou em Manaus, e desse total, o grito de “é campeão!” foi ouvido 21 vezes nos bairros da Zona Sul.

A Zona Sul não abriga somente o maior número de títulos. É de lá também o time mais vitorioso da história do Peladão. A máquina de levantar troféus do maior campeonato de pelada do mundo atende pelo nome de Arsenal. A equipe da Colônia Oliveira Machado já foi campeã seis vezes. E em cinco edições bateu na trave, ficando com o vice-campeonato. Uma delas foi em 2012.

Se o Vila Mamão conquistar esse título inédito vai se juntar a uma pequena galeria onde já se encontram Arsenal, Estrela (Praça 14, um título), Estalo (Santa Luzia, dois títulos), Arranca Toco (Educandos, um título), Tuna Luso (Praça 14, três títulos), Zaire (Cachoeirinha, um título), Transmiro (Praça 14, um título), Janjão Gouvea (Praça 14, um título), Park Club (Cachoeirinha, um título), União da Ilha (Manaus Moderna, dois títulos), Alternativa (Petrópolis, um título) e Martins Vical (Adrianópolis, um título). O bicho vai pegar.

quinta-feira, setembro 29, 2016

Os 10 melhores produtos das Organizações Tabajara


1. BARANGABA TABAJARA – O campeão do ranking é um produto que transforma o pior jaburu do Universo na maior gata do mundo – tudo isso com apenas uma gota! O segredo? Dá uma olhadinha na fórmula do elixir... Para agradar os paladares mais exigentes, o produto está disponível nos sabores “mocréia”, “tribufu” e “cão chupando manga”.

2. CASA DA MULHER GOSTOSA CARENTE – Não é propriamente um produto, mas uma tocante obra assistencial que sensibilizou nosso júri. Todo ano, a instituição recebe de corpo e alma – principalmente corpo – as gostosas mais carentes do Brasil. E você pensando que as Organizações Tabajara não tinham preocupação social...

3. PERSONAL PINTOVISION – Sabe aquele seu amigo horizontalmente avantajado que não consegue ver o “documento” por causa da pança? O Personal Pintovision é o presente ideal para contornar esse drama. Dois retrovisores acoplados à zona do agrião dão uma visão privilegiada do dito-cujo. É o preferido do Bussunda: “Eu até usaria, mas não preciso por causa do tamanho avantajado do meu bilau!”

4. CAMAPULTA TABAJARA – É o antídoto perfeito para evitar a ressaca da Barangaba. Já pensou se você toma o goró milagroso, mas o efeito acaba e você acorda do lado do maior jaburu? Essa invenção joga o problema pra longe – literalmente – e ainda dá direito a uma fronha para você tapar a cara da mocréia e partir sossegadão pro abraço.

5. VÍDEO “COMO GANHAR MULHERES SENDO FEIO, BURRO, POBRE E SEM CARRO” – Para a Tabajara, a arte da conquista é uma ciência, baseada em técnicas como a autopiedade coativa (que inclui frases como “Dá para mim, pelo amor de Deus!”) e a pentelhação repetitiva de alto impacto (cuja ênfase é lascar petelecos na orelha da gostosa até ela dar para você). Nós aqui da redação não precisamos disso (somos lindos!), mas resolvemos incluir o produto para homenagear os cassetas...

6. MARIDOCARD – É o primeiro cartão de milhagem para maridos: trocar a fralda do bebê vale 5 pontos, levantar a tampa da privada mais 10 e assim por diante. A tortura vale a pena: com 1.500 pontos acumulados, dá para despachar mulher e sogra para uma colônia de férias que está bombando – lá no Iraque. Definitivamente, é um estouro!

7. MELECA DISFARCEITOR – Tem coisa mais chata do que tirar catota no trânsito e ser zoado pelo motorista do lado? A pagação de mico acabou com esse superconjunto de papelão retrátil que despenca do teto quando você quer dar um trato na napa. Privacidade total na higienização do salão e anexos. Além de limpar o nariz, dá para tirar cera do ouvido, arrancar alface do dente...

8. DOG BIMBADA REPELEITOR – Sabe aquele cãozinho que insiste em transar com sua perna toda vez que o vê? Pois essa invenção boa pra cachorro vai acabar com a graça do totó tarado. Os espetos de ferro acoplados a sua perna vão traumatizar o bichinho e ele nunca mais vai pensar em acasalamento pernal. Dependendo do alcance das lanças, ele não vai mais pensar, nem latir, nem respirar...

9. PERSONAL CHUVA – Esse produto é para quem se dá mal por confiar na previsão do tempo. Com o Personal Chuva, ninguém precisa ficar carregando o guarda-chuva no maior solzão com aquela cara de mané. Dá pra criar o seu próprio toró – e ainda por cima escolher o melhor aguaceiro para cada ocasião: “garoa”, “chuvisco”, “temporal” e “chovendo pra cacete”.

10. OLHO MÁGICO DE CAIXÃO – Uma criação do outro mundo para fechar o nosso top 10: com essa revolucionária invenção, o defunto pode enfim se defender da ameaça de assassinos homicidas que queiram invadir seu paletó de madeira – quem sabe até para matá-lo! Não dá para descuidar da segurança nem morto...

quinta-feira, setembro 22, 2016

Tudo em mim é Manaus


Marcelo Ramos (*)

Tudo em mim é Manaus.

Manaus nascida da Cidade da Barra do Rio Negro no dia 24 de outubro de 1848.

Manaus que nasceu em mim no dia 29 de agosto de 1973, na Santa Casa de Misericórdia. Manaus que caminha comigo há 42 anos e que ao meu lado irá me acompanhar até o último dia da minha vida.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que me viu criança, que jogou bola comigo no asfalto quente da rua, que soltou papagaio comigo com um carretel de linha dez e cerol de vidro pilado, que comigo brincou de manja esconde e que até hoje me diverte e me encanta.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que me apresentou o Teatro Amazonas, o Mercado Adolpho Lisboa, a poesia do Thiago de Mello, a música de Candinho & Inês e do Pereira, a Praça da Saudade (onde entrei pela primeira vez num avião), o encontro das águas, o jaraqui frito do Joca e do Galo Carijó, a Praia da Ponta Negra.

Manaus das suas caras, gostos, sons e encantos.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que sentiu comigo o deslumbre do meu primeiro amor, que chorou comigo a minha primeira saudade.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que me consolou na morte do meu velho Umberto e da minha pequena Maria Carolina, que me deu a Dona Graça, o Beto, a Glenda e o Rodrigo, que me apresentou a minha amada Juliana e colocou no meu colo o Gabriel, a Marcelinha e o José Umberto. Manaus dona dos meus amores.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que me ensinou as primeiras letras e viu nascer a minha paixão pela leitura, que raspou minha cabeça quando fui aprovado no vestibular de Direito da UFAM. Manaus da alegria do meu primeiro escritório de advocacia. Manaus que me deu a felicidade de assistir a formatura dos meus três irmãos.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que viu nascer meu entusiasmo militante, que me deu dois mandatos de vereador, um mandato de deputado estadual e que, mesmo diante de tantas dificuldades e contra forças tão poderosas, nas eleições de 2014, teimou em me entregar a confiança de 175 mil dos seus filhos.

Tudo em mim é Manaus.

Manaus que eu sonho um dia me dar uma chance de retribuir tudo que recebi nesses 42 anos de vida. 

A chance de oferecer aos manauaras um transporte público rápido, eficiente e confortável. 

A chance de dotar a cidade de rede de esgoto que preserve a saúde do nosso povo e salve a vida dos nossos igarapés. 

A chance de melhorar a qualidade do atendimento básico de saúde e educação. 

A chance de espalhar a rede de creches, em especial nas áreas mais humildes, para que as manauaras deixem seus filhos com segurança enquanto trabalham. 

Manaus que está em mim e que a ela desejo servir, com determinação e responsabilidade.

Tudo em mim é Manaus.


(*) texto publicado na sua página pessoal no FB, no dia 24 de outubro do ano passado, quando Manaus comemorou 346 anos

segunda-feira, setembro 19, 2016

“O que é antigo é velho, o que é velho não serve mais”


Roberta, Rui Machado, Sandra, Bob Carlos, Elisa, Rita, João Bosco Chamma e Mazé Chaves

José Alberto Tostes, de Santana (AP)

A frase desse artigo foi dita pelo colega, amigo e arquiteto e urbanista manauara, João Bosco Chama, por ocasião do II ARQAMAZÔNIA realizado na cidade de Manaus, no período de 14 a 16 de setembro. A referência dessa citação deve-se a uma longa conversa sobre as questões referentes ao centro histórico da cidade de Manaus.

As reflexões sobre a citação de Chama, nos leva a crer que a desvalorização das áreas centrais na grande maioria das cidades brasileiras, está diretamente relacionada à cultura contemporânea, não se caminha mais com a frequência de antes pela cidade. Vive-se a pressa do dia-a-dia, de um cotidiano dominado pela autoridade do automóvel, então, a pressa é adversa ao sentimento de vivenciar a cidade.

Gradualmente com o passar das décadas e os anos, os centros históricos vem perdendo a sua representação mais efetiva com a cidade. Um dos motivos é a mudança gradual de uma área, que antes tinha um caráter eminentemente residencial para um sentido institucional e comercial, ou seja, as áreas históricas passaram a ter 12 horas de intensidade e outras 12 horas de silêncio profundo. E o que significa esse fato? Representa a perda gradativa de valores, simbologias e de pertencimento com a história do lugar.

Se avaliarmos mais detalhadamente vamos perceber que as maiores representações históricas que vinculam a formação e a gêneses das cidades, está no centro histórico, todavia, o processo de transformação da paisagem da cidade apresenta o preço do desapego com aquilo que é considerado antigo, portanto, está enraizado na cultura brasileira, “o que é antigo é velho, o que é velho não serve mais”, tal afirmação e crítica,  evidencia que temos enormes dificuldades para entender a relação entre o “velho e o novo” entre o “antigo e o contemporâneo ou atual”. Não conseguimos de forma efetiva construir uma relação entre os distintos tempos que envolvem a história da cidade.

Como estudioso, pesquisador, arquiteto e urbanista participei de uma infinidade de eventos ao longo dos anos, um dos fatores que mais me chama atenção, é como está consolidado em nossa cultura o sentimento da negatividade. A quase totalidade das apresentações em eventos evidencia uma cultura negativa, induz indiretamente a juventude, a crer firmemente que não há esperança, tudo é “terra arrasada”. Tal afirmação corrobora para acreditarmos que o amanhã, é impossível, e o passado não existe daí a relação conflituosa sobre a relação com o antigo.

Em diversos países do mundo, principalmente na Europa onde há um legado expressivo da cultura sobre o antigo, tem ocorrido ações e estratégias de incluir o antigo no âmbito de um contexto atual, aliado com as tecnologias, redes sociais e outros níveis de inserção que auxiliam a sociedade, possibilita aos turistas compreenderem que, o antigo é parte da história do lugar, e mesmo com todo o processo evolutivo do tempo presente, esse antigo, gera emprego e renda, contribui para disseminar a cultura de um povo e acima tudo, permite conectar a relação entre passado, presente e futuro.

Um dos exemplos é o próprio Rio Janeiro, a construção do Museu do Amanhã, obra arrojada e de linguagem universal contribuiu para redimensionar uma área que estava decrepita e abandonada pelo poder público e pela própria população, independente de qualquer crítica, que é salutar, houve uma mudança na paisagem. Quando os governos e a própria população abandona a sua história, tais ambientes de grande valor perdem a significação, o que dá vida ao lugar são pessoas, dinamizam e transformam os espaços.


Uma das maiores expressões da cidade de Manaus é o Teatro Amazonas, não há uma só pessoa que chegue a cidade que não tenha o interesse em conhecer o Teatro, portanto, um símbolo do lugar e da expressividade de uma época, mas quando parte dos visitantes e dos próprios moradores se deparam com o entorno, percebem fragilidades do poder público e da própria sociedade.

É comum a presença de drogaditos, bêbados, guardadores de carros e o mercado de sexo. O cenário se trabalhado através de projetos sociais poderia haver maior inclusão desses usuários segregados. Não se deve tratar os excluídos, aumentando a indiferença, mas dar o trato devido com dignidade. Os projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo são eficazes, somente se alcançarem os níveis de integração social, de nada adiante pensar na morfologia e no caráter estético, se o maior sentido que dá vida não for bem equacionado.

Os problemas do centro histórico da cidade de Manaus não são exclusivos dessa cidade, existe em quase a totalidade das cidades brasileiras, porém, evidencia a forma como a sociedade atual se relaciona com lugar, com indiferença, pois o único contato  cotidiano é através das janelas dos veículos, criando um “abismo”, fortalecendo ainda mais a segregação das ruas, dos becos e principalmente dos espaços públicos, aliás, tais espaços tem sido os que mais se modificaram no ambiente urbano brasileiro, pois do lugar do encontro, das relações entre pessoas e grupos sociais, transformou-se no ambiente que esconde o medo dos transgressores urbanos.

A vida nos centros históricos no Brasil não é fácil, o antídoto, é o diálogo institucional, pois essas áreas concentram o que há de melhor e de pior de acordo com a população, mas, para que seja um lugar com qualidade de vida para os cidadãos locais e para os turistas é preciso inverter a lógica em nosso País, “o que é antigo é velho, o que velho não serve mais”.

As boas práticas e experiências de tantos lugares devem servir como fonte inspiradora para que a sociedade não abandone o seu DNA urbano, o lócus de formação de sua história, e acima tudo, compreenda que todos nós começamos de um ponto de partida. E como diz Carlo Levi: “O futuro tem um coração antigo”.


NOTA: Como estudioso, pesquisador, arquiteto e urbanista participei de uma infinidade de eventos ao longo dos anos e um dos fatores que mais me chama atenção é como está consolidado em nossa cultura o sentimento da negatividade. A quase totalidade das apresentações em eventos evidencia uma cultura negativa, induz indiretamente a juventude, a crer firmemente que não há esperança, tudo é “terra arrasada”. Tal afirmação corrobora para acreditarmos que o amanhã é impossível e o passado não existe, daí a relação conflituosa sobre a relação com o antigo.

A direita é tosca?


 A direita não acredita em ideias e acha que intelectual é animador de festa

Luiz Felipe Pondé 

Sim, a direita é meio tosca mesmo. E não me refiro à direita horrorosa a favor da ditadura militar. Refiro-me à direita liberal, a favor da sociedade de mercado. Ela ainda acha que pensar é arroz de festa.

Alguns anos atrás escrevi uma coluna que falava de uma outra dificuldade estrutural da direita liberal no Brasil: não sabe pegar mulher. Na época, me referia a necessidade da direita liberal jovem deixar de ser chata e criar uma "direita festiva". Não saber pegar mulher é uma coisa muita séria para um homem. Saber pegar mulher é um traço adaptativo importante na história do Sapiens.

Nelson Rodrigues dizia que um homem com menos de 18 anos não devia nem dizer "bom dia" para uma mulher porque só diria besteiras.

Um jovem liberal deveria, antes de falar com uma mulher, observar como os jovens de esquerda se movem de forma competente quando se trata de pegar mulher. Sabem conversar sobre filmes, livros, sentimentos. Arriscaria dizer que mesmo liberais de mais de quarenta anos continuam bobos diante de uma mulher e acabam por falar coisas grosseiras e idiotas. Nunca se deve menosprezar a importância de saber pegar mulher quando se trata do futuro da humanidade em jogo.

Mas, há uma outra dificuldade estrutural da direita liberal: só acredita em economia e não acredita em ideias, por isso nunca investe nelas e considera um intelectual um animador de festa e jantares. Acredita mesmo que tudo pode ser comprado e aí apanha da esquerda, que tem uma visão mais abrangente do Sapiens, mesmo que a use para mentir ou criar mundos absurdos. Falta à direita um repertório humanista, por isso é meio tosca.

Isso pode parecer uma questão de detalhe, mas não é. Claro que não se trata de uma regra geral, mas, diria, se trata de um caso quase perdido. A direita liberal acha que o pragmatismo econômico é a única forma de ação que existe no homem. Aqui já aparece sua pobreza de espírito: deixa para a esquerda toda a rica reflexão acerca da humanidade e do "cuidado" para com nosso sofrimento, agonia e inseguranças. A falta de compreensão para com o sofrimento humano é uma das piores faces que a direita liberal apresenta para o mundo. E isso cria a reserva do "mercado humanista" para a esquerda.

A "mania econômica" da direita liberal a cega para o fato que muito já se produziu em matéria de reflexão sobre a humanidade ao longo dos séculos, e, com isso, condena os mais jovens às inutilidades do humanismo raso da esquerda, nascido do ressentimento.

Por isso, essa direita será sempre incapaz de enfrentar a esquerda no plano das ideias. Contará sempre com partidos fisiológicos para lidar com a inquestionável hegemonia intelectual da esquerda no país. E nunca terá interlocução no mundo da produção de conteúdo porque, exatamente, não acredita na inteligência.

No fundo, é a velha mesquinharia característica de quem vê a vida a partir do "livro-caixa da loja". Falta uma certa coragem espiritual à direita liberal, o que, reconheçamos, não falta à esquerda em geral. Não consegue entender que, se a vida é em grande parte uma cadeia produtiva sem garantia ou piedade, ela é, também, uma narrativa sobre esse sentimento asfixiante de contingência, abandono e solidão que acomete o Sapiens há milênios.

Narramos nossa vida e nossas experiências porque precisamos dessas narrativas. Na falta de certezas sobre o sentido maior das coisas, aprendemos, ao longo dos milênios, a sentar ao redor do fogo para contar histórias, experiências, medos e projetos de como superá-los.

A direita não acredita na importância das narrativas sobre a vida, sobre nossas vitórias e sobre nossas derrotas. E quando olha para esses assuntos, o faz, sempre e unicamente, com os olhos do marketing. E o pecado do marketing é sua estrutural contradição para com a ideia de autenticidade. E todos, inclusive quem trabalha com o marketing, sabe desse abismo que o separa da ânsia de verdade que nos assola desde o Paleolítico. Falta à direita liberal humildade para aprender com nossas sombras. Falta a ela reverência pelo fracasso.

Mr. Loverman strikes again


Ontem à noite, já quase indo embora do mocó, minha flor-de-lis me abraça, no estilo face-to-face, e manda um papo reto:

– Ah, amor, faz mesmo quanto tempo que nós estamos juntos nesse estica-e-puxa?...

– Sei lá, minha filha. Sempre fui muito ruim de guardar datas. Só lembro que quando te conheci você tinha 20 anos... – devolvi, com aquela cara de canalha que só um autêntico canalha é capaz de emular.

Ela respirou fundo:

– Seis anos?!... Tudo isso?!... Afeeeeee...


Eu podia ter dito:

– Pois é, meu amor, mas você continua do mesmo jeito que te conheci, parece a mesma garotinha de sempre, cada vez mais linda... yes, vamos encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris, is this love, is this love, is this love, is this love, that I'm feeling?, you are the sunshine of my life, that's why I'll always be around, you are the apple of my eye, forever you'll stay in my heart…

Mas me limitei a um burocrático:

– É... Você está ficando velha...


Ela afrouxou o abraço, começou a rir e, para desespero dos vizinhos, o riso inicial virou uma gargalhada estrepitosa, de assustar cachorros na rua.

– Porra, meu amor, mas você é muito palhaço! – avisou, recobrando o fôlego. – Deve ser por isso que te gosto tanto!

Aí, entrou no táxi “e foi embora deixando um travo de Jack Daniel’s sem gelo na minha garganta, enquanto eu procurava um velho disco de vinil do Cartola escondido na velha petisqueira de todas as minhas ternuras imemoriais” – eu poderia arrematar esse texto se fosse o poeta Diego Moraes querendo catar meninas indefesas via Facebook.


Mas não sou ele – que sempre considerei um querido irmão mais novo – e nem tenho mais idade para esses parangolés afetivo-sexuais que eram recorrentes nos meus verdes negros anos.

Seis anos com minha flor-de-lis... Pois é, carniça, ainda parece que foi ontem. Fazer o que?... So sorry, periferia!

sexta-feira, setembro 16, 2016

Sou um esquerdista desiludido, diz Verissimo


Julianna Granjeia

Em meio às denúncias do mensalão em 2005, o escritor Luis Fernando Verissimo anunciou a morte da “Velhinha de Taubaté”, um dos seus mais conhecidos personagens – a última que ainda acreditava no governo. Em conversa ontem com a coluna, após participar da Pauliceia Literária, na sede da Associação dos Advogados de São Paulo, o autor se definiu como “um esquerdista desiludido” e avisou: se estivesse viva, a “velhinha” apoiaria o governo Temer.

O senhor tem 79 anos e já passou por algumas crises da história do País. Considera essa atual mais grave que as outras?

Nós já passamos por tantas crises, suicídio do Getúlio, Jânio Quadros, cassação do Collor… Todos esses foram períodos muito conturbados, nos últimos 50 anos. Mas uma crise como esta, com posições tão arraigadas de direita e esquerda, acho que nunca tivemos.

O senhor gosta de escrever sobre política?

A gente ter que dar o testemunho sobre o que está acontecendo, comentar o que está acontecendo. Acho que todo mundo tem que ter lado e deixar claro qual é o seu. Eu preferiria escrever sobre banalidades, mas a gente quase que se obriga a escrever sobre essa situação.

E qual é seu lado?

Eu me considero um homem de esquerda, acho que houve um golpe. As novas revelações sobre o Lula são lamentáveis e vamos ver como isso se desenrola.

No que acha que vai dar esse acirramento?

É prejudicial, o ideal seria um entendimento, um congraçamento nacional. O lado bom disso tudo é que os militares não se manifestaram, não intervieram. Olhando por esse lado, a coisa está boa.

Esse radicalismo está causando uma onda de ódio…

Eu recebo muita carta desaforada. Falam para eu ir morar em Cuba, que eu deveria morar na Coreia do Norte, que sou esquerda caviar. Quando recebo uma carta com xingamento, na primeira linha vejo o que é e nem leio o resto.

Acha que temos muitas velhinhas de Taubaté atualmente?

A velhinha de Taubaté foi um comentário naquele momento do (governo do general) Figueiredo (1979-1985), o fim dos governos militares. Então, ela tinha essa função de criticar a falta de credibilidade do governo através de uma ficção, de uma figura inventada. E hoje eu não sei o que a velhinha de Taubaté diria dessa situação toda, acho que ela acreditaria em todo mundo, inclusive no Temer. E estamos cheios de velhinhas de Taubaté por aí.

O senhor é uma?

Penso que não, talvez eu tenha sido no começo do governo Lula. Eu acreditava que haveria mesmo uma mudança na política brasileira. Mas acho que hoje não sou mais, não.

Decepcionou-se com Lula?

Acho que sim, com o PT em geral. Embora entenda que o governo Lula, principalmente o primeiro mandato, foi muito importante em termos de inclusão social. Mas posso me caracterizar agora como um esquerdista desiludido.

E o que o senhor espera para o futuro do País?

É importante ver o resultado das eleições agora. Ver como todas essas questões vão repercutir no nível municipal e o que vai acontecer. Não tenho nenhuma previsão. Acho que teremos tempos difíceis nos próximos anos, é um momento confuso, o Brasil está meio sem direção. O perigo maior é de retrocesso, de todas as conquistas que nós passamos serem negadas e substituídas. Mas sou um otimista, acho que tudo se arranjará.

sábado, setembro 10, 2016

Retrato 3X4 de um sujeito 100 por cento


Conheço o Marcelo Ramos há mais de 10 anos, desde a época em que ele era Subsecretário Municipal de Esportes do prefeito Serafim Corrêa.

Nascido e criado em Manaus, Marcelo sempre foi presença constante nos meus lançamentos literários por que tem uma qualidade rara em nossos homens públicos: o carinho e o respeito pelos artistas locais.

Nossa amizade se estreitou há dois anos, quando ele foi candidato a governador pelo PSB e, pelas páginas do valoroso Maskate, do queridíssimo Miguel Mourão, demos a “little help” para divulgar sua candidatura.

Ele terminou a eleição em terceiro lugar, com quase 180 mil votos (99% dos votos – 175 mil – obtidos aqui em Manaus). Uma façanha e tanto!

O Marcelo Ramos é um exemplo acabado do tipo que dispensa apresentação por dois motivos absolutamente triviais: 1) ele é gente como a gente. 2) repetindo o poeta e escritor Tenório Telles, “quem conhece o Marcelo, vota no Marcelo, sempre. Pra qualquer coisa.”

Vou falar sobre ele o que todo mundo já sabe por que com essa desculpa – a de que todo mundo já sabe – levantam-se toneladas de poeira para empanar o brilho e soterrar a memória das pessoas, prática usual neste país que cultiva deliberadamente o esquecimento.


Homem forjado na luta pela sobrevivência desde a pré-adolescência, Marcelo Ramos é um grande e corajoso personagem da nossa história política recente e verdadeiramente inatingível por referências miúdas.

Filho do advogado Umberto Lobato Rodrigues e da professora Graça Maria, Marcelo Ramos nasceu em Manaus, no dia 29 de agosto de 1973, e passou sua infância no Conjunto Dom Pedro I. Entre as travessuras de moleque, tomou banho na Cachoeira do Tarumã, fez mergulhos na Ponta da Bolívia e empinou papagaio com linha de cerol pelos céus da Alvorada.

No dia 13 de outubro de 1985, domingo, uma tragédia particular fez seu mundo virar de ponta-cabeça. Naquele domingo, seus pais haviam levado ele e seus irmãos mais novos (Umberto, 9, Glenda, 7, e Rodrigo, 3) para um balneário na Rodovia Manaus-Itacoatiara, onde costumavam participar dos Encontros de Casais com Cristo.

Uma das diversões do balneário era o famoso “rachão” de futebol entre os homens presentes, quase todos incluídos na categoria de “atletas-de-fim-semana”. Seu Umberto era um deles.

Quando a partida terminou, por volta do meio-dia, seu Umberto chamou o filho mais velho e avisou: “Chama a tua mãe, que estou passando mal...”

Foi a última vez que os dois se falaram. Seu Umberto faleceu a caminho do hospital, vitimado por um infarto do miocárdio. Marcelo Ramos havia ficado órfão de pai aos 12 anos de idade.

Dona Graça ficou com a incumbência de sustentar os filhos trabalhando em regime integral, de manhã e de tarde. Involuntariamente transformado no “homem da casa”, Marcelo Ramos ficou com a responsabilidade pela criação dos irmãos mais novos.

Era ele que levava os irmãos pela mão e trazia de volta da escola, fiscalizava os boletins de notas e auxiliava a destrinchar as tarefas de casa de cada um deles. Simultaneamente, também tinha de se preocupar com o próprio estudo.

Traumatizada com a morte prematura do marido, Dona Graça resolveu alugar a casa própria que possuía no Conjunto Dom Pedro I e se mudou com as crianças para a casa da sua mãe, no bairro da Aparecida.

Algum tempo depois, se mudou novamente, dessa vez para a Rua Dez de Julho, e deu início à sua peregrinação cigana pelos bairros da cidade. Marcelo Ramos calcula que, em dez anos, eles moraram em pelo menos dez endereços diferentes.


Aos 22 anos, Marcelo se formou em Direito, na Ufam, começou a trabalhar como estagiário em um escritório de advocacia e ensinou o caminho das pedras para seus irmãos, todos eles formados em Direito: Umberto é delegado da Polícia Federal, Glenda é funcionária concursada do TCE e Rodrigo trabalha em um escritório de advocacia.

Uma de suas grandes conquistas como advogado trabalhista foi garantir o adicional de 30% de risco de vida e periculosidade para a categoria dos vigilantes de Manaus.

Marcelo Ramos iniciou sua vida política ocupando a presidência do grêmio estudantil do seu colégio secundarista e, posteriormente, foi presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito.

Em 2004, foi candidato a vereador de Manaus, alcançando a primeira suplência.

No ano seguinte foi nomeado Subsecretário Municipal de Esportes de Manaus e, em 2006, ocupou o cargo de Chefe de Gabinete do Ministério do Esporte.

Em março de 2007, Marcelo assumiu, pela primeira vez, o mandato de vereador na Câmara Municipal de Manaus, tornando-se também presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

Dois meses depois, tornou-se presidente do Instituto Municipal de Transportes Urbanos (IMTU) e fez uma coisa que até hoje nenhum prefeito teve coragem de fazer: enfrentou a máfia dos empresários de táxi, que controlam dezenas de placas em nomes de “laranjas” e alugam as mesmas para os verdadeiros profissionais.

Apesar de muito choro e ranger de dentes dos conhecidos “tubarões”, Marcelo licitou 127 placas de táxis, que saíram das mãos de empresários e passaram para as mãos de taxistas.

Ele também foi responsável pela implantação da “domingueira”, em que a passagem dos ônibus aos domingos custava apenas R$ 1, e da “integração temporal” em que o usuário pode trocar de ônibus, sem pagar uma nova passagem, fora de um terminal de integração, desde que se passe na catraca do ônibus seguinte dentro de um determinado período de tempo.


Em abril de 2008, reassume o cargo de vereador, sendo reeleito no mesmo ano. Foi um dos vereadores mais atuantes daquela legislatura: conseguiu aprovar a criação da data-base de professores e servidores da saúde, garantindo assim a reposição salarial anual dos mesmos, e a lei que garante 30 minutos de estacionamento grátis nos shoppings de Manaus.

Com ações na justiça, conseguiu derrubar a Taxa do Lixo, criada pelo prefeito Amazonino Mendes, evitando que o manauara pagasse mais esse tributo, e também a reintegração de 300 garis demitidos pelo prefeito em represália ao fim da taxa.

Em outubro de 2010, se elege deputado estadual com quase 19 mil votos. Na Assembleia Legislativa, atuou como presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana.

Entre outras iniciativas, ele aprovou a lei que obriga todos os hospitais da cidade a realizarem o Teste do Coraçãozinho nos recém-nascidos e, com ações na justiça, a redução do ICMS da gasolina e do ICMS da internet.

Em 2014, Marcelo Ramos abriu mão de uma reeleição tranquila de deputado estadual para concorrer ao governo do Estado do Amazonas. Foi o terceiro candidato mais votado com 179.758 votos (90% deles em Manaus).

Atualmente exercendo o cargo de professor universitário de Direito Constitucional, Marcelo Ramos também é escritor já tendo publicado quatro livros: “Nossa Luta Diária”, “Velho Baú”, “Coragem” e “Conversas com Meu Pai”.


Ele é absolutamente sincero na motivação que o levou a ser candidato a Prefeito de Manaus.

“Estamos em 2016, mas ainda sendo governados por um prefeito de 1989, que tem a cabeça em 1896, na época da borracha. Ele não é uma pessoa desse tempo, é um gestor público de um tempo que já passou, um político do século passado. Tem suas qualidades, cumpriu um papel efetivo na história, mas isso tudo já passou. Precisamos de uma prefeitura moderna e é hora de uma nova geração assumir o protagonismo da política em Manaus. Eu e meu vice Josué Neto somos políticos desse novo tempo”, explica.

Casado com Juliana e pai de três filhos (Gabriel, Marcela e José Umberto), Marcelo Ramos é um exemplo bem acabado do cavaleiro de fina estampa quase em extinção nesse novo milênio: sempre bem humorado, divide com a esposa os afazeres domésticos, participa ativamente da criação dos filhos, lê apaixonadamente sobre diversos assuntos e, coisa rara em um político, não esconde suas emoções.

Ele é capaz de ir às lágrimas ouvindo o relato de uma mulher gestante que teve a bolsa estourada dentro de um ônibus quando se dirigia sozinha a uma maternidade e de ficar indignado com a queixa de um ancião que depois de ficar uma madrugada inteira ao relento para conseguir uma senha de atendimento numa UBS não foi atendido porque sua rua “estava fora da área de cobertura da unidade”. 

– Isso é uma palhaçada! – vociferou, ao ouvir o relato. “Quem fica fora de área de cobertura é telefone celular, não uma pessoa que está precisando de cuidados médicos!”

O descaso pelas pessoas mais humildes, o distanciamento do poder público em relação aos cidadãos de classe média, a escolha deliberada em dividir a cidade entre ricos e pobres – com a minoria rica recebendo as benesses da Prefeitura em detrimento da maioria pobre que vive na periferia – serviram de catalisador para que Marcelo Ramos se lançasse candidato a prefeito de Manaus.

Como deixar de votar num sujeito desse?!


No dia 2, vou de 22.