quinta-feira, outubro 30, 2008

Neil Young cancela show em Los Angeles devido a manifestação


O músico Neil Young cancelou um show em Los Angeles, agendado para esta quinta-feira (30), em respeito a uma manifestação planejada por um sindicato, disseram representantes do roqueiro. O show aconteceria no Forum de Los Angeles, uma arena coberta onde funcionários enfrentam uma batalha contratual com a igreja dona do local.

Já que Young e sua mulher, Pegi, se tornaram membros honorários do sindicato de Trabalhadores de Palcos Artísticos, ele decidiu cancelar o show em vez de tentar romper o piquete. "Estou muito desapontado por ter de escolher entre satisfazer meus fãs ou os meus irmãos e irmãs do sindicato", disse Young em um comunicado divulgado na quarta-feira.

A apresentação será remarcada em 2009, e quem comprou os ingressos poderá receber o dinheiro de volta nos pontos de venda, segundo o comunicado.

O cantor e compositor canadense é bastante engajado politicamente. Atualmente, ele faz uma turnê pela América do Norte, a qual incluiu dois shows para arrecadar fundos para a escola Bridge, que ensina crianças deficientes. Ele também está se preparando para o lançamento de uma antologia ao vivo, "Sugar Mountain: Live at Canterbury House 1968".

O disco chega às lojas no dia 25 de novembro.

Musa do Maskate (3): Pamela Space


Não sei onde o Miguel Mourão descobre essas gatas, mas que ele tem bom gosto, isso tem.

Musa do Maskate (2): Elizabeth Ive


Não sei onde o Miguel Mourão descobre essas gatas, mas que ele tem bom gosto, isso tem.

Musa do Maskate (1): Adriana Safari


Não sei onde o Miguel Mourão descobre essas gatas, mas que ele tem bom gosto, isso tem.

AC/DC ressurge com novo álbum e turnê mundial


LOS ANGELES (EUA) - A banda AC/DC lidera as paradas pop em todo o mundo com o primeiro álbum depois de oito anos longe dos estúdios, intitulado "Black ice", que já vendeu mais de 780 mil cópias nos Estados Unidos na primeira semana de lançamento exclusivamente pela rede de lojas Wal-Mart.

É parece que seus fãs jamais se cansam do guitarrista de meia-idade usando trajes colegiais, Angus, aos 53 anos de idade e do cantor de voz rouca. E eles parecem menos cansados ainda. Nem a força da gravidade os impede de enfrentar, como nos primeiros anos, a estrada numa turnê mundial. O disco, que saiu pela Columbia Records, teve a segunda maior abertura do ano, perdendo apenas para o milhão de cópias vendidas de "Tha Carter III", do rapper Lil Wayne, em junho. E passou a frente de bandas consagradas do rock, como Coldplay e Metallica.

Apenas uma outra vez, o AC/DC (que tem 15 discos de estúdio lançados em 33 anos) liderou as paradas de sucesso nos EUA antes. Foi em 1981, com "For those about to rock we salute you", em que a faixa-título tem o reforço de canhões "ao vivo". O grupo também chegou ao topo do ranking, com este novo álbum, em outros 28 países, incluindo a Inglaterra, a Austrália, o Canadá, a França, a Alemanha, o Japão e a Argentina. Foram distribuídas mais de 5 milhões de cópias em todo o mundo, e, de acordo com sua porta-voz, o grupo, espera vender outros 5 milhões de unidades de discos de catálogo ainda este ano.

Para o biógrafo da banda, Arnaud Durieux, que co-escreveu o livro "AC/DC: Maximum Rock & Roll" e mantém o site de fãs ac-dc.net, a banda é "uma marca comprovada". Ele comentou: "A grande mídia, que nos últimos 28 anos praticamente ignorou a banda, despertou outra vez, e agora a banda voltou a ser vista como cool".

terça-feira, outubro 28, 2008

Editoras relançam a poesia e o pensamento de Ana C.


Roberta Pennafort (AE)

Depois da morte de Ana Cristina Cesar, há 25 anos, sua poesia e seus pensamentos vêm sendo relançados pelas editoras Ática e Aeroplano, em parceria com o Instituto Moreira Salles (IMS), detentor de seu acervo. É uma forma de fazer com que a poeta, que é considerada ícone da chamada poesia marginal dos anos 70, chegue às novas gerações de leitores, diz o poeta Armando Freitas Filho, seu amigo e admirador.

Hoje, ele e outros que conviveram com ela se reúnem no IMS do Rio para lembrar sua obra e sua (breve) vida (Ana C. se suicidou em 29 de outubro de 1983, quatro meses depois de completar 31 anos, jogando-se pela janela do apartamento dos pais). Para as 19h30, está programada uma conversa em torno da poeta, entre Freitas Filho, Clara Alvim e Viviana Bosi. Clara, professora dela no curso de Letras na PUC do Rio, foi quem a "descobriu", no início da década de 70; Viviana é professora do Departamento de Teoria Literária da Faculdade de Letras da USP e organizou "Antigos e soltos", livro que será lançado na ocasião.

A publicação, bem alentada, reproduz, em fac-símile, quase todo o conteúdo da chamada "pasta rosa" de Ana C., encontrada por sua família alguns anos após sua morte, dentro de uma mala de roupas. São textos que ela guardou por muitos anos, sem destiná-los à publicação, e que dizem muito sobre sua personalidade - estão divididos em sete categorias, entre elas, "prontos mas rejeitados", "inacabados", "primeiras versões" e "o livro".

Vão desde redações que escreveu na época de escola, com elogios da professora, a textos de pouco antes do suicídio, passando por anotações em guardanapos e papeizinhos, lembretes para si mesma, manuscritos diversos, poemas reescritos duas ou três vezes, frases soltas - algumas, arrepiantes, como esta: "Estaria eu à beira de me acometer no infinito?"

Todo o material, em parte, textos bem acabados (além de muitos rabiscos), foi catalogado por Manoela Daudt de Oliveira. Freitas Filho, que já organizou os livros póstumos de Ana C. "Inéditos e dispersos" (1985) - cujo conteúdo foi extraído também de papéis deixados por ela, mas que estavam fora da pasta - "Escritos da Inglaterra" (1988), "Escritos no Rio" (1993) e "Correspondência incompleta" (1999), este com Heloisa Buarque de Hollanda (a propósito, a primeira a publicar apoeta, incluída por ela na antologia 26 "Poetas hoje", de 1976), considerou que era hora de deixar a obra à luz de "um novo olhar".

"Achei importante que uma geração mais nova entrasse em contato com esse material vivo e inédito de Ana", diz Freitas Filho, que a conheceu em 73, por intermédio de Clara e Heloisa, se tornou seu amigo íntimo e foi a última pessoa a falar com ela antes de sua "morte espetacularmente trágica" - um assunto sobre o qual ele não se sente à vontade para falar. O acervo com os originais da autora de "A teus pés", que tem Freitas Filho como curador, foi doado ao IMS por sua família. É, hoje, o mais consultado do centro cultural do Rio, segundo Liliana Giusti Serra, coordenadora das bibliotecas do instituto. O que mostra que, passados 25 anos de seu desaparecimento, ela segue despertando paixões. A maior parte dos que procuram é estudante.

"O modo como ela lida com a escrita leva em conta quem está lendo. Parece que ela está falando com você, então instiga o leitor", aponta Freitas Filho. "É como se ela estivesse entreabrindo a porta para a gente. Por outro lado, isso não é nunca explicitado; é preciso fazer um esforço interpretativo", diz Viviana, que, durante suas aulas sobre poesia dos anos 60 e 70, percebe entre seus alunos um interesse todo especial por Ana C. "A poesia dela tem humor, mistério, imagens originais."

A homenagem vai deixar de lado as circunstâncias da morte da poeta. "Quando começaram a aparecer estudos sobre Ana C., a morbidez do acontecimento biográfico era muito presente. Hoje, as pessoas que não viveram a época dela estão mais isentas disso. Já eu não posso nunca dizer que estou isento, porque a morte dela faz parte da minha vida", diz Freitas Filho, engajado na divulgação da obra da amiga.

Ana C. nasceu em 1952 e morou no Rio, em Niterói e no exterior. Ficou conhecida pela poesia confessional, tendo sido projetada por "A teus pés", lançado em 82. Além de escrever seus poemas, atuou como tradutora (verteu para o português Sylvia Plath e Emily Dickinson), publicou em jornais e trabalhou na televisão.

Os macacos do Ártico precisam descongelar


Zeca Miranda

Lembra de "Cinema Paradiso"? Quem gostou do filme, possivelmente, já teve o sonho de ser, pelo menos por um dia, projecionista como o personagem do velho carrancudo da história. Graças à internet, esse sonho pode se tornar possível. É mais ou menos esta a idéia do site MovieMobz: tornar cada um num programador. Trata-se de uma comunidade virtual que dispõe de mais de uma centena de títulos, onde o internauta escolhe o que deseja assistir e mobiliza os amigos.

Caso reúna um grande número de pessoas, é só escolher a sala de cinema mais perto de casa. O site possui convênio com 159 salas, em 18 cidades do Brasil. Já se você não viu "Cinema Paradiso", aconselho a se cadastrar no site e tentar mobilizar os amigos para uma sessão dessa obra obrigatória para apreciadores da sétima arte.

Foi numa dessas sessões mobilizadas que o Cine Odeon recebeu 500 jovens para a exibição "Arctic Monkeys at the Apollo", no último dia 14. A próxima exibição acontecerá simultaneamente hoje, às 21h, nos cinemas de São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Vitória, Brasília, Belém, Natal, Campinas, Jundiaí, Santos, São Vicente, Taubaté, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Belo Horizonte, Recife e novamente no Rio (Cinemark Downtown, sala 4), além de salas de exibição na Alemanha, Holanda e Japão.

O filme-concerto é o registro do último show da turnê do segundo disco da banda, "Favourite worst nightmare", na famosa casa de Manchester, na Inglaterra. A turnê é a mesma que passou pelo Brasil durante o TIM Festival do ano passado. Por meio desse registro é possível perceber que não foi um infortúnio do público brasileiro a apresentação fria e distante da banda na sua passagem pelo País. Para quem conferiu os shows aqui, o filme é a captação perfeita do que foi visto, ou seja do que eles são no palco.

Mesmo com todos os hits presentes ("I bet you look good on the dance floor", "When the sun goes down", "Fluorescent adolescent'", "A certain romance" - a melhor da banda) e os músicos sendo diretos no palco - sem grandes efeitos - falta alguma coisa para o quarteto liderado pelo talentoso vocalista e guitarrista Alex Turner empolgar. As guitarras basicamente distorcidas e as batidas aceleradas não são suficientes.

Nesse sentido, dois fatores chamaram atenção. A primeira foi que durante a sessão do Odeon, alguns fãs mais fervorosos até tentavam embalar junto com a banda, porém logo arrefeciam - parte disso também é por causa do som ruim da sala. A segundo é em relação ao próprio filme. Em nenhum momento, o diretor Richard Ayoade coloca uma câmera na platéia, tampouco insere trechos da audiência, que só aparece de fundo em alguns takes da banda. Isso dá uma sensação ainda mais gélida à apresentação dos garotos ingleses.

Eles até tentam transpor alguma energia durante o show, tocando com força e emendando as músicas sem muita conversa com o público. Por[em, nem assim conseguem arrancar. A impressão que passa é de que o Arctic Monkeys tem um carro potente na mão, mas não consegue completar a corrida. Talvez agora, que eles estão sendo produzidos por Josh Homme, líder do Queens of Stone Age, o cara que melhor soube traduzir o rock para o século XXI, não consigam imprimir o vigor que falta ao seu som.

Já o registro como filme em si - além do problema já citado da falta do público - não passa de uma captura competente e bem feita de um show. Richard Ayoade não procura inovar em nenhum momento - bem como o som da banda. No máximo, ele insere cenas íntimas da banda fora do palco, capturadas em super 8 pelos próprio integrantes. Na última canção, "If were there, beware", Richard sobrepõe algumas imagens numa rotação mais lenta, para depois voltar à velocidade normal proporcionando um (re)encontro de som e imagem.

"Arctic Monkeys at the Apollo" continuará deixando os fãs da banda, geralmente jovens, alucinados. Já o resto do público permanecerá se perguntando se os macacos do ártico valem a pena.

Joss Stone doa música para campanha beneficente


A cantora britânica Joss Stone lançou a música Love Has Made You Beautiful em um evento beneficente realizado nesta quarta-feira em Londres, na Inglaterra, no Hard Rock Café.

A canção gravada pela cantora, que teve seus direitos doados para a campanha, estará em um CD parte do projeto chamado Imagine There's No Hunger, que busca arrecadar dinheiro na luta contra fome e pobreza.

Além da música cedida por Joss Stone, canções de John Lennon , Bruce Springsteen, Avril Lavigne, My Morning Jacket e outros, também estarão nesta compilação, que será vendida em CD e também em formato digital.

Confira as faixas do CD:

1. Bruce Springsteen - "Remember When The Music"
2. Joss Stone - "Love Has Made You Beautiful"
3. My Morning Jacket - "Look At You"
4. Avril Lavigne - "When You're Gone"
5. Robert Randolph & The Family Band - "Diane
6.The Charlatans - "Complete Control"
7.Ryan Shaw - "People Get Ready"
8. Marc Broussard - "Keep Coming Back"
9. Starsailor - "Military Madness"
10.Micki Free - "Mother Earth"
11. DMC - "I Be Rockin' It"
12. The Chapin Sisters - "I Know It's Over"
13. John Lennon - "Give Peace A Chance"

Morre, aos 74 anos, o tecladista Merl Saunders


O tecladista Merl Saunders, que durante muito tempo trabalhou com Jerry Garcia - os dois aí na foto - e o Grateful Dead, morreu aos 74 anos, devido a complicações derivadas de um derrame sofrido há seis anos, informou a família, que prestou uma homenagem ao músico de jazz e rock, cujo instrumento favorito era um órgão Hammond B.

A notícia foi divulgada pela família em comunicado no site do tecladista, no qual dizia que todos estavam muito tristes pela perda e agradecendo as manifestações de pesar dos fãs.

"Merl Saunders defendeu o amor e a música - seu sorriso comunicava isso", disse o comunicado, emitido ontem. "Ele era um homem especial, uma bela companhia, pai, avô e patriarca, e a prova deste espírito está na maneira que como recorreu a nós durante a sua passagem". Seus familiares informaram ainda que o funeral ocorrerá nesta quarta-feira, na cidade de São Francisco.

Saunders fez parte da banda de colégio de Johnny Mathis e gravou com uma série de músicos importantes, incluindo Miles Davis e B.B King. Segundo o MySpace do músico, no ano de 2000, ele foi o primeiro vencedor de um prêmio em homenagem ao ativismo ambiental feito por ele ao longo de sua vida, concedido por um grupo ambientalista da Flórida.

Amy é internada por problemas respiratórios


LONDRES - O fenômeno britânico Amy Winehouse teve que ser novamente internada no último fim de semana, em um centro médico de Londres mais uma vez por problemas respiratórios, de acordo com o tablóide "Daily Mirror".

A premiada cantora, de 25 anos e conhecida por seus problemas com álcool e outras drogas, se sentiu mal no sábado, sendo levada às pressas à London Clinic, no Centro, em que teve de enfrentar uma bateria de exames por precaução. Foi lá que ela entrou a primeira vez para se desintoxicar,

Um porta-voz da artista citado pelo jornal negou que este atendimento hospitalar signifique que ela tenha reiniciado tratamento de desintoxicação, como wm outras vezes. "Amy está no hospital sendo submetida a provas por uma infecção de peito. Não voltou a tratamento", acrescentou o porta-voz, que disse ainda que espera que Amy retorne para casa dentro de alguns dias.

Com planos de passar o réveillon no Forte de Copacabana, antes de cumprir uma agenda de shows, aqui e em São Paulo, Amy realmente tem de levar mais a sério sua recuperação ou está arriscada a não ver Ano Novo algum.

A enxurrada de discos que vendeu mundo afora, a partir da conquista de cinco Grammy com "Back to black" - o maior prêmio da indústria fonográfica mundial - e do sucesso também alavancado pela vida de Rê Bordosa que leva, chegou ao mercado a sua biografia, escrita por Chas Newkey-Burden. Um prato cheio para quem tem necessidade de saciar sua curiosidade sobre a desgraça do ser humano.

"Amy Winehouse - Biografia" (lançada aqui pela Ediouro) , como se poderia prever, está cheia de histórias sobre a quantidade voraz de escândalos da cantora, envolvendo bebedeira, overdoses de drogas, shows interrompidos, brigas e tentativas de reconciliação ruidosas com o marido Blake Fielder-Civil, que está em cana. Em grande parte é disso que trata o livro, que foi traduzido por Helena Londres.

Como na mídia, o supertalento da cantora e compositora - sem dúvida a figura feminina mais importante da música pop desta década - foi deixado em segundo plano. Acabou perdendo no livro para a lavação de roupa suja, pela torrencial quantidade de confusões em que ela se mete. De imediato, com tão pouco tempo de (fulminante) carreira artística, não poderia ser muito diferente, uma vez que vida e obra de Amy se confundem.

Fofocalhada

O autor entrevistou o pai e a mãe da cantora, alguns jornalistas, pessoas do show biz e outras ligadas à ela, mas a biografia em grande parte reproduz notícias dos tablóides, compila frases de reportagens de jornais mais sérios, enumera suas premiações e conta como armou o estiloso cabelão. Para quem gosta de fofoca das mais venenosas, há farto material pontuando a agonia das overdoses de Amy e o sofrimento pela separação do marido.

Entre as melhores partes há uma que detalha com bons comentários faixa por faixa os dois álbuns da cantora. Outros trechos interessantes em que a música é o centro da questão, fala-se de suas influências do jazz, dos shows bem-sucedidos, da conquista da América e as críticas favoráveis a suas atuações no palco e em gravações.

Um dos entrevistados que saem em sua defesa é a jornalista britânica Julie Burchill, que a compara a Edith Piaf (1915-1963), Judy Garland (1922-1969) e Billie Holiday (1915-1959), mulheres históricas, divindades da canção planetária, com "grande talento para cantar" e "também uma grande capacidade para adotar um comportamento temerário".

segunda-feira, outubro 27, 2008

Uma garota da pesada



Ubiratan Brasil (AE)

SÃO PAULO - A mulher que hoje exibe com orgulho sua gravidez na praia, que freqüenta bares e botecos sem restrições, que pode soltar palavrões em conversas animadas sem causar espanto, a mulher que, enfim, goza de plena liberdade deveria acender uma vela por noite para Leila Diniz. O conselho é do escritor e jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, autor da biografia "Leila Diniz - Uma revolução na praia" (280 páginas, R$ 39), que a Companhia das Letras acaba de enviar para as livrarias.

Musa da revolução social dos anos 1960, a atriz não precisou levantar bandeira nem queimar peças íntimas para chacoalhar o conservadorismo da época - bastou ser ela mesma. E, se desfrutou bem a vida, também pagou caro por isso. Ao dizer abertamente, com todas as palavras e palavrões, o que a maioria só afirmava às escondidas, Leila, que praticava a liberdade sexual em uma sociedade nada tolerante, despertava amor e ódio.

É o perfil dessa mulher que toma contorno a cada página lida (em alguns momentos, devorada) de Leila Diniz. Esqueça, no entanto, aquele relato minucioso, em que cada gesto, cada suspiro, até mesmo o pensamento mais íntimo do biografado é revelado - Ferreira dos Santos dedicou-se durante dois anos e meio a pesquisas e entrevistas, buscando entender a modernidade trazida espontaneamente pela atriz, mas, como bom repórter, privilegiou o retrato da alma.

"Conversei com praticamente todas as pessoas que tiveram algum contato com Leila", conta o jornalista que, no início da carreira, chegou a entrevistá-la, o que ajudou a reconstituir com segurança a forma com que a atriz se expressava entre os amigos. Segundo ele, uma fonte valiosa são os diversos diários escritos por Leila, hoje bem guardados pela amiga Marieta Severo. "Diversas editoras já fizeram ofertas para publicar o material, mas Janaína, filha da Leila, ainda resiste em aceitar pois considera muito íntimo o teor dos escritos."

Mas o despojamento com que Leila Diniz desfrutou seus 27 anos, vida tragicamente interrompida por um acidente de avião na Índia, em 1972, permitiu com que Ferreira dos Santos entendesse o que representaram os efeitos do furacão Leila, artífice de uma mudança radical no comportamento das mulheres que hoje vivem melhor.

Vocação para a revolução - Com um sorriso estonteante e capaz de gestos impensáveis, como posar grávida de biquíni, Leila Diniz era a estrela com vocação para revolução. "O curioso é que ela não se preocupava com isso", garante Ferreira dos Santos. "Leila queria apenas que cada um vivesse bem e não fosse cobrado por ser revolucionário ou careta."

É essa vontade desbragada de viver que os amigos guardam como melhor recordação. Maior até que sua carreira artística. Leila teve uma boa passagem pelo cinema (14 filmes entre 1966 e 1972), que não impediu, porém, que se afirmasse como grande atriz. Veio do teatro rebolado, participou de telenovelas ("Ilusões perdidas" e "O sheik de Agadir") até começar no cinema com pequenas participações em "O mundo alegre de Helô" (1966), de Carlos Souza Barros, e em um dos contos de "Jogo perigoso" (1967), de Luiz Alcoriza, chamado "Divertimento", todas pontas insignificantes.

Sua consagração ocorreu mesmo com "Todas as mulheres do mundo". Dirigido por Domingos Oliveira (um dos diversos homens de sua vida) em 1966, o filme é uma comédia de costumes sobre as aventuras de um rapaz (Paulo José), que paquera as belas mulheres das praias cariocas. Na contramão do cinema brasileiro de então, marcado por produções engajadas, "Todas as mulheres do mundo" revelava uma nova forma de amar e, principalmente, uma nova mulher. "Já nessa época, Leila era diferente ao encarar o relacionamento amoroso", conta Ferreira dos Santos. "Ela não queria o homem como antagonista, mas como companheiro. Não um oponente, mas um parceiro."

Ao entrevistar as pessoas que conviveram com Leila, o biógrafo descobriu detalhes saborosos e pouco conhecidos. Foi com o cantor Sérgio Ricardo, por exemplo, que ela teve sua primeira relação sexual. E a famosa foto em que Leila ostentava orgulhosa sua barriga arredondada, grávida de cinco meses (algo tão ousado que mereceu um espaço minúsculo na revista "Cláudia", que publicava uma matéria com ela), foi sugestão da própria. "Leila exibia uma naturalidade muito grande em relação ao corpo, que encarava sem moralismo", diz Ferreira dos Santos.

Uma facilidade também ao falar, comprovada pela famosa entrevista ao "Pasquim", em 1969. Novamente, uma quebra de barreira: foi a primeira vez em que uma conversa foi publicada de forma literal, ou seja, com todos os comentários e palavrões. Assim, é possível imaginar olhos arregalados lendo frases como "Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra" ou "Eu só tive um homem negro. E não vou comparar meus homens porque é sacanagem".

Um prato cheio para o regime militar, que resolveu intimar a atriz, promovendo uma história espetacular. Leila era jurada do programa de Flávio Cavalcanti, apresentador conhecido por ser conservador até a medula. Mas, ao perceber que dois policiais estavam no auditório para entregar uma intimação à estrela, ele armou um plano genial. Com o programa no ar, Cavalcanti permitiu que Leila saísse do palco para ir ao banheiro. Nos bastidores, ela entrou em um carro e rumou para Petrópolis, onde vivia o apresentador. "Hitchcock assinaria a cena com orgulho", diz o biógrafo.

Apesar da má fama, Leila tinha sentimentos maternos e amou a filha Janaína até seu último segundo de vida, registrado no diário encontrado nos destroços do avião, na Índia. "As saudades de Janaína são muitas", escreveu ela, cujas derradeiras palavras são arrepiantes. "Estamos chegando em Nova Déli. Segundo anunciam, a temperatura local é quase a do inferno. Quente paca. Agora está acontecendo uma coisa es..."

Leila, por ela mesma

. "É difícil ser fiel. O homem não é fiel. Uma mulher deve ser? As mulheres ainda não estão preparadas para essa experiência e para essa igualdade entre o homem e a mulher".

. "Talvez eu seja no fundo a mais ingênua das criaturas, a mais cristã e ideológica que se possa imaginar. Esperava do mundo uma sinceridade e uma honestidade clara e simples como a que eu pretendia e pretendo lhe dar, mas vi que não era bem assim e fiquei um pouco confusa, daí, por isso, minha forma de dar e de receber tenha se modificado um pouco".

. "Quando se está livre de toda a capa de educação, de `boa educação', de `direitinho', das normas, dos preconceitos e tudo o que é ensinado pra gente, se pode ter uma visão de vida e de mundo, uma maneira de viver muito mais livre e divertida. Muito mais aberta".

Leila, por seus amigos
. "Eu queria filmá-la nua, venerar a deusa, mostrar ao mundo o deslumbramento que sua alma e seu corpo tinham me causado" (Domingos Oliveira, sobre "Todas as mulheres do mundo)

"Não cabiam duas mulheres numa mesa em que a Leila estivesse. Ela fazia um gênero em que acreditava muito, sempre animada, da mulher que não sofria, que levava a vida brincando. Armava um pedestal, subia nele e ficava." (Danuza Leão)

. "Moça que sem discurso nem requerimento soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão."(Carlos Drummond de Andrade)

. "Fiquei pensando nos significados da existência de uma mulher tão feminina, de seios tão oferecidos, de alma tão disponível, mulher respeitável, desfrutável, uma musa, um enigma." (Ana Miranda)

. "Ao exibir na praia sua barriga grávida, Leila demonstrou que a maternidade sem o casamento não era vivida como um estigma a ser escondido, mas como uma escolha livre e consciente." (Miriam Goldenberg)

. "Leila ganhou importância sobretudo como pessoa humana. Desabusada, alegre, ela teve coragem de assumir em público sua independência de mulher e sua qualidade de mãe solteira." (Rubem Braga)

quinta-feira, outubro 23, 2008

Nokia Trends terá N.A.S.A. e Bomb the Bass em SP


Danilo Fantinel

O Nokia Trends anunciou ontem duas atrações de seu line-up, que ainda está sendo elaborado. O projeto brazuca-norte-americano N.A.S.A. (North Amercia South America) e os ingleses do Bomb the Bass - essa turma aí na foto - tocam dia 29 de novembro, no Cine Marrocos, em São Paulo.

N.A.S.A. foi concebido pelo duo DJ Zegon (Brasil) e Squeak E. Clean (EUA), irmão do cineasta Spike Jonze, e tem entre seus colaboradores nada menos do que George Clinton, Tom Waits, Kanye West, John Frusciante, Lovefoxx (CSS), Karen O (Yeah, Yeah, Yeahs), M.I.A., Santogold, Spank Rock, David Byrne (Talking Heads), Nina Persson (Cardigans), Seu Jorge, entre outros.

Todos participaram da composição do álbum The Spirit of Apollo, que terá 17 faixas e será lançado em 17 de fevereiro de 2009 pelo selo Anti.

Já o Bomb the Bass é uma banda ícone da cena eletrônica. No fim dos anos 80, eles já misturavam hip hop com as batidas sintéticas das pistas inglesas, abrindo assim (ao lados de outros músicos da época) a cena acid house, que estourou no eixo Londres-Ibiza, em 1989, desembocou na popularização das raves nos anos 90 e no circo eletrônico mainstream patético dos anos 2000 - leia-se pitboys agressivos e patis fazidas lotados de drogas até o pescoço achando que entendem a cena...

No Brasil, eles apresentarão o novo disco, Future Chaos, que surge após 14 anos de hiato. E deverão tocar os hinos Beat Dis e Don’t make me wait, do clássico Into the Dragon (1988).

Para compor Future Chaos, o DJ e produtor Tim Simenon contou com a participação de Paul Conboy (Corker Conboy e A.P.E.), Mark Lanegan (ex-Screaming Trees e Queens Of The Stone Age), Jon Spencer (Blues Explosion) e Richard Thair (Toob).

Bomb the Bass era algo que eu ouvia muito nos anos 80, junto com M.A.R.R.S. (óóóóótimo! quem pode esquecer Pump Up the Volume?), Fat Boys (hip hoppers obesos que era meio palhaçada, mas era legal - eu tinha o K7) e Harry (uma banda inglesa - acho - obscura do final dos anos 80 que já misturava rock com elementos eletrônicos; não achei material deles no youtube...)

Pânico na tevê





Eis então que a Mulher Samambaia foi a uma praia de nudismo fazer uma reportagem sobre o estilo de vida dos peladões que por lá transitavam. Ela e o Christian Pior, mas a presença dele é fato irrelevante.

O importante foi mesmo a hora em que a Mulher Samambaia ficou peladona na praia de nudismo, mostrando que ainda dá um bom caldo! É claro que, graças a Jesus e sua abençoada tecnologia, tinha um malandrilson com uma câmera na mão. Arrebentou!

APÓS A ELEIÇÃO, VÁ COMEMORAR O SEU VOTO NA RODA DE SAMBA


O projeto “Samba Novo” é uma das poucas rodas de samba com poesia no Rio de Janeiro. Por lá já passaram os poetas Sergio Natureza, Salgado Maranhão, Paulo César Feital, Cristiano Menezes e Mano Melo.

O poeta convidado deste domingo será Euclides Amaral, que além das performances poétikas, estará autografando o livro “Alguns Aspectos da MPB”, com oito ensaios sobre alguns gêneros e movimentos da MPB, entre os quais SAMBA, CHORO, HIP-HOP e FUNK.

Para este domingo a roda de samba também conta com as participações especiais de Arlindo Cruz e Rildo Hora, ambos titulares natos do primeiro time do samba e da MPB.

A outra participação especial será do cantor e compositor Moyses Marques, revelação como cantor, que nos traz um sincopado diferente na forma de interpretar sambas clássicos e novos, mantendo assim a cara da roda, que tem a proposta de levar ao público sambas novos, por isso o nome SAMBA NOVO, com acompanhamento do grupo BATUQUE NOVO.


“Samba Novo”, de Cláudio Jorge, no Renascença Clube, Rua Barão de São Francisco, 54, Andaraí - das 14 às 20 horas – Rio de Janeiro (RJ)

Guns libera tracklisting de Chinese Democracy


A lista de músicas de Chinese Democracy foi anunciada ontem. O novo álbum do Guns N’ Roses chegará às lojas dos Estados Unidos no dia 23 de novembro. No Reino Unido, o lançamento rola no dia 24.

Fala-se que o disco consumiu US$ 13 milhões e 14 anos para ser produzido por Axl Rose. O álbum virou piada e, depois, lenda urbana. Vazou na rede, todo mundo escutou o material, virou caso de polícia (há poucos dias, o blogueiro acusado de vazar nove faixas se declarou inocente de violar direitos autorais), entrou em negociatas para lançamento e, agora, parece que vai sair mesmo.

Ontem, a Radio 1 da BBC fez o lançamento oficial da faixa Chinese Democracy. Hoje, o site GigWise disse que o álbum terá três formatos: CD com 14 faixas (lista abaixo), download digital e vinil.

O tracklisting é:

Chinese Democracy
Scraped
Shackler's Revenge
Street Of Dreams
If The World
Better
This I Love
There Was A Time
Riad N' The Bedovins
Sorry
I.R.S.
Catcher
Madagascar
Prostitute

Lenda do jazz se apresenta na abertura


Denise Lourenço

O TIM Festival começa hoje na Marina da Glória com o show de um ícone do jazz. Sonny Rollins, saxofonista remanescente da geração de Miles Davies e John Coltrane, abre os trabalhos às 20h30 no Palco 1. A cantora Rosa Passos faz show às 22h no Palco 2 aproveitando para mostrar o repertório de seu novo disco, "Romance".

Mas, como todo ano acontece, não são os nomes do jazz que norteiam o festival e sim as atrações pop-rock. Com uma escalação menos atrativa que a dos anos anteriores - e com desistências de última hora como as do grupo The Gossip e de Paul Weller - o TIM conta com o americano Kanye West, o grupo The National e Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos, como os grandes trunfos.

O rapper Kanye West é a atração de peso de amanhã, às 21h, no Palco 1. Ele traz a megaprodução de "Graduation", CD lançado NO ano passado e que vendeu 957 mil cópias só na primeira semana. No palco 2, o trio Sophisticated Ladies, formado por três gerações diferentes de mulheres jazzistas, dá o tom cool da noite. Esperanza Spalding (24), Stacey Kent (40) e Carla Bley (70), todas norte-americanas, são as atrações do palco feminino.

O palco 3 receberá o grupo nova-iorquino The National e a dupla MGMT, formada pelos irreverentes Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden. E, fechando a noite, o Instituto - coletivo formado pelos produtores e músicos Rica Amabis, Daniel Ganjaman e Tejo Damasceno - apresenta o show "Tim Maia Racional". Com direito às participações de B Negão e Thalma de Freitas.

No sábado, substituindo Paul Weller, que não vem por causa de problemas de visto de seu pianista, haverá a apresentação de Arnaldo Antunes e Roberta Sá. Ela apresentará o show "Que belo estranho dia pra se ter alegria". Estará acompanhada por Rodrigo Campello (direção musical, violão, cavaquinho e programações), Antônia Adnet (violão de sete cordas), Élcio Casaro (bateria) e Jovi Joviniano (percussão).

Já Arnaldo mostra o repertório do belo projeto "Arnaldo Antunes ao vivo no estúdio". O show terá a participação especial do guitarrista Edgard Scandurra. A atração mais esperada é Marcelo Camelo, que lança seu CD solo "Sou". Ele canta acompanhado do grupo paulistano Hurtmold e do trompetista de Chicago Rob Mazurek.

Entre as atrações internacionais do último dia do festival, estão Neon Neon, dupla formada pelo produtor Boom Bip e pelo vocalista Gruff Rhys e o trio indie-rock Klaxons no Palco 1.

No Palco 2, de jazz, apresentam-se The Bill Frisel Trio, Enrico Pieranunzi Trio e Tomaz Stanco Quintet. E a partir de 1h da madrugada é a vez do Tim Festa, que reunirá Gogol Bordello, Dan Deacon, database, DJ Dolores, Junior Boys, DJ Yoda, Switch e Sany Pitbull com VJ Leandro.

Confira as atrações dia-a-dia na Marina da Glória

Noite de gala (hoje)

. Palco1: Sonny Rollins, às 20h30 (ingressos a R$ 120 e R$ 250)

. Palco 2: Rosa Passos, às 22h (R$ 80)

Amanhã

. Palco 1: Brilhando no escuro, com Kanye West, às 21h (ingressos a R$ 250)

. Palco 2: Sophisticated Ladies, com Stacey Kent, Esperanza Spalding e Carla Bley, a partir das 20h30 (R$ 140)

. Palco 3: Ponte Brooklin: The National e MGMT, a partir das 22h30 (R$ 140)

. Palco 4: Tim no TIM, com Instituto, a partir da uma da manhã (R$ 40)

Sábado

. Palco 1: Novas Raves, com Neon Neon e Klaxons, a partir das 21h30 (R$ 140)

. Palco 2: The Cats, com The Bill Frisell Trio (com Kenny Wollensen & Tony Scherr), Enrico Pieranunzi Trio e Tomasz Stanko Quintet, a partir das 20h30 (R$ 140)

. Palco 3: Bossa Mod, com Marcelo Camelo, Arnaldo Antunes e Roberta Sá, a partir das 22h30 (R$ 140)

. Palco 4: TIM Festa, com Gogol Bordello, Dan Deacon, Database, DJ Dolores, Switch, Junior Boys, DJ Yoda, Sany Pitbull e VJ Leandro, a partir de uma da manhã (R$ 80)

O que há para ler


Roberta Campos Babo

MACHADO DE ASSIS, da Nova Aguilar, reúne, em quatro volumes, a obra completa do escritor carioca. Modernizada, sem nenhuma distorção do escrito machadiano, a edição, organizada por Aluízio Leite, Ana Lima Cecílio e Heloisa Jahn, inclui os nove romances e os 190 contos, além de crônicas, poemas e peças de teatro.

A GUERRA DE CLARA, da Ediouro, é o relato de uma sobrevivente do holocausto. Na obra, Clara Kramer, em parceria com o escritor e roteirista Stephen Glantz, conta como foi a chegada dos nazistas na Polônia. No subsolo da casa de um anti-semita, a menina, então com 12 anos, e sua família passaram 18 meses escondidos em condições precárias. Lá foi forçada a lidar com o medo da morte.

A ILHA, da Intrínseca, narra a trajetória de mulheres de quatro gerações de uma família marcada pela paixão, pelo preconceito, e por acontecimentos do século XX como a Segunda Guerra Mundial. O romance da jornalista inglesa Victoria Hislop se passa numa colônia de leprosos, na Ilha de Spinalonga, na Grécia, onde estão guardados os segredos da família Petrakis.

Em O QUE VALE A PENA, da Geração Editorial, a assistente social americana Wendy Lustbader examina as experiências e conhecimentos das pessoas mais velhas. São histórias e lembranças que servem de lições de vida em busca do equilíbrio e felicidade, e que mostram como lidar com as adversidades.

Organizada pelo advogado Marcus Vinícius Cordeiro REMINISCÊNCIAS JURÍDICAS NA OBRA DE MACHADO DE ASSIS, da OAB-RJ, reúne seis contos em que o escritor retrata a figura do advogado e o meio jurídico como pano de fundo para as narrativas.

O PINTOR DE BATALHAS, da Companhia das Letras, é um "romance de idéias". O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte conta a história de um ex-fotógrafo de guerra, que, depois de 30 anos de carreira de sucesso, abandonou as câmeras para se dedicar à pintura de um grande mural em que tenta representar a essência da guerra. Mas a visita de um ex-combatente croata interrompe seu isolamento.

IMPROVISANDO SOLUÇÕES, da Editora Best Seller, aborda o jazz como fonte de lições de vida. A obra do jornalista Roberto Muggiati traz a história do ritmo e apresenta pequenas biografias das estrelas jazzísticas, como as de Louis Armstrong e Hermeto Pascoal, recheadas de curiosidades e boas soluções.

Clássico das Ciências Sociais, publicado no início da década de 1960, OUTSIDERS, da Jorge Zahar, é um estudo sobre o comportamento desviante. O cientista social americano Howard Becker mostra que os grupos considerados "anormais" pela sociedade têm suas próprias regras e seus conceitos de normalidade.

Da coleção Contos no Ponto, APANHANDO A LUA, da Editora Paulinas, reúne histórias para o público adolescente. A obra da professora Rosane Villela mostra o inusitado através de personagens como a velha que tem nome de Menina, o pai que vira filho quando vai à casa do pai e o filho que só conhece a mão pelo amor e pelo olhar.

robertababo@infolink.com.br

roberta.babo@gmail.com

quarta-feira, outubro 22, 2008

U2 terá US$ 19 milhões em ações da Live Nation


LOS ANGELES - A banda irlandesa U2 receberá aproximadamente US$ 19 milhões em ações da Live Nation, como parte do acordo de 12 anos de duração firmado entre o grupo e a promotora de shows no início deste ano. Com base em Los Angeles, a empresa registrou 1,56 milhão de ações em nome de Bono Vox e sua turma. Na segunda-feira, as ações da Live Nation custavam US$ 11,54 dólares na bolsa de valores de Nova York.

O acordo, anunciado em março, estabelece que, em contrapartida, irá promover turnês mundiais, merchandising e o site da banda. No entanto, o trato não é integral, ao contrário do que fizeram Madonna, Jay-Z e Shakira, uma vez que os irlandeses continuam a gravar e a lançar seus álbuns pela Universal.

O U2 é uma das bandas que mais obtêm lucros com suas turnês. Uma delas, "Vertigo", que se realizou entre 2005 e 2007, rendeu US$ 400 milhões, o segundo valor mais alto neste setor. Portanto, apenas as turnês do U2 devem gerar algo em torno de US$ 1 bilhão em termos brutos, enquanto o contrato estiver valendo.

O próximo disco de estúdio do U2 deverá sair no ano que vem. O vocalista Bono e o guitarrista The Edge tocaram algumas das novas músicas em uma apresentação na semana passada, na Califórnia, para uma platéia formada pelos funcionários da Elevation Partners, empresa de investimentos da qual Bono é um dos fundadores.

Paulo Sergio Valle faz pocket-shows


Deborah Dumar

Não há quem não conheça de cor e salteado pelo menos uma das 700 músicas que leva a assinatura de Paulo Sérgio Valle. Só em trilhas de novelas, ele e o irmão Marcos são imbatíveis. Isso sem falar no tema de fim de ano de Natal da Globo, "Um novo tempo", criado pela dupla e Nelson Motta em 1971 ("Hoje é o novo dia, de um novo tempo que começou...") e que todo ano vai ao ar, com arranjos diferentes.

Só para citar alguns dos seus sucessos, estão "Viola enluarada", "Samba de verão", "Eu preciso aprender a ser só" (em parceria com Marcos Valle - ambos integrantes da segunda geração da Bossa Nova).

Querem mais? Então vamos lá!: a trilha de "Vila Sésamo", "Black is beautiful" (megahit de Elis Regina), "Capitão de indústria" (da novela "Selva de Pedra"), "Com mais de trinta" (sucesso de Cláudia), "Mustang cor de sangue", "Os ossos do barão" (da trilha da novela homônima), "Horizonte aberto" (tema de abertura de "Os gigantes", com Sérgio Mendes e Guto Graça Mello, na voz de Gracinha Leporace). Ah, e como esquecer "Agüenta, coração", que fez o parceiro e cantor José Augusto (mais Ed Wilson e Prêntice) ser cantado de Norte a Sul, das AMs às FMs?

Ele continua a compor e, recentemente, fez a canção "Você me vira a cabeça" (a quatro mãos com Chico Roque), gravada pela Marrom. Bem, este é o lado mais conhecido de Paulo Kostenbader Valle, um dos importantes defensores do direito autoral no País e que tem um lado desportista e talento literário nem tão conhecidos assim.

Em seu site oficial, ficamos sabendo que, na década de 70, ele era aviador e estudante de Direito. "Voava pela extinta Cruzeiro do Sul tendo tido uma interessante carreira de aviador. Foi piloto de DC-3, instrutor de vôo e examinador da diretoria de Aeronáutica Civil. E foi exatamente nesta década que Paulo Sergio e seu irmão Marcos começaram a compor".

Que Paulo Sergio fez, mais ou menos nesta mesma época, parcerias com Eumir Deodato, João Donato, Egberto Gismonti, Taiguara, entre outros. A que se seguiram, Eduardo Lages (com 20 músicas gravadas por Roberto Carlos), Chico Roque, Michael Sullivan, Nenéo, Tavito, Fábio, Augusto César, Reinaldo Arias e muitos outros.

Nos esportes, ele foi nadador, esteve entre a primeira turma de surfistas do Brasil, foi triatleta, maratonista, pára-quedista, piloto e ciclista. E gosta de dar suas voltinhas de ultra-leve. Fez inúmeras viagens de bicicleta, no Brasil e pelo mundo (incluindo aí três vezes o Caminho de Santiago de Compostela, acompanhado da mulher, Malena).

"Pedalando me inspirei a escrever os livros `O ajustador de profecias' e `Pedalando pelo Caminho de Santiago de Compostela', além de várias letras de música. Na verdade, viajar de bicicleta não é apenas uma viagem geográfica; é pedalar pelo mundo dos sonhos", diz em seu site.

Depois de um longo período sem se apresentar ao público carioca, Paulo Sergio Valle faz dois pocket shows, hoje e amanhã, a partir das 20h, no Conversa Fiada de Ipanema (Rua Vinícius de Moraes, 75. Tel.: 2522-1809), ocasiões em que tocará, cantará e contará histórias. Os pocket shows ajudam a promover o lançamento do seu quinto livro (a noite de autógrafos foi no dia 13 de outubro, na Argumento do Leblon, lotada de personalidades da nossa música)

O legal é que o ingresso para o show, no valor de R$ 50, dá direito a um livro. Nesta sua nova obra, "Se eu não te amasse tanto assim...", que tem o título da canção feita com o Paralamas Herbert Vianna e gravada por Ivete Sangalo, há um conto em que o autor relata o processo de criação da música.

O livro também registra a participação de Paulo Sergio Valle em um projeto pioneiro na América Latina, fruto de uma parceria, igualmente inédita, entre a Litteris e a Editora EMI. O leitor levará para casa, além dos contos do autor, por onde passeiam artistas que fazem parte da nossa história cultural, um cartão similar à raspadinha, no qual encontrará um código para baixar gratuitamente na rede cinco músicas de Paulo Sergio, uma delas inédita, além de um vídeo com imagens do autor. "Se eu não te amasse tanto assim..." é uma das canções do CD virtual.

Os 80 anos do cineasta-acadêmico


Luiz Carlos Merten (AE)

SÃO PAULO - Comemoram-se hoje os 80 anos do único acadêmico entre os grandes diretores do cinema brasileiro. A Nelson Pereira dos Santos pode-se aplicar a definição, mas não no sentido muitas vezes depreciativo com que ela é usada no domínio da cultura, para indicar o artista que segue regras e não ousa muito, nem do ponto de vista estético nem político.

Ao longo de sua memorável carreira, mestre Nelson muitas vezes apontou caminhos, mas ele é, no sentido mais literal, acadêmico pelo simples fato de integrar a Academia Brasileira de Letras - o único diretor brasileiro acolhido como membro na casa fundada por Machado de Assis. Deve ter contribuído para isso o fato de Nelson Pereira dos Santos ter adaptado tantos autores, não apenas Graciliano Ramos e Jorge Amado, mas também Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues e Guilherme de Figueiredo.

Ele nasceu em São Paulo, no dia 22 de outubro de 1928. Cineclubista ardoroso, iniciou-se na prática cinematográfica integrando a equipe do longa "O saci", como assistente de direção de Rodolfo Nanni. "O saci" é de 1953. Três anos mais tarde, no Rio, o próprio Nelson virou diretor e, assimilando o neo-realismo, fez "Rio 40 Graus" e, na seqüência, "Rio Zona Norte".

O primeiro teve problemas com a censura da época, mas já apontava o caminho. Nelson voltava-se para o Rio dos excluídos, do morro e da favela, onde bicheiros e sambistas se misturavam, numa época anterior à atual violência do tráfico. A favela ainda era, naquele tempo, o barracão de zinco e Zé Kéti podia soltar o verbo proclamando que era a voz do morro.

Nelson saltou do morro para a da classe média urbana ("O Boca de Ouro"), antes de tomar o rumo do sertão, para fazer, com sua primeira adaptação de Graciliano Ramos ("Vidas secas"), um dos marcos definidores do movimento chamado de Cinema Novo. Ele voltou à cidade, agora na Zona Sul ("El justiceiro"), e em 1968, um ano emblemático, fez o filme talvez mais atípico de sua carreira, o mais vanguardista ("Fome de amor").

Vieram depois seu manifesto antropofágico ("Como era gostoso o meu francês"), a incursão pelo universo dos orixás ("O amuleto de Ogum"), o flerte com Jorge Amado ("Tenda dos milagres"), o casamento com os sertanejos ("A estrada da vida") e o outro grande marco adaptado de Graciliano, "Memórias do cárcere".

Multiplicidade

O que é mais rico no legado de Nelson Pereira dos Santos é que ele não é um, mas múltiplo, adaptando seu estilo às necessidades específicas das histórias que, em diferentes momentos de sua evolução, quis contar. Ele pode ser neo-realista nos primeiros filmes, mas, a despeito de sua preocupação social, a luz e o enquadramento de "Vidas secas" têm um quê de Michelangelo Antonioni - e Antonioni, mais Alain Resnais, estão presentes nas pesquisas de linguagem de "Fome de amor".

A antropofagia de "Como era gostoso" também marcou época e a índia Ana Maria Magalhães come a carne e chupa os ossos do francês vivido por Arduíno Colasanti para que o diretor, no pós-68, discuta as relações entre colonizados e colonizadores.

O que há de tosco em "A estrada da vida" pode ser estratégia. Nelson Pereira filma a vida de "Milionário e Zé Rico" - o pré-"2 filhos de Francisco" - para mostrar o artista como trabalhador. O grande momento do filme é quando eles trabalham na reforma da loja de discos e sua música começa a ser tocada. "Memórias do cárcere" representa o apogeu. O relato autobiográfico do velho Graça nas prisões do Estado Novo é pretexto para falar do Brasil que está prestes a encerrar o ciclo da ditadura militar.

Pode-se gostar mais de alguns filmes ("Vidas secas", "Memórias", "Como era gostoso" e "Fome de amor"), pode-se deplorar outros ("Quem é Beta?", o próprio "Jubiabá"), mas a obra de Nelson Pereira dos Santos não é só coerente. Na sua medida, como cineasta e escritor (roteirista), ele é representativo de sua geração, que quis pensar o Brasil e, mais do que isso, quis resgatar a identidade do brasileiro na tela. O movimento do Cinema Novo não representou outra coisa senão esse desejo de colocar o Brasil e os brasileiros nas telas dos cinemas.

Não surpreende que Nelson tenha adaptado, para TV, um livro fundamental como "As raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda. Em 1995, com "Cinema de lágrimas", ele não só resgatou o melodrama como expressão autêntica do cinema da América Latina. Fez também sua autocrítica, e a crítica de sua geração. No afã de filmar o Brasil, Nelson, Glauber Rocha, Joaquim Pedro, Ruy Guerra etc, muitas vezes estavam tão adiante de seu tempo que o povo na tela não tinha o contraponto do público nas salas.

Tudo isso é história. Nelson, aos 80 anos, é um jovem que ainda acalenta seu sonho de filmar a vida de Castro Alves. Só teremos a ganhar, talvez, se ele conseguir concretizá-lo.

terça-feira, outubro 21, 2008

Festivais de cinema revelam filmes de música


Os festivais de cinema que rolam pelo mundo neste ano estão lançando alguns filmes de música bem legais. Vale ficar atento para quando entrarem em cartaz ou para quem curte explorar a internet.

Veja abaixo alguns destaques:

Toronto Film Festival

It Might Get Loud , de Davis Guggenheim – Documentário com Jimmy Page, the Edge e Jack White sobre a guitarra elétrica.

Soul Power , de Jeffrey Levy-Hinte – Documentário sobre o Zaire ‘74, um festival de música que rolou durante três dias no ano citado, com James Brown, B.B. King, Célia Cruz, Miriam Makeba e Muhammad Ali.

Who Do You Love? , de Jerry Zaks – Ficção sobre dois irmãos que vendem seus pertences para abrir um bar de música ao vivo e um selo de música em Chicago.

Detroit Metal City , de Toshio Lee – Comédia japonesa live act baseada em mangás na qual um guri nerd de fazenda se transforma em vocalista de uma banda de death-metal cantando sobre assassinatos e estupros.

Festival do Rio

Joe Strummer: O Futuro Está Para Ser Escrito , de Julien Temple – Sobre o vocalista e guitarrista do The Clash com depoimentos de Bono Vox, Johnny Depp e John Cusack.

CSNY: Déjà Vu , de Bernard Shakey (Neil Young) – O roqueiro Neil Young registrou da turnê de retorno do grupo Crosby, Stills, Nash e Young, um dos grandes nomes da música na década de 1970, que voltou aos palcos para protestar contra a guerra do Iraque e o governo George W. Bush. Young assina o filme como Bernard Shakey, seu pseudônimo atrás das câmeras.

Cantoras do Rádio , de Gil Baroni e Marcos Avellar – Um resgate e uma homenagem aos anos dourados da música popular brasileira tendo como fio condutor o show “Estão Voltando as Flores”, criado e dirigido pelo renomado pesquisador Ricardo Cravo Albin, que celebra dez grandes cantoras do rádio nacional.

Contratempo , de Malu Mader, Mini Kerti – No Rio de Janeiro, jovens de comunidades pobres tentam encontrar alternativas para o impasse social brasileiro. Alguns são selecionados para integrar um projeto social ligado à música, mas as transformações nem sempre acontecem.

Jards Macalé – Um Morcego Na Porta Principal , de Marco Abujamra – Filme joga uma luz sobre a trajetória nada linear deste artista contestador e personagem controverso da cultura brasileira nas últimas quatro décadas.

O Homem Que Engarrafa Nuvens , de Lírio Ferreira – Documentário sobre a vida do compositor, advogado e deputado federal Humberto Teixeira, autor de clássicos populares como Asa Branca.

Ninguém Sabe O Duro Que Dei , documentário sobre o polêmico cantor Wilson Simonal (1939-2000), dirigido pelo humorista do Casseta e Planeta Cláudio Manoel. Ícone de sucesso da década de 60, capaz de rivalizar com Roberto Carlos e outros cantores da Jovem Guarda, Simonal caiu no ostracismo após um episódio envolvendo agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Suspeitando de que seu contador o roubava, ele mandou dois agentes do Dops darem-lhe uma surra. A partir daí, foi acusado de dedo-duro e de informante do órgão.

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Afrika Unite , de Stephanie Black – Bob Marley foi a alma do reggae. Apoiou a luta contra o apartheid, abraçou o movimento de independência no Zimbábue e foi um exemplo para a comunidade negra internacional. Em fevereiro de 2005, mais de vinte anos após sua morte, um grande show aconteceu na capital da Etiópia, Addis Abeba, para celebrar seu 60º aniversário. Três gerações de Marleys participaram do evento com o objetivo de inspirar as novas pessoas da África a se unir pelo futuro do continente.

Favela Bolada , de Leandro HBL e Wesley Pentz – Um retrato da cultura em torno do funk carioca através do registro das interações humanas, lingüísticas e estéticas no cotidiano das comunidades carentes do Rio de Janeiro.

Loki – Arnaldo Baptista , de Paulo Henrique Fontenelle – Cinebiografia do músico Arnaldo Baptista, ex-integrante dos Mutantes, contada através de um quadro traçado pelo próprio artista. A pintura é intercalada com imagens históricas que remetem aos principais momentos de sua trajetória artística. Depoimentos de Tom Zé, Nelson Motta, Gilberto Gil, Sean Lennon, entre outros.

Não Estou Lá , de Todd Haynes – Biografia dramatizada do ícone do rock’n’roll americano Bob Dylan numa narrativa em que sete atores interpretam o músico em diferentes períodos de sua vida, entre os anos 60 e 70.

O Roqueiro , de Peter Cattaneo – Ficção. Robert “Fish” Fishman foi o baterista de uma banda de cabeludos dos anos 1980. Ele estava vivendo o sonho do rock’n’roll, até que foi expulso do grupo. Vinte anos mais tarde, o roqueiro desesperado integra a banda do sobrinho, A.D.D., finalmente retomando o posto de deus do rock que sempre acreditou merecer, assim promove com seus companheiros de banda, muito mais jovens, a viagem de suas vidas.

Patti Smith: Sonho de Vida , de Steven Sebring – Crônica da história do rock tão ousada e individual quanto a própria Patti Smith, artista e poeta tida como madrinha do punk. São 11 anos de história através de depoimentos, performances, letras, entrevistas, pinturas, e fotografias com narração de Patti.

Rocknrolla – A Grande Roubada , de Guy Ritchie – Comédia de ação, sexo, “carreiras” e rock’n roll que segue um perigoso caminho pelo crime e pela vida deteriorada na atual Londres, onde os bens verdadeiros foram superados pelas drogas como maior mercado econômico, e os criminosos são os empresários mais bem-sucedidos.

Sneakers – Entrando de Sola na Cultura Urbana , de Edson Soares – Filme sobre o tênis como expressão cultural. Não vai faltar Nike (tecktonik), All Star (indie rock) e Adidas (eletrônica; hiphop).

Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa , de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves – Os músicos do Titãs contam a história da banda utilizando linguagem não cronológica e musical.

Youssou NDour: I Bring What I Love , de Elizabeth Chai Vasarhelyi – O cantor Youssou NDour ligou dois mundos: o de estrela pop moderna e artista mais vendido no mercado africano em todos os tempos ao de contador de histórias.

Single de Björk com Thom Yorke está online


Parte da música Nátturá, de Björk com backing vocals de Thom Yorke, do Radiohead, já está online. O site da cantora diz que a versão completa da música estará online apenas no próximo dia 27 (ou antes, se vazar na íntegra). O single em CD é do selo One Little Indian.

A canção foi composta especialmente para o Nátturá Campaign, um projeto de cunho ambiental sobre o uso consciente de recursos naturais na Islândia.

Saiba mais sobre isso no site http://nattura.info/ ou no
site da cantora

Você também pode escutar a faixa aqui

Mallu vem ao mundo


Gabriel Brust

Ela é uma garota paulista de 16 anos, faz música folk em inglês, virou sucesso no meio alternativo, tem entre seus fãs Marcelo Camelo e Zeca Pagodinho e agora será lançada em disco por uma operadora de telefonia celular. Com essas características pouco estereotipadas – distante da baiana-gostosa ou da diva-sofisticada –, fica difícil arriscar dizer que papel Mallu Magalhães ocupará na música brasileira.

A própria garota não sabe definir:

– Tudo foi natural até agora e vai continuar sendo. Tenho só que ser feliz. Tenho que ter calma. Calma é uma grande amiga de tudo.

Mas não é isso que pensa a operadora de telefonia celular que está apostando tudo no lançamento do primeiro disco da jovem compositora. A estréia oficial de Mallu Magalhães – depois de se tornar um fenômeno na internet, com 2 milhões de acessos às suas músicas em apenas nove meses – está imersa no mesmo frescor de novidade que encharca suas composições.

As faixas do álbum estão sendo colocadas para download no site www.vivo.com.br/mallumagalhaes desde a sexta-feira passada, duas por semana, apenas para assinantes. As músicas também estarão disponíveis em telefones celulares, que serão lançados com o álbum dentro do cartão de memória. O CD chegará às lojas somente no dia 15 de novembro.

Fazer Mallu saltar do universo virtual para o meio musical tradicional, de CDs, gravadoras e estúdios, foi a missão do produtor Mario Caldato Jr., conhecido por ter trabalhado com estrangeiros como Beastie Boys e Super Furry Animals, além de ter lançado internacionalmente artistas como Bebel Gilberto e Seu Jorge.

É por essas e por outras que faz todo sentido do mundo imaginar que Mallu pode escapar não só do universo virtual, como do meio alternativo/indie que até agora garantiu sua popularidade lado-b. A tacada não é pequena. Para a jovem cantora, o que mudou, no entanto, foram coisas mais prosaicas.

– As gravações que eu lancei na internet eu fiz num estúdio que era barato e que eu tinha achado legal por causa do nome, Lúcia no Céu. Agora, com o Mario Caldato, achei que ia ser uma coisa meio ditadora, eu não sabia o que fazia um produtor – conta.

Caldato foi esperto o suficiente para não mexer demais no time que estava ganhando as primeiras partidas. Os sucessos da web, Tchubaruba, J1 e Get to Denmark, estão lá, em versões não muito diferentes das gravadas no Lúcia no Céu.

A elas se juntaram outras 11 faixas, sendo duas delas em português, Preço da Flor e Vanguart. E é ao ouvir a voz da garota em português que a ficha começa a cair – e a pretensão da tal operadora de celular vai se explicando.

Ao cantar “ah, se eu fizesse tudo que eu sonho, se eu não fosse assim tão tristonho, não seria assim tão normal”, Mallu soa mais infantil, mas ao mesmo tempo aponta um caminho pop rumo ao sucesso comercial que parece não ter mais volta.

– As canções em português estão acontecendo naturalmente. Nos últimos dois meses, compus umas 15 músicas e todas em português. Não cobro nada, mas está fluindo mais assim – reconhece.

E é deste jeito, no ritmo tranqüilo dos acordes de seus ídolos Bob Dylan e Johnny Cash, que Mallu vai lidando com esta nova realidade. Continua sem saber como recuperar as provas do colégio que perde a cada show. Continua tentando convencer os pais de que essa coisa de música é para valer. Mas sabe que, no fundo, eles entenderam tudo há muito tempo – sem precisar de muita conversa.

– Quando eu apóio o pé na cama dos meus pais para tocar violão, o olho da minha mãe enche de lágrima – explica Mallu.

Morre Levi Stubbs, líder do grupo Four Tops


Os Four Tops em Londres em 1966: (da esq. para a dir.) Abdul Fakir, Levi Stubbs, Lawrence Payton e Renaldo Benson. (Foto: AP Photo)


O vocalista principal dos Four Tops, lendário grupo vocal de soul da gravadora norte-americana Motown, morreu na manhã da última sexta-feira (17), na sua casa em Detroit. Sua morte foi confirmada pelo Instituto Médico Legal de Wayne County, e também por Dana Meah, esposa de seu neto.

Stubbs liderou o grupo por anos e era considerado o dono de uma das vozes mais dinâmicas e emotivas entre todos os cantores da Motown.

Com Stubbs como cantor principal, os Four Tops venderam milhões de discos, incluindo hits como “Baby I need your loving”, “Reach out (I’ll be there)” e “I can’t help myself (Sugar pie, honey bunch)”.

Com a morte de Stubbs, só um membro da formação original dos Four Tops permanece vivo: Abdul “Duke” Fakir.

Stubbs “está lá em cima com os outros ícones da Motown”, disse Audley Smith, chefe de operações do Museu Histórico da Motown. “A voz dela era tão única quanto a de Marvin (Gaye), Smokey (Robinson) ou Stevie (Wonder)”.

Os Four Tops começaram a cantar juntos em 1953 sob o nome de Four Aims e assinaram um contrato com a Chess Records. Mais tarde, mudaram o nome para Four Tops para evitarem ser confundidos com os Ames Brothers.

Também gravaram para outros selos, como Red Top, Riverside e Columbia Records e fizeram turnês tocando em clubes noturnos.

Hits

Os Four Tops foram contratados pela Motown Records em 1963 e produziram 20 hits que chegaram ao Top 40 da Billboard ao longo de 10 anos, marcando a história da música ao lado de outros artistas na Motown de Berry Gordy.

Entre 1964 e 1967 eles tiveram seus maiores hits, com o apoio do time de compositors e produtores formado por Brian Holland, Lamont Dozier e Eddie Holland. Tanto “I can’t help myself” (1965) quanto “Reach out” (1966) chegaram ao primeiro lugar das paradas.

Outros sucessos incluem “Shake Me, Wake Me" (1966), "Bernadette" e "Standing in the Shadows of Love" (ambos de 1967).

Eles continuaram realizando turnês durante as décadas seguintes, e em 1988 voltaram às paradas com “Indestructible”, pela Arista Records. Em 1986, Stubbs dublou a voz de Audrey II, a planta devoradora de gente do filme “Pequena Loja de Horrores”.

Hall of Fame

O grupo entrou para o Rock and Roll Hall of Fame em 1990, e tem uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.

O primeiro óbito dos Four Tops foi em 1997, com a morte Lawrence Payton devido a um câncer no fígado. Renaldo “Obie” Benson morreu devido a um câncer de pulmão em 2005.

Stubbs nasceu em 1936 em Detroit e estudou no Pershing High School, onde ele começou a cantar com Fakir. Eles conheceram Payton e Benson quando cantavam na festa de aniversário de um amigo em comum, e então decidiram formar o grupo.

“Eles são quatro das maiores pessoas que eu já conheci. Eles já eram profissionais mesmo antes de entrarem para a Motown”, disse o presidente do selo, Berry Gordy, quando a estrela do grupo foi inaugurada na Calçada da Fama.

Stubbs deixa esposa, cinco filhos e onze netos.

O Céu está mais iluminado


Deborah Dumar

O mundo do samba perde um de seus maiores representantes. Morreu, ontem, aos 59 anos, de câncer no intestino, Luiz Carlos da Vila. Um compositor de mão cheia, um intérprete animado e convincente, uma pessoa que amava a vida como poucos. Um agregador, um amigo para todas as horas, um homem afetuoso e humilde diante do talento que expressava em suas músicas. Um ser iluminado.

Em seu site oficial, o pesquisador de sua biografia afirma que "há quem diga que Luiz Carlos da Vila é pura intuição". Um vizinho seu, do bairro de Vila da Penha, declarou sobre o artista: "Às vezes, ele anda à esquina, conversa com as flores e volta com uma música". E era na casa dele que reunia amigos para tardes de pura alegria ao som do melhor samba de roda, do partido alto. Sua voz alegrava o Samba do Trabalhador, as festas do Caldos & Canjas, em que eram servidos quitutes deliciosos preparados pela companheira de quase 20 anos, Jane.

Ele animava as noites da Lapa, do Candongueiro, em Niterói, a quadra do Cacique de Ramos, as reuniões no Boêmios do Irajá, os desfiles dos Suburbanistas - criado por ele, Dorina e Mauro Diniz - e sempre encerrava suas aparições com um de seus maiores sucessos, "O show tem que continuar" ("Nós iremos achar o tom / um acorde de lindo som / e fazer com que fique bom / outra vez o nosso cantar"), parceria com Arlindo Cruz e Sombrinha.

Primeito título

Luiz Carlos teve o mérito de dar à sua querida escola Unidos de Vila Isabel o primeiro campeonato, em 1988, com "Kizomba - festa da raça", samba-enredo feito em parceria com Rodolpho de Souza e Jonas Rodrigues ("Valeu Zumbi/ o grito forte dos Palmares/ que venceu terra, céu e mares/ influenciando a abolição..."), gravado por Martinho da Vila. No mais recente disco de Zeca Pagodinho, um dos artistas apreciadores de suas obras, está a última gravação de um samba seu, "Então leva".

Nascido em 1949, em Ramos, ele começou a freqüentar o bloco carnavalesco Cacique de Ramos nos anos 70. Na mesma época, passou a integrar a ala de ccompositores da Vila Isabel, que foi decisiva para a incorporação do "da Vila" em seu nome artístico.

Alcione, Mauro Diniz, Beth Carvalho, Simone, Luizinho SP, Fundo de Quintal, Jair Rodrigues, Simone e Jorge Aragão foram outros que registraram em seus discos composições de Luiz Carlos da Vila, que recebeu, ao lado de Sombra e Sombrinha, o prêmio Sharp de melhor samba em 1988 com a música "Além da razão", interpretada por Beth Carvalho. Simone, por sua vez, fez muito sucesso com a música "Por um dia de graça", de Luiz Carlos.
Luta pela vida

O artista havia se tratado de um câncer em 2002, mas, recuperado, retomou a vida normalmente, aparentemente com mais vontade até de aproveitar cada momento. Sua agenda andava lotada, os shows se multiplicavam País afora, novas composições brotavam com os parceiros. Foi indicado ao TIM 2006, com o CD "Um cantar à vontade", em que dá a sua versão, no palco do Rival em 2001, às músicas de que mais gostava, dentre elas "Kizomba", "O show tem que continuar" e "Os papéis", feita a quatro mãos com o mestre Wilson das Neves.

Além deste e também em 2006, lançou "Matrizes", em parceria com o compositor e violonista Cláudio Jorge, conforme contou a Pedro Henrique Neves em entrevista à Tribuna BIS. Bem diferente de "Um cantar à vontade", como conta Pedro Henrique, "Matrizes" nasceu de uma proposta do selo Rádio MEC para um trabalho sobre o universo da cultura africana. Ao lado de Cláudio Jorge, ele gravou 17 faixas inéditas, abrangendo gêneros que vão do jongo ao frevo, passando por samba, baião, xote e embolada. Ambos foram muito bem recebidos pela crítica.

Luiz Carlos teve, recentemente, a oportunidade de promover uma grande festa pelos 80 anos da mãe e, dias depois, ao fazer os exames de rotina, descobriu que a doença voltara. Há cerca de 40 dias, foi internado no Hospital do Andaraí, fez duas cirurgias, mas não apresentava melhora significativa. Quando se sentia melhor, queria porque queria que os médicos lhe devolvessem o telefone celular para dar andamento ao seu trabalho. Na última semana, seu estado foi se deteriorando. E, na manhã de ontem, morreu.

Kanye West volta mais pop e menos rap


Lígia Nogueira, do G1, em São Paulo

Nem parece um disco de rap: "808s & heartbreak", álbum ainda inédito do norte-americano Kanye West, tem mais instrumentos tocados no lugar dos samples, melodias e vocais cantados, repletos de vocoders. As faixas têm uma atmosfera melancólica, as batidas estão mais secas e tribais. As novas músicas foram mostradas pelo artista pessoalmente a um grupo de jornalistas na tarde desta segunda (20) em um hotel em São Paulo, onde acaba de chegar como atração principal do Tim Festival. Ele apresenta a turnê "Glow in the dark" nesta quarta (22) na capital paulista e sexta (24) no Rio de Janeiro.

Usando óculos escuros e um agasalho de moletom com a estampa de um colorido sorvete de casquinha, o rapper chegou todo simpático, pedindo desculpas pela demora. "Não imaginei que pegaríamos tanto trânsito", argumentou, plugando seu aparelho celular no equipamento de som, enquanto pedia que não tirassem fotos suas. Mas a experiência não seria completa se as luzes ficassem acesas - depois de alguns testes, foi no escuro e em alto volume que ele apresentou suas mais frescas criações.

Para surpresa de quem esperava um MC arrogante, Kanye não só havia sugerido a audição, segundo disse à reportagem a assessoria de imprensa da gravadora Universal, mas também abriu seu coração: "Qual dessas músicas vocês acham que deve abrir o disco?", perguntou. "Viemos discutindo sobre isso no avião." "Nunca faço muitas músicas para escolher as melhores, prefiro trabalhar dez ou doze faixas mais detalhadamente", contou.

E por falar em coração, imagem que ilustra a capa do primeiro single do quarto trabalho do rapper e produtor, "Love lockdown", a primeira impressão indica que Kanye West está mais sentimental. O segundo single, aliás, ganhou o título de "Heartless", e não foi difícil identificar outras letras que falassem sobre sentimentos.

Kanye não revelou os nomes de outras faixas, e acrescentou que "ainda serão feitos pequenos ajustes nas canções". Mas, tendo em vista as 11 músicas que compõem o trabalho do produtor, é possível notar diferenças significativas em relação aos álbuns anteriores – "Graduation" (2007), "Late registration" (2005) e "The college dropout" (2004).

A principal delas é que Kanye, mais do que nunca, assume seu lado cantor em detrimento da faceta de MC. Se os efeitos de vocoders estão ainda mais evidentes, são proporcionais à presença dos sintetizadores e de um certo clima oitentista que permeia as músicas, cortesia de uma bateria eletrônica Roland TR-808 utilizada na maior parte do processo.

O resultado é uma abordagem mais pop que ainda conserva o flerte com o rock e a música eletrônica dos discos anteriores. O lado orgânico fica por conta de pianos e violinos que podem ser percebidos aqui e ali, entre efeitos espaciais e outros ruídos. Mas não espere a malícia de uma "Gold digger". A viagem de Kanye, desta vez, soa introspectiva e até triste.

Porradaria no Planalto