quinta-feira, julho 29, 2010

Causos de Bambas - Oscar Niemeyer

Anos sessenta, Brasília. A cidade nasciturna ainda convalescia do parto, do penoso trabalho de parto.

O jornalista Mauritônio Meira, um dos habitantes pioneiros, recebe um telefonema do Oscar Niemeyer:

– Vamos até o Catetinho? – propõe ele a Mauritônio. “Estou de carro. Onde te pego?”.

– Na superquadra 105 – responde Mauritônio.

Oscar fez um silêncio e, para divertido espanto do jornalista, declarou:

– Mauritônio, olha, faz o seguinte: me espera no Eixo Monumental. Não entendo porra nenhuma de Brasília.

A famosa jardineira da dona Englantina

O cantor e compositor Aroldo Melodia fez parte do dream team da União da Ilha, ainda que a escola não tenha ganha tantos títulos como a seleção de basquete americana. Na verdade, não ganhou nenhum.

Mas ele foi personagem importante da melhor fase da agremiação: a segunda metade dos anos 70, quando a tricolor subiu para o grupo especial e se projetou com seu estilo bom, bonito e barato, em contraste com a pompa de escolas tradicionais como a Mangueira e ricas, como a Beija-Flor de Nilópolis.

Se as imagens de 1977 (exemplares daquela época) eram de balões de gás, carrossel e pranchar de isopor, a voz de Aroldo compunha a cena: com expressão bem-humorada, foi o melhor intérprete para o lirismo de “Domingo”, que falava do lazer do fim de semana, enquanto outras preferiam temas históricos e grandiosos.

O grito de guerra “Alô, bateria! Segura marimba! Minha Ilha! Minha Ilha!” também fez a diferença: imagine se Jamelão desceria do pedestal para fazer algo do gênero.

A União da Ilha ficou em terceiro lugar em 1977, apesar do sucesso de público, que gritou “Já ganhou! Já ganhou” do princípio ao fim, e de crítica: recebeu o Estandarte de Ouro de melhor escola e o de melhor samba-enredo.

A campeã foi a Beija-Flor, mas para insulanos da antiga aquele desfile puxado por Aroldo Melodia será sempre inesquecível.

Aroldo Melodia começou a se apresentar em Manaus a pedido de Carriço, então presidente da Sem Compromisso, tendo gravado um dos mais bonitos sambas-enredo da escola, o famoso “Hotel Cassina”.

Aqui ele se enturmou com a moçada do pagode e ficou literalmente apaixonado pela “jardineira” da dona Englantina, tia do Edu do Banjo.

Sempre que se preparava para voar para Manaus, ele telefonava antes pedindo para o prato ser providenciado.

Aquela mistura de jabá, jerimum de leite, chouriço, maxixe, quiabo, couve picada e carne-seca deixavam o sambista em estado de graça.

Numa dessas viagens, Reinaldo Buzaglo foi encarregado de apanhá-lo no aeroporto, por volta do meio-dia, mas por conta de problemas técnicos em Brasília, o voo atrasou por quase duas horas.

Aroldo Melodia desceu da aeronave vazado de fome.

Os dois se mandaram para a casa da dona Englantina, onde uma roda de pagode já estava formada. A “jardineira”, entretanto, ainda não dera sinal de vida.

Rinaldo e Aroldo estavam distraindo a fome com uma garrafa de conhaque Palácio.

Por volta das três da tarde, completamente gorozado e faminto, Aroldo Melodia foi na cozinha pegar um copo limpo, viu uma panela fumegante no fogo e não teve dúvidas: levantou a tampa, encheu um prato e pôs-se a comer avidamente.

Notando a ausência do parceiro, Rinaldo foi ver o que estava ocorrendo e também não teve dúvidas: encheu um prato e pôs-se a comer gulosamente.

Como a fome era tirana, cada um deles ainda repetiu mais dois pratos. Quase secaram a panela.

Aí, saciados e satisfeitos, voltaram para a roda de pagode, onde se refestelaram em cadeiras de balanço de macarrão.

Dez minutos depois, dona Englantina chamou os pagodeiros para a mesa que a “jardineira” estava sendo servida.

Aroldo e Rinaldo agradeceram, explicando que já haviam comido na cozinha e que a comida estava verdadeiramente deliciosa. Estavam tão cheios que estavam com medo de explodir.

Intrigada, dona Englantina foi até a cozinha ver o que estava acontecendo. Ela quase caiu pra trás.

Os dois “glutões” haviam detonado a comida que estava sendo preparada para as duas cadelas pastor alemão existentes na casa: picadinho de bobó, com arroz, carne de cabeça e ração seca pra cachorro da marca Friskies.

Confundir aquela pasta horrorosa com uma suculenta “jardineira” só mesmo se os dois sujeitos estivessem pra lá de Marrakesh.

Causos de Bambas - Malba Tahan

O professor e matemático Júlio César de Mello e Souza – o nosso Malba Tahan – ia de trem para Minas Gerais e acompanhava, distraído, as curvas dos fios de telégrafo que passam pelas janelas.

A curva, a mesma que as redes de dormir desenham, chama-se catenária.

O professor comenta com o companheiro de viagem, ao lado:

– Temos lindas catenárias por aqui!

O mineiro acrescenta:

– Tem muito nhambu, também.

quarta-feira, julho 28, 2010

Causos de Bambas - Jorge Veiga

O cantor Jorge Veiga, além da voz nasalada e de um suíngue especial, era famoso por maltratar a língua portuguesa.

Certa vez, voltando de um show que artistas da Rádio Nacional foram fazer em uma cidade do interior do Rio de Janeiro, entrou no ônibus e foi logo dizendo para Radamés Gnattali, que estava sentado a seu lado:

– Maestro, eu tô exausto. Não vejo a hora de chegar em casa e cair nos braços de Orfeu.

Radamés tentou ajudar:

– Tá faltando um “m” aí.

Jorge, que não gostava de ser corrigido, disse impaciente:

– Tá bom, maestro. Orfeom, orfeom.

Causos de Bambas - Benedito Lacerda

Nos anos 1930, a venda de sambas era vista como algo normal, e os plágios e apropriações em geral ocorriam em grande quantidade.

O compositor Sinhô apregoava que samba e passarinho era de quem pegasse primeiro.

Benedito Lacerda, o grande flautista que ficou eternizado nas gravações em duo com Pixinguinha, foi coadjuvante num tipo de golpe aplicado pelo malandro Brancura, que também se arvorava em ser compositor.

O golpe era o seguinte: quando encontrava um compositor humilde e desconhecido, mas que tinha uma música com possibilidade de sucesso, Brancura marcava encontro no Bar São José, que tinha o interior dividido com treliças.

Os dois iam para uma mesa junto à divisória, e do outro lado se postava Benedito, com lápis e papel de pauta musical.

À medida que o otário ia cantando, Benedito ia fazendo a partitura cifrada da música.

Numa certa altura, Brancura fazia cara de espanto e dizia ao coitado que aquela música era sua, e que tinha sido feita poucos dias antes com a prestimosa ajuda do seu compadre Benedito Lacerda.

Benedito saía pela porta lateral e depois de alguns minutos entrava no boteco dando de cara com os dois.

Brancura então pedia que ele tocasse o samba que os dois haviam feito alguns dias antes.

Benedito tirava a partitura do bolso e tocava o samba na flauta, deixando o verdadeiro autor perplexo com a estranha coincidência.

O cara saía de mansinho e a música agora era oficialmente do Brancura.

Vários sambas assinados pelo malandro foram ganhos com esse golpe.

O Karmann-Ghia envenenado

Morador da rua Barcelos, nas proximidades do Boteco da Lió, na Cachoeirinha, Douglas Mascarenhas possuía um velho Karmann-Ghia, que vivia parado por falta de peças.

Douglas vivia fuçando os ferros-velhos da cidade em busca das peças faltantes, mas sem sucesso. Já havia colocado anúncios em jornais. Nada.

Ele então resolveu apelar para os amigos: quem soubesse da existência de algum sujeito querendo se desfazer de qualquer tipo de Karman-Ghia, sucateado ou não, que o comunicasse, que ele compraria na mesma hora.

Um seis meses depois, o livreiro Antônio Diniz telefona para Douglas:

– Parceiro, eu descobri uma verdadeira galinha morta pra você. É um Karman-Ghia todo detonado, que está pegando sol e chuva em frente de uma residência, ali pro rumo da Praça 14. Acho até que o dono não vai te cobrar nada pra se desfazer do bagaço. O carro está tão lascado, que só falta mesmo ir pro ferro-velho. Mas ainda dá pra salvar algumas peças.

Douglas ficou mais alegre do que pinto no lixo.

– Me dá o endereço do dono do carro, que eu vou lá agora mesmo! – avisou.

– Eu não sei o nome da rua, não. Mas você vem aqui na livraria, que eu te levo lá...

Em menos de meia hora, Douglas estava entrando na livraria Sebão da Cidade.

Mais quinze minutos, e os dois estavam aboletados no carro do Antônio, se dirigindo para o local onde estava o Karman-Ghia.

Douglas estava eufórico:

– Bicho, tu achas que o cara vai querer mais de mil paus pela carcaça? – perguntou.

– Mil paus? – espantou-se Antônio Diniz. “Aquela sucata não vale 200 reais. O Karman-Ghia está tão detonado que não tem mais nem pneus. Está montado em cima de quatro torres de tijolos. A tinta já descascou, as portas estão comidas pela ferrugem, os para-lamas estão cheio de buracos. O dono vai dar graças a Deus você tirar aquele monte de ferro velho de frente da casa dele...”.

Douglas ria, divertido.

Os dois desceram a avenida Sete de Setembro, dobraram à esquerda depois da Escola Técnica e seguiram pela rua Duque de Caxias em direção à Praça 14.

Depois do antigo depósito do DER-AM, o carro dobrou à direita. Mais alguns minutos e Antônio parou o carro.

– O Karman-Ghia é aquele ali! – avisou.

Douglas tomou um susto.

– Porra, Antônio, mas esse aí é o meu Karman-Ghia...

O livreiro não sabia onde esconder a cara. Também, quem mandou confundir o bairro da Praça 14 com a Cachoeirinha...

O troglodita ataca de novo

Agosto de 1970. O artista plástico Afrânio de Castro desce do ônibus na rua Sete de Setembro e começa a caminhar em direção ao Café do Pina, na praça da Polícia, onde se reuniam os intelectuais do Clube da Madrugada.

De longe, o troglodita avistou um casal que discutia e, por simples curiosidade, resolveu se aproximar dos brigões.

A mocinha, jovem e simpática, parecia querer explicar alguma coisa, que o outro não deixava, ameaçando a todo instante de esbofeteá-la.

De pequena estatura e visivelmente embriagado, o sujeito esculhambava a mocinha, agressivamente, com toda sorte de palavrões.

Ela, intimidada, já não falava nada. Limitava-se a colocar as mãos em frente ao rosto, visando defender-se de possíveis ataques físicos do agressor.

De repente, o sujeito deu um tapão no pé do ouvido da mocinha, quase a arremessando no chão.

Vendo aquilo, Afrânio de Castro nem pensou duas vezes.

Completamente transtornado, ele suspendeu violentamente o agressor nos braços, acima da sua cabeça e, soltando verdadeiros gritos de guerra, saiu correndo com ele em direção à piscina existente na praça, onde o atirou, com todo o ímpeto e a fúria de um troglodita contrariado.

Assombrado com o que acabara de acontecer, o rapaz, de olhos arregalados, a roupa e os sapatos encharcados, saltou pelo outro lado da piscina e saiu numa correria desenfreada, como se tivesse acabado de ver o cão chupando manga, até sumir no meio da multidão.

Como nos filmes de bang-bang, Afrânio de Castro, o mocinho vingador de damas indefesas, foi recepcionado no Café do Pina com muitas palmas e gritos de “vivas” dos presentes.

Ele também recebeu um forte abraço de Rosinha, a jovem agredida, que passou a namorá-lo a partir daquele dia e se tornou, ao que se sabe, o primeiro e único amor que o artista plástico teve em vida.

Café Cancun sai de cena e dá lugar ao Fun Café

Humor, festa e gastronomia. Este é o tripé da Fun Café – Comidas e Baladas, a nova boate divertida do Millennium Center, que inaugura esta semana, com programação cultural diversificada.

A Fun Café, antigo Café Cancun, abre nesta quarta-feira (28), às 18h, com uma tarde de autógrafos do escritor Simão Pessoa, seguido de show de pagode, com a banda Insensatez.

Na nova decoração da casa, as frases cômicas do escritor são destaque, nas paredes da área de check in e check out, batizada de Espaço Simão Pessoa.

Uma das frases é “A mulher, para trair, precisa de um motivo. O homem só precisa de um lugar”.

As citações são do livro Manual do Canalha – 2ª Edição, cujo lançamento será durante a tarde de autógrafos. As frases são acompanhadas de caricatura do escritor.

Segundo o gerente da Fun Café, Mauro Drummond, a casa traz as cores preto, vermelho e verde como características do ambiente.

“Essas cores dão um clima mais intimista para os horários de almoço e happy hour, por exemplo. Ao mesmo tempo, durante a programação noturna, elas favorecem a iluminação e dão maior amplitude e conforto visual”, explica.

Ainda em relação ao design interior, a Fun Café traz dois ambientes especialmente pensados para exposição de imagens culturais, em uma faixa de papel de parede.

No canto esquerdo do mezanino, próximo ao bar, o público poderá conferir fotos de festas populares, como o boi-bumbá, e esportivas, como o wakeboard.

No lado direito, onde funciona o camarote Vip, uma faixa semelhante conterá fotos dos artistas que já desfilaram pelo palco da casa, incluindo bandas e DJs locais, nacionais e internacionais.

A tecnologia também se faz presente na Fun Café, com a implantação de 15 monitores de TV em LCD, de 20 e 42 polegadas, dispostos em diversos pontos estratégicos, incluindo bares, cabine do DJ, pista e mezanino.

A estrutura da casa permite, de acordo com a necessidade do evento, que sejam criados até 7 camarotes para 10 pessoas cada, na área do guarda-corpo do mezanino.

Outro exemplo é o palco da casa, que fica ao lado da cabine do DJ. O palco é móvel pode ser ajustado conforme a necessidade dos músicos.

Botequim do Insensatez, nesta quarta-feira

A roda de samba é o formato da apresentação das bandas Insensatez e Cuka Fresca, a partir das 22h desta quarta-feira (28), no Fun Café.

Trata-se da edição especial do “Botequim do Insensatez”, que acontece sempre na última quarta-feira do mês.

Antes da festa temática, a boate e restaurante funciona para o happy hour, a partir das 18h, com transmissão de partidas de futebol nos telões.

O diferencial da apresentação, nesta quarta-feira, é que as duas bandas de pagode tocam ao mesmo tempo. Os 12 músicos ficam reunidos em uma mesa, tocando, cantando e interagindo com o público, em um clima tão informal que até o repertório não é previamente combinado.

“A gente toca o que vier na cabeça e o que o público pedir. Claro, que as autorias de cada banda também estão presentes”, afirma o líder da Insensatez, Kisinho.

Ele avisa que haverá sorteio do CD O Tabuleiro do Amor, lançado este ano.

Programação cultural

De quarta a domingo, a Fun Café abre as portas para uma série de programações culturais. Pagode, sertanejo universitário, rock pop e dance music estão no repertório da casa.

As baladas começam sempre às 22h e o público feminino não paga ingresso até as 23h.

Às quartas-feiras, o pagode é o ritmo da noite, com a participação da banda Insensatez e convidados, na festa Boteco do Samba.

Na última quarta-feira do mês, tem o Botequim do Insensatez, reunindo as bandas Insensatez e Cuka Fresca, numa roda de samba.

Às quintas-feiras, o forró pé-de-serra comanda o clima da pista, na festa Xote Vip.

Às sextas-feiras, a pedida é a noite do Country Sertanejo, bem ao estilo country americano, com três bandas convidadas.

Aos sábados, tem o tradicional almoço típico, com a Feijoadíssima Fun Café, a partir das 12h. À noite, a Fun Café abre espaço para o rock pop e muita vibe de música eletrônica e do funk, na balada After Saturday.

Neste dia, os DJs residentes tocam lounge até a meia-noite. Depois desse horário, assume a banda de rock convidada, e das 3h às 7h, a e-music invade a pista.

A Matinê Fun, dedicada aos adolescentes de 14 a 17 anos de idade, é a única com horário diferenciado, funcionando das 17h às 22h de domingo.

Os valores para curtir as noites temáticas da boate Fun Café são únicos de quarta a sexta-feira: R$ 15 (mulher) e R$ 25 (homem). Aos sábados, os ingressos custam R$ 20 (mulher) e R$ 30 (homem).

Para a matinê de domingo, os jovens pagam R$ 15 (meninas) e R$ 25 (meninos), na pista.

Para o mezanino, o valor é R$ 30 (único para meninas e meninos), com direito a open bar de água e refrigerante.


(publicado no caderno Plus, do jornal Diario do Amazonas, em 27 de julho de 2010)

sexta-feira, julho 23, 2010

Os Quadrinhos Sacanas da Editora Peixe Grande


Sob a tutela de Toninho Mendes, responsável pela cultuada editora Circo, que publicou, entre outros sucessos, a revista Chiclete com Banana, com Angeli, Laerte e Glauco, na década de 1980, a editora Peixe Grande acaba de fazer o seu début no mercado editorial.

“Quadrinhos Sacanas – Os Herdeiros de Carlos Zéfiro”, o primeiro lançamento da Peixe Grande, compreende uma caixa com quatro livrinhos trazendo 12 histórias pornográficas desenhadas entre os anos 1950 e 1980 por autores anônimos, publicadas originalmente nos famosos “catecismos”, as revistinhas de sacanagem de outrora.

A intenção é mostrar que a produção das HQs desse gênero foi além do trabalho de Zéfiro. Cada livrinho traz um tema, que envolve viajantes espaciais, noites de núpcias, casais fora dos padrões normais e outros personagens e situações não muito usuais. O preço da caixa é de R$ 69,00.

Na sequência, a editora deve lançar “Maria Erótica e o Clamor do Sexo”, livro do jornalista Gonçalo Júnior que dá continuidade ao ótimo “A Guerra dos Gibis”, cobrindo agora o período de 1964 a 1985, os 21 anos da ditadura militar.

O livro, um calhamaço de 500 páginas, conta a história da censura aos quadrinhos e às revistas de sexo, a partir das publicações das editoras Edrel e Grafipar e da trajetória de seus editores, Minami Keizi e Claudio Seto.

“Maria Erótica e o Clamor do Sexo” seria publicado originalmente em dois volumes, o que chegou a ser informado por Gonçalo Júnior no Twitter, porém, para evitar que o valor final ficasse muito elevado para o leitor, foi decidido que sairia num livro apenas.

A editora Peixe Grande também tem intenção de publicar a antologia “Quadrinhos Sujos #2”, com HQs de sacanagem estrangeiras, dando continuidade ao primeiro volume, que foi publicado pela extinta Opera Graphica e encontra-se esgotado.

De acordo com o editor Toninho Mendes, a expectativa é trabalhar muito com recuperação histórica. “A Peixe Grande não é uma editora de quadrinhos, ela também edita quadrinhos. O intuito é o resgate sistemático do que aconteceu na imprensa brasileira, de uma maneira geral, com foco grande na pornografia, no erotismo e na sacanagem”, informou Toninho ao Universo HQ.

Resumo dos “Quadrinhos Sacanas”:


Volume 1 – Sexo Espacial – Seleciona histórias com temas muito em voga no Brasil no inicio dos anos 60, a corrida espacial, os discos voadores, Brigite Bardot e Super-Homem. São três historietas (“Ivo, o Marciano”, “Super Homem x Brigite Bardot” e “Valdir, o Astronauta”) constituídas de um anedotário muito particular. Imperdível para quem gosta destes temas. Absolutamente hilárias e safadas. Formato: 10 x 13,5cm / 112 páginas


Volume 2 – Defloramento – Reúne obras que primam pela malícia da sedução de típicos amantes latinos no momento da perda da virgindade. São três histórias (“Índio Quer Apito”, “A Primeira Noite” e “Denise uma Garota Especial”) criadas com diferenças de décadas uma da outra, mas que possuem em comum todo um linguajar próprio do ritual da sacanagem, onde o termo catecismo revela-se o mais apropriado para rotular estas peças pois é totalmente doutrinador. Também aqui temos uma unidade no grafismo. Todas as obras foram realizas a pincel e encontramos “cenas clonadas” das tiras Nick Holmes, Jim das Selvas e Flash Gordon. Formato: 10 x 13,5cm / 112 páginas.


Volume 3 – Sexo com Animais – Coleciona três histórias (“O Marinheiro”, “Morgon, o Pirata” e as “As 3 Cabras de Lampião”), que tratam de um tema real para o homem, desde tempos bíblicos. Parodiando clichês de clássicos da aventura, como náufragos, piratas e cangaceiros, são três pérolas gráficas repletas de detalhes legitimamente satíricos (do grego sathê, “pênis”), todas criadas por artistas gráficos profissionais que se mantiveram anônimos. Este volume contém a impagável “As 3 Cabras e Lampião”, uma das melhores histórias em quadrinhos cômicas de sexo do Brasil de todos os tempos e incrivelmente desenhada imitando os desenhos do conceituado pintor Aldemir Martins. Formato: 10 x 13,5cm / 112 páginas.


Volume 4 – Terceiro Sexo – É do escritor Millor Fernandes a frase: “Bons tempos quando só existia três sexos”. Também contendo três histórias (“Confissões de uma Moça Livre”, “Marlene Arranja um Homem” e “A Gang”), este é o mais politicamente incorreto tomo da coleção, mas é uma delícia de brega. Se bem que, para sua época, os anos 60, estas histórias eram vanguardistas na medida em que discutiam temas como liberdade feminina, opção sexual, críticas aos bons costumes familiares, corrupção, hipocrisia da alta sociedade, etc. E tudo embalado pela mais doce das putarias. Este volume revela ainda uma mudança no foco das referências gráficas dos seus artistas. Obras européias como Barbarella e revistas de fotonovelas pornográficas suecas são as novas influências. Formato: 10 x 13,5cm / 112 páginas.

quinta-feira, julho 22, 2010

Causos de Bambas

Embora fosse uma definição realmente crua, essa história de palhaça de televisão atribuída a Aracy de Almeida não tinha tom pejorativo.

A doce “Araca”, como era chamada por Noel Rosa, sempre dizia que era muito bem tratada pelo SBT.

A emissora mandava semanalmente um funcionário para subornar o chefe do trem noturno que fazia a ligação Rio-São Paulo, a fim de que ela pudesse viajar com seus cachorrinhos favoritos.

Um dia, no quadro de calouros “Quanto vale o Show”, apareceu uma moça para cantar um samba do repertório da Alcione, que fazia muito sucesso na época.

A moça era mulata e usava uma calça de lycra amarela realçando sua bunda descomunal.

Após alguns erros e acertos, a caloura encerrou sua apresentação e Silvio Santos foi interpelando cada um dos jurados, até que chegou em Aracy.

– Aracy de Almeida, quanto vale o show?

Aracy ajeitou os óculos e fez sua avaliação:

– Minha filha, tu leva quinhentas pratas, mas é pelo tamanho da jaca.

Roberto Freire e o famoso pernil do Bar do Armando

Janeiro de 1989. Candidato a presidente do Brasil pelo PPS, o deputado federal Roberto Freire foi convidado pelos comunistas da cidade para conhecer a Banda Independente Confraria do Armando (Bica), que tinha como tema naquele ano “A Lenda do Boto-Tucuxi”.

A marchinha ironizava a derrota de Gilberto Mestrinho e Josué Filho para Artur Neto e Felix Valois, ocorrida na eleição para prefeito do ano anterior.

Os compositores Guto Rodrigues e Celito Chavez fizeram uma marchinha carnavalesca em homenagem ao candidato e foram buscá-lo no aeroporto, chegando ao Bar do Armando em passeata.

Roberto Freire ficou encantado com a fuzarca dos “biqueiros” e conversou animadamente com membros do primeiro escalão do prefeito Artur Neto, entre os quais o secretário de Finanças Serafim Corrêa, a secretária de Assuntos Comunitários Magela Andrade e a secretária particular do prefeito Artur Neto, a saudosa Fátima “Fafá” Andrade.

Ex-membro do grupo Good Boys, Toninho do Sax fez várias exibições musicais para Roberto Freire, que estava em estado de graça.

Foi quando Celito Chaves resolveu apresentar ao candidato comunista o tira-gosto que fez a fama do boteco: o fabuloso pernil de leitão que só o Armando sabe a receita.

Um pratarraz no capricho foi colocado na mesa da diretoria.

Cheio da truaca e com uma fome de anteontem, Celito começou a detonar impiedosamente as iscas de pernil.

Quando ele se preparava para colocar um novo naco na boca, sua esposa, a arquiteta Heloísa Chaves, deu um grito:

– Não faça isso, Celito! Olha bem o que você está fazendo...

Celito parou com a isca a meio palmo da boca, examinou melhor e percebeu que não era um pedaço de leitão, mas um band-aid já usado no formato de anel.

Puto da vida, ele exigiu a presença do português na mesa aos gritos:

– Português imundo, vem cá ver essa merda que você fez!

Sem saber do que se tratava, Armando se aproximou da mesa e, de repente, seu rosto se iluminou:

– Meu anelzinho! Vocês encontraram meu anelzinho!

Antes que Celito abrisse a boca para iniciar sua espinafração, o português já havia apanhado o band-aid, recolocado em cima de uma ferida pustulenta que trazia no dedo anelar da mão esquerda e ido embora cuidar da vida.

O deputado Roberto Freire saiu do bar convencido de que é esse tempero que faz o pernil do Armando ser um autêntico manjar dos deuses.

O frequentador mais temido dos lupanares de Goiânia

Da esquerda para direita: Pedro Wilson, Leônidas Arruda, Lula e Fabrício Arruda

Meados dos anos 50. Quando era interno do Seminário dos Padres, em Tefé, o adolescente Leônidas Arruda, que sempre foi muito traquina, sofreu um acidente na cozinha da instituição, tendo sofrido queimaduras de terceiro grau em uma das pernas.

Os padres, pra castigá-lo, não providenciaram socorro em tempo hábil.

Com uma semana, as queimaduras evoluíram para uma infecção, que logo se transformou em gangrena e Leônidas, com pouco mais de 16 anos, teve sua perna amputada abaixo do joelho em um hospital de Manaus. Ele passou o resto da vida usando uma prótese mecânica.

No início dos anos 70, já cursando a Faculdade de Direito, em Goiânia, Leônidas, que sempre foi bem franzino, resolveu espairecer um pouco em um dos lupanares da cidade.

Bom de gogó e de goró, ele logo chamou para a mesa uma estonteante morena e, depois de acertarem o preço do programa, se dirigiram a um dos quartos do muquifo.

A morena fazia apenas uma exigência: ela era refeição completa, mas só transava no escuro. Leônidas topou.

Antes de começarem os finalmentes, a morena pediu para tomar um banho. Ele concordou.

Enquanto a morena se banhava, Leônidas se despiu, retirou a prótese mecânica, deitou na cama e cruzou a perna amputada sobre a perna boa.

Como a morena se demorasse no banho, ele começou a balançar a perna amputada, demonstrando impaciência.

Enrolada numa toalha de banho, a morena estava saindo do banheiro quando percebeu que a luz do banheiro havia projetado na parede a sombra de Leônidas deitado na cama.

Ao perceber o tamanho e a grossura daquela coisa balançando freneticamente na altura da cintura do parceiro, a morena deu um grito, horrorizada, apanhou suas roupas e saiu correndo do quarto.

Começava o falatório nos lupanares da cidade, jamais contestado, de que Leônidas Arruda era dotado de uma jeba descomunal. Assim nascem as lendas.

Um centroavante da bexiga liga

Setembro de 1976. O nosso imbatível time Murrinhas do Egito vai estrear no campeonato do Penarol enfrentando o Ferroviário, de Petrópolis, e trazendo escondido na manga um reforço de respeito: o cabuloso centroavante Ailton Santa Fé, um crioulo baiano de 1,85 cm de altura, 80 kg bem distribuídos no seu corpo malhado, sorriso de moleque no rosto e jeitão de artilheiro consagrado.

Depois de equipado, Ailton Santa Fé, ainda na parte externa do campo, começa a mostrar suas habilidades com uma bola no pé: faz duzentas embaixadinhas com a perna esquerda, depois duzentas com a perna direita, cinquenta com a coxa esquerda, cinquenta com a coxa direita, cem com a cabeça e cento e cinquenta com os ombros, passando a bola de um para o outro. Fica todo mundo impressionado. Os zagueiros do Ferroviário encarregados de marcar o negão começam a ficar nervosos.

O nosso time entra em campo e começa a bater bola, antes do início da partida, numa espécie de aquecimento. Ailton Santa Fé levanta a bola com estilo, faz meia dúzia de embaixadas e, ali na intermediária, dá um chute de folha seca, em direção ao nosso gol. A bola entra na gaveta, indefensável. O goleiro Walter Doido, que não era disso, aplaude o gol de placa.

O lateral-direito Carlito Bezerra vai até as proximidades do escanteio e mete uma bola pelo alto, no estilo chuveirinho. Ailton Santa Fé dá um salto felino, domina no peito e, sem deixar a bola cair, chuta de pé trocado, numa cópia perfeita daquele gol do Pelé contra a seleção tcheca na Copa de 70. A bola entra no ângulo. O goleiro Walter Doido aplaude de novo. Os zagueiros do Ferroviário, que estavam acompanhando a presepada do outro lado do campo, começam a se sentir desmoralizados antes mesmo de o jogo começar. Com aquele negão em campo, vai ocorrer um massacre.

O juiz chama os dois times pro grande círculo. A partida começa. Com cinco minutos de jogo, o armador Marco Aurélio dribla dois zagueiros e toca rasteiro para Santa Fé na altura da meia-lua. Estiloso no balde, Santa Fé tenta colocar a bola de curva na gaveta, mas a bola, inexplicavelmente, passa por cima de seu pé direito e o negão chuta o vazio. A bola sobra para um zagueiro adversário, que despacha a pelota com um chutão pro meio de campo. O negão, elegantemente, dá pequenos chutes no chão como se quisesse culpar o campo esburacado pelo acidente.

Cinco minutos depois, o ponta-esquerda Bobô dribla o lateral-direito, avança pela linha de fundo e toca pra trás. Santa Fé, que vinha numa correria medonha pra meter um chute de três dedos, pisa em cima da bola e cai estrepitosamente no chão. Esfola os joelhos e os cotovelos. O nosso capitão de equipe, Almir Português, começa a ficar cabreiro. Dez minutos depois, o ponta de lança Luiz Lobão arranca pela direita, ganha na corrida do quarto-zagueiro, o goleiro sai em sua direção, ele rola pra Santa Fé, com o gol escancarado. O negão passa pela linha da bola e tromba violentamente com o goleiro. Falta contra o nosso time.

Almir Português não pensou duas vezes. Foi na beira do gramado e gritou pro técnico (eu, evidentemente):

– Tira esse negão e coloca o Kepelé. Ele não é jogador de futebol, é malabarista de circo...

Fiz o que o capitão de equipe havia solicitado. Kepelé entrou, fez quatro gols e o Ferroviário tomou uma sonora goleada de 7 a zero. Nunca mais Ailton Santa Fé entrou em campo para jogar pelo Murrinhas do Egito. Mas continuou se equipando e fazendo seus malabarismos com a bola no pé na beira do campo. Era uma maneira de a gente desmoralizar psicologicamente os zagueiros adversários.

Causos de Bambas

De todos os sambistas contrários à prática do sexo oral, o que mais alardeava seu ponto de vista era o Mestre Marçal. Quando perguntado sobre o assunto, ele reagia energicamente.

– Que é isso, meu sobrinho, eu sou responsabilidade.

Uma vez, um músico que ensaiava com ele falou só pra provocar.

– Eu faço sexo oral e não acho nada demais.

Marçal reagiu com uma tirada genial:

– Então tá bom. Quando você for na minha casa, vai beber água na mão.

O rapaz não desistiu:

– Mas e se a mulher quiser fazer sexo oral, você vai impedir?

Marçal balançou a cabeça e respondeu:

– Aí tudo bem, a porca é ela.

segunda-feira, julho 19, 2010

Livro de luxo que destaca bumbum da Mulher Melancia será lançado no Rio


Ronaldo Pelli, do G1 RJ

“A Mulher Melancia, claro, é o maior ícone de bumbum no Brasil, o país conhecido no mundo inteiro por ter os melhores bumbuns.” Assim a jornalista e editora Dian Hanson justifica a escolha de Andressa Soares, mais conhecida como Mulher Melancia, para ser uma das três modelos principais do livro “The big butt book” (O grande livro dos bumbuns, numa tradução livre).

A obra de luxo da editora alemã Taschen terá lançamento oficial no dia 22 de julho na Livraria da Travessa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, com a presença de Melancia e Thiago Lucas, que escreveu o perfil dela no livro.

“The big butt...” segue um caminho de livros de fetiche, todos editados por Hanson, que vêm dando grandes resultados de venda e incluem ainda títulos como “The big book of breasts” e “The big penis book” (O grande livro dos peitos e O grande livro dos pênis, respectivamente).

Hanson tem currículo para opinar sobre fetiches: trabalhou por 25 anos editando revistas masculinas, sendo “nenhuma do estilo ‘Playboy’, todas mais explícitas”. “Leg show, podolatria, lingerie, dominação feminina e várias áreas de fetiche eram o que eu fazia de melhor e que me dava mais sucesso”, faz questão de contar.

Em 2001, depois de muita conversa e encontros, na ponte Nova York-Alemanha, Benedikt Taschen, dono da editora, conseguiu levá-la para editar o selo sexy.

EUA: a vez dos bumbuns

Além de Melancia, apenas mais duas mulheres merecem o privilégio de ganharem um perfil e um ensaio na publicação: Buffie the Body e Coco, dois nomes praticamente desconhecidos para o público nacional, mas que têm o apelo nos EUA.

“Com Buffie começou o interesse em revistas masculinas para negros e latinos nos EUA. Coco é conhecida como tendo o melhor bumbum de uma mulher branca nos EUA, e é muito popular por ser a mulher do rapper Ice T”, explica Hanson.

Para brasileiros, tão acostumados a apreciar o derrière das mulheres sem olhar a quem, pode parecer estranha essa divisão americana. Hanson explica, na introdução do livro, que foi uma cantora e atriz americana de pele morena e nome latino a responsável por colocar os bumbuns à frente das demais partes do corpo nos EUA: Jennifer Lopez.

“Há décadas que a América branca se preocupava apenas com os seios, criando um corpo ideal com uma estrutura cada vez mais magra e seios cada vez maiores. Desde a década de 1970 que nenhuma mulher que posasse para as páginas centrais da ‘Playboy’ admitia que os seus quadris medissem mais do que o seu busto, isto claro, até J. Lo aparecer.”

Isso se reflete até numa dificuldade em encontrar fotos para ilustrar o livro.

“O problema de fazer este livro foi a falta de registro”, explicou Thiago Lucas. “É muita gente desconhecida. Muito material pessoal, da própria Dian, dos trabalhos que ela vinha fazendo. Assim como o ‘Penis book’ não tem coisa antiga porque não se fotografava.”

Bumbum também é cultura

Mas não só de fotos explícitas fica o livro. Na obra, Hanson também explica a importância do bumbum na evolução humana. “O biólogo Dennis Bramble afirma que as ‘enormes’ nádegas humanas não passam de algo que nos permite correr e ‘impede que mergulhemos de nariz, sempre que um dos pés toca no chão’”.

Demonstra ainda cientificamente por que algumas mulheres são melhores que outras: “Mulheres de quadris estreitos que, contudo, acumulem gordura abaixo da cintura têm uma mais espetacular projeção das nádegas, especialmente quando combinada com uma lordose moderada, ou seja, uma acentuação da concavidade lombar.”

Além de contar um pouco de personagens da História do bumbum, como a africana Saartjie Baartman, que foi levada para a Europa para ser mostrada em circos de horrores por causa de sua anatomia avantajada, ou da Vênus Calípigia, a deusa greco-romana, cuja estátua apreciava a própria retaguarda.

Nas suas quase 400 páginas, Hanson aproveita ainda para fazer perfis de verdadeiros pigófilos – como ela explica: “o termo técnico para os apreciadores de traseiros”. São retratados os cineastas Tinto Brass e John Stagliano, este mais lembrado pela sua alcunha de Buttman (e que já retratou muita brasileira em seus filmes pornôs), o quadrinista Robert Crumb, conhecido pelos seus desenhos de mulheres avantajadas, e Eve Howard, que tem uma carreira ligada ao fetiche do açoitamento.

Como se vê, Dian Hanson é partidária dos excessos. “Eu pensei em ir atrás da brasileira que ganhou o concurso internacional de melhor bumbum, Melanie Nunes Fronckowiak, mas, francamente, achei que o bumbum dela era muito pequeno.”

Nas suas quase 400 páginas, Hanson aproveita ainda para fazer perfis de verdadeiros pigófilos – como ela explica: “o termo técnico para os apreciadores de traseiros”. São retratados os cineastas Tinto Brass e John Stagliano, este mais lembrado pela sua alcunha de Buttman (e que já retratou muita brasileira em seus filmes pornôs), o quadrinista Robert Crumb, conhecido pelos seus desenhos de mulheres avantajadas, e Eve Howard, que tem uma carreira ligada ao fetiche do açoitamento.

Como se vê, Dian Hanson é partidária dos excessos. “Eu pensei em ir atrás da brasileira que ganhou o concurso internacional de melhor bumbum, Melanie Nunes Fronckowiak, mas, francamente, achei que o bumbum dela era muito pequeno.”

Caia no samba e ajude uma criança!

Euclides Amaral lança a 2ª edição de "Alguns Aspectos da MPB"

Chegou a 2ª edição do livro “Alguns Aspectos da MPB”, de Euclides Amaral, reunindo em 321 páginas oito ensaios sobre o samba, o choro, o hip-hop, o funk, os letristas da mpb, a mpb no cinema, a influência estrangeira na mpb e a nova geração da mpb no século XXI.

Através de uma icnografia com 174 imagens o leitor poderá reconhecer expoentes do choro, do samba e de outros gêneros musicais, além cantoras, cantores, letristas e músicos da nova geração da mpb de vários estados do país.

Receba o livro em casa por apenas R$ 35,00 (livraria virtual Plurarte - com frete incluído) ou baixe de graça em pdf na promoção limitada do site baixada fácil. Eu recomendo.

sexta-feira, julho 16, 2010

O zagueiro Lucio Preto e o rei Dadá Maravilha


Na foto: Félix, China, Marinho Macapá, Murica, Marcelo, Reginaldo e Antônio Carlos. Agachados: Bendelak, Carlos Alberto Garcia, Dario Maravilha, Hidalgo e Edu. (clonado do blog “Bau Velho”, do querido Carlos Zamith)

Maio de 1984. O Nacional havia contratado vários craques veteranos do futebol brasileiro (o ponta-esquerda Edu, ex-Santos, o centroavante Dario Peito de Aço, ex-Atlético Mineiro e ex-Inter de Porto Alegre, e o meia-armador Estélio, ex-Cruzeiro, entre outros) e estava se apresentando com todas suas estrelas no estádio Floro Mendonça, em Itacoatiara, enfrentando o Penarol.

Com dez minutos de jogo, Estélio enfia uma bola na diagonal para Dario Peito de Aço. O quarto-zagueiro Lucio Preto, ex-Murrinhas do Egito, sai na cobertura e divide a bola com o centroavante. Os dois jogadores se chocam com violência e ambos caem no chão. A bola sai pela lateral do campo.

Ainda ajoelhado no gramado e massageando o tornozelo atingido pela patada de Lucio Preto, Dario resolve provocar o zagueiro:

– Porra, compadre, pra que essa violência toda? Até parece que você não conhece o Dadá Maravilha...

Também de joelhos no gramado e sério que só cu de touro, Lucio Preto não deixa por menos:

– Não conheço e nem quero conhecer. Eu vim do mato e vou voltar pro mato porque já respondo a dois processos por homicídio. E na primeira oportunidade que aparecer, eu vou quebrar o teu pescoço...

Antes que Dadá Maravilha abrisse a boca para fazer a tréplica, Lucio Preto gritou para o lateral esquerdo Tobias, ex-Canarinhos de Petropolis, que ia passando perto dos dois.

– Ô, Tobias! Vamos jogar sério que tem mais maconha pra gente no intervalo...

Assustadíssimo, Dadá se levantou de campo ainda mancando e pediu pra ser substituído. Estava na cara que ele não tinha mais saúde (nem coragem) para enfrentar um índio homicida com a cabeça cheia de “dirijo”. O Penarol ganhou o jogo de um a zero.

Paulo Mamulengo strikes again

Outubro de 2005. Um bebedouro da cantina do ICHL tomou chá de sumiço e as suspeitas recaíram sobre o estudante de Filosofia Paulo Mamulengo, presidente do Centro Acadêmico de Filosofia e o único com tutano suficiente para cometer aquela façanha na maior cara de pau.

O reitor Himdembergue Frota instalou uma Comissão de Sindicância para apurar a presepada. Três funcionárias sexagenárias foram nomeadas para a comissão.

Depois de uma série de desencontros, as anciãs conseguiram localizar o “suspeito” no campus universitário e iniciaram o interrogatório formal.

– Eu posso saber de que estou sendo acusado? – indagou Paulo Mamulengo.

– É que roubaram um bebedouro da cantina do ICHL e a gente está tentando localizar o responsável! – explicou uma delas.

– E eu posso saber quando foi que se deu esse crime hediondo? – insistiu Paulão.

Uma das senhoras consultou uns papéis que trazia no meio de diversos formulários com o timbre “confidencial” presos em uma prancheta e anunciou:

– Foi na tarde da terça-feira, dia 17, entre 14 e 15h...

Paulão pensou um pouco, criando uma expectativa nervosa entre as anciãs, e aí detonou:

– Se foi nesse dia e nesse horário, não fui eu não. Podem procurar outro suspeito...

As anciãs se entreolharam cada vez mais nervosas e uma delas insistiu.

– Não foi o senhor por que?...

Paulão não contou conversa:

– Porque na tarde de terça-feira, dia 17, entre 14 e 15h, eu estava comendo a bunda do professor Paulo Monte dentro do banheiro masculino do ICHL. Podem perguntar dele...

As anciãs ficaram pálidas. Aí, como se acabassem de ter visto o Demo palitando os dentes, meteram o pé na carreira. A Comissão de Sindicância acabou na mesma hora. O professor Paulo Monte, quando soube da história, só faltou morrer de rir.

Soube-se depois que o bebedouro havia sido levado para o prédio de Licenciatura em Letras pelos estudantes do referido curso, a partir de uma sugestão de José Mair, bonequeiro, artista plástico, agitador cultural e “cria” de Paulo Mamulengo. Atualmente, Zé Mair mora na Espanha.

quarta-feira, julho 14, 2010

Calcinha Preta comanda a festa de aniversário de Manacapuru

A banda de forró Calcinha Preta será a principal atração do Manacá Fest 2010, que começa nesta quarta-feira e vai até o dia 17 de julho. O festival levará quase 20 atrações musicais ao Parque do Ingá durante a comemoração dos 78 anos do município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus).

Segundo a vocalista Ana Gouveia, uma dos cinco integrantes do Calcinha Preta, a banda sergipana vai cantar no Manacá Fest, quinta-feira, hits nacionais como Saia e Bicicletinha e Você não Vale Nada, tema da personagem de Dira Paes na novela global Caminho das Índias.

Ana disse ainda que o público também poderá conferir faixas do novo CD Volume 22 - Vou Ganhar Você que acaba de ficar pronto e chega às lojas nos próximos dias. "É muito gratificante podermos levar à região Norte as músicas do novo disco, pois é um público pelo qual temos muito carinho", enfatizou.

A música amazonense também tem espaço garantido no Manacá Fest 2010. David Assayag e o grupo Raízes Caboclas fazem a festa na noite de sábado. O imperador da nação azul prometeu um show para todos os gostos. "Vamos levar toadas dos dois bois porque a idéia é que fora do Festival (de Parintins) possamos diversificar e agradar a galera", explicou.

A expectativa é de que pelo menos 80 mil pessoas participem do evento durante as quatro noites.

Como Chegar:

De carro: Travessia de balsa Manaus/Cacau Pirêra pelo Porto de São Raimundo e segue para Rodovia Manoel Urbano (AM-070), 84 quilômetros em linha reta até Manacapuru.

De ônibus: Terminal Rodoviário Engº Huascar Angelim, Torquato Tapajós, próximo ao Carrefour de Flores. Tel.: (92) 3642-5805 ou saída do Cacau Pirêra de hora em hora.

Artistas amazonenses classificados para o 40º Festival Nacional da Canção

Os músicos amazonense Candinho & Inês, Armando de Paula e Edimar Castro da Silva (Maestro Dino) irão representar a Amazônia no 40º Festival Nacional da Canção que será disputado em 6 etapas em 6 cidades do Sul de Minas Gerais (Extrema, Formiga, Varginha, Pouso Alegre, Três Pontas e Boa Esperança) de 30/07 a 06/09.

Cada cidade abrigará uma eliminatória do Festival, sendo que 30 músicas serão apresentadas em cada uma delas, sendo 15 na sexta e 15 no sábado. Apenas seis músicas serão classificadas por cidade e estas irão disputar a semi-final e a final na cidade de Boa Esperança (272 km de Belo Horizonte e 380 km de SP), entre os dias 04 e 06 de setembro.

Este ano, 3.010 canções foram inscritas e apenas 150 foram classificadas. Os músicos amazonenses foram os únicos da Região Norte que tiveram suas músicas aprovadas, sendo que Candinho e Inês irão defender 4 canções; Armando de Paula, duas e Dino, uma.

O Projeto Cultural Uakti, da Associação dos Pesquisadores do INPA (ASPI), incentivou a inscrição dos músicos e propôs à Coordenação do Festival que durante as 6 etapas do festival fossem realizados shows de artistas do Amazonas na programação paralela que acontece todos os anos nas praças dessas cidades, antes do festival propriamente dito.

A coordenação do Festival aprovou a idéia e os shows paralelos estão sendo montados. O músico Armando de Paula, que vai disputar o festival e coordenar o show “Amazônia” na programação paralela, já convidou alguns músicos, entre eles, Célio Cruz, Torrinho, Antonio Pereira, Candinho & Inês, Nicolas Jr., Lucinha Cabral. Robertinho Chaves; Família Dino e Neuber Uchoa Ainda estão sendo contactados outros artistas.

A idéia é realizar um show diferente em cada cidade, a fim de mostrar a beleza e a diversidade da música amazonense. Também serão expostas obras de artes plásticas e apresentação de recitais poéticos de autores amazonenses.

Maiores informações: 3632-0512 (William) e 9188-9198 (Armando).

Lippo Music exibe concerto do Portishead no Espaço Difusão Cultural


PORTISHEAD / THIRD / CONCERT LIVE PRIVE

COLORIDO - 65 MINUTOS

GRAVADO EM 03 DE MAIO DE 2008 PELO CANAL PLUS DA FRANÇA (CANAL+)

DVD PREPARADO EM 10 DE JULHO DE 2008

MATERIAL ELABORADO E FINALIZADO POR UM FÃ DA BANDA

Músicas do Show: Silence/ Hunter/ Mysterons/ The Rip/ Magic Doors/ Wandering Star/ Machine Gun/ Nylon Smile/ Threads/ Roads/ We Carry On

“Esteja alerta para a Regra dos Três, o que você dá retornará para você, essa lição você tem que aprender, você só ganha o que você merece”

Assim começa o show, com esta fala do brasileiro Claúdio Campos, também constando na abertura do CD Third, de 2008. Claúdio é um professor de capoeira, amigo de Geoff Barrow, o letrista e principal alquimista do som da banda. A frase remete a influências místicas de escritos de Hermes Trimegisto, A Chave Mística, resvalando também na magia da Wicca.

A plateia acompanha atenta ao desenvolvimento musical sutil do Portishead, num cenário perfeito para que as bases sonoras da banda acalentem os corações tempestuosos. A música é grave, mas não carregada e extrema, de vibrações calculadas com precisão.

Trip Hop legítimo, e a voz enigmática de Beth Gibbons continua sua jornada de mistério, sua atuação como cantora é de encher os olhos, dada a precisão de seu minimalismo visceral.

A cozinha básica do Portishead continua a nos servir de um cardápio sonoro de qualidade, e aqui temos a grata surpresa de vermos Geoff Barrow preencher a percussão de forma segura e elegante.

A guitarra de Adrian Utley nos conduz a momentos de extremo êxtase, e já é uma marca registrada do Portishead.

Os sintetizadores se coadunam com a melodia um tanto quanto macabra em algumas canções, mas a poética de letras como a de The Rip é tão linda que deixaria qualquer cadáver feliz.

Sonhos com cavalos que percorrem campos vazios e que nem a brancura de seus pelos nos deixam felizes, pois o amor é algo que estaria na outra esquina da solidão.

Nisso tudo aparece um jogo de metal de um saxofone preciso, que “grita”, que urge por uma batida glamorosa. A voz de Beth Gibbons é puro gozo, é algo impressionante ver como ela consegue emoção com uma voz “estática”, mas que penetra nos segredos mais profundos de nosso ser.

Arcos de violino, slide guitar, uma bateria eletrônica que só falta falar, um pedal de guitarra que entra com um efeito tocado com a mão, um teclado gótico do século XXI, e a competência de uma banda que nunca esteve preocupada em fazer música para tocar nas rádios.

O sucesso veio assim, com prêmios fartos logo no lançamento de Dummy(1994), e uma legião de apreciadores de seu som único e de seu ecletismo característico, onde a banda revigora a música, unindo como poucas o inusitado dos samples e efeitos de pick ups “vinílicas” a orquestra sinfônica de Nova York(no memorável Roseland NYC Live, de 1998).

É pura mágica! O show é todo assim, e é uma pena ser tão curto, e com algumas músicas de Third ficando de fora da apresentação.

Porém, vale a pena comparecer no Coletivo Difusão no dia 16 DE JULHO/ SEXTA-FEIRA, às 20h e entender o porquê do PORTISHEAD ter demorado onze anos a lançar o seu terceiro trabalho. Não é preciso pressa quando se trata de deixar um bom registro para a eternidade.

Data: 16 de Julho de 2010, às 20h

Local: COLETIVO DIFUSÃO – Rua Monsenhor Coutinho, 801 – Centro.

(Próximo ao Hotel do Largo e ao CAUA)

Taxa de Manutenção (Simbólica): R$1,00 (Um real)

ASSENTOS LIMITADOS

Informações: 8421-3391 / 9116-6775

coletivodifusao@gmail.com / vicaflag@hotmail.com

domingo, julho 11, 2010

Fabricio Carpinejar destila irreverência e poesia para retratar o homem contemporâneo

Canalha!, novo livro de crônicas do escritor gaúcho Fabrício Carpinejar, é uma provocação desde o título. Um ato corajoso e irreverente contra os rótulos masculinos. Uma leitura divertida do homem contemporâneo, perplexo e desorientado com as transformações de comportamento e a dissolução dos papéis fixos familiares. O autor mostra que o canalha mantém o charme sexual, mas não é mais o mesmo apregoado pelo Nelson Rodrigues e tantos escritores da metade do século XX.

"Aquele cafajeste de outrora mudou, não é mais o tipo machista e intolerante. Esqueça os personagens de Jece Valadão", afirma Carpinejar. "Há outro canalha mais perigoso em ação, uma mutação cultural: um canalha caseiro, que não tolera preconceito (aceita ser confundido com gay e entende o chamado como um elogio), que vai fundo no sofrimento para não repeti-lo, gentil dentro das expressões, que ama demasiado os filhos, que se veste com estilo, mas não se importa com o que os outros vão pensar, que encontra a autocrítica no humor, que se aproxima de uma mulher para roubar sua alma (porque o corpo é muito influenciável)."

São crônicas que respeitam sua natureza original de conversa, amáveis e despretensiosas. Para serem saboreadas tanto no café-da-manhã, ao lado de uma boa xícara com leite quente e farelos de pão, ou numa mesa romântica, com a toalha manchada de vinho. E por que não numa leitura a dois na cama, atuando como preliminares?

As verdades mais fortes acabam ditas com delicadeza. Textos leves, chamando o leitor para cada vez mais perto. Uma nova percepção do cotidiano, admitindo as imperfeições e as gafes, sem medo de viver para evitar sofrimentos.

"Não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores", propõe na crônica "Insista". Puro carisma de um autor, que mede o mundo com as palavras e os gestos, disposto a se abrir e emoldurar as lembranças com suas histórias.

Carpinejar cria uma espécie de contraponto viril de sua coletânea de sucesso, O amor esquece de começar (2006). Defende a "alma masculina" como sinônimo de sensibilidade. Analisa as relações amorosas, homenageia a amizade dos detalhes e as preciosidades da rotina, desfaz tabus sociais. É capaz de provar a gravidez masculina, onde o homem não contará para a amada que aguarda seu filho no ventre, ou de destacar o cuidado dos velhos pais com seus filhos adultos, preservando o quarto deles exatamente como deixaram ao saírem de casa.

O texto de orelha é assinado por Xico Sá: "Entre uma canalhice explícita e um inocente ‘Ivo viu a uva’, Carpinejar, o cronista, o poeta, o fabulador, o mito, o homem, o álbum branco dos Beatles, nos enfeitiça, desgraçado bom de lábia, de escrita e de jabs. Parece golpe baixo, mas o cara é capaz de observar o origami da pressa que foi feito, pela mulher, com o papelão cortado do biquinho da caixa de leite, donde sugere um peito platônico ou quase, pelo menos para os tarados de plantão terá sido mais ou menos isso, por supuesto".

Textos como "O fim é lindo", "Sexo depois dos filhos", "Emprestando roupas ao marido", "Amor é coisa de boteco", "É adorável uma mulher toda nua, ou quase, de meias brancas", "O orgasmo feminino e o quindim" e "Procura-se um brinco", entre muitos outros, fazem de Canalha! um livro para homens e mulheres - casados ou solteiros, lobos ou cordeiros.

Diferente dos dicionários e muito além do significado dos vocábulos, Carpinejar capta o sentimento da pronúncia.

Fabrício Carpinejar, 35 anos, nasceu em Caxias do Sul (RS). Escritor, jornalista e professor, publicou poesia, literatura infantil e crônicas.

Foi premiado com o Erico Verissimo 2006, pelo conjunto da obra, da Câmara Municipal de Vereadores de Porto Alegre, com o Olavo Bilac 2003, da Academia Brasileira de Letras, entre outros.

Atua como coordenador do curso de Formação de Escritores e Agentes Literários, e professor do Curso de Formação de Músicos e Produtores de Rock, ambos da Unisinos (RS).

Desde outubro de 2005 mantém o blog Consultório Poético, em que responde a dúvidas amorosas dos leitores. Colabora com diversos jornais e revistas, e assina a coluna "Primeiras intenções", da revista Crescer.

Pela Bertrand Brasil, publicou As solas do sol, Cinco Marias, Como no céu / Livro de visitas, O amor esquece de começar, Meu filho, minha filha e Um terno de pássaros ao sul.

Trechos do livro Canalha!

"É pelas expressões que se define a segurança masculina. Sempre duvidei do homem que diz que vai fazer xixi. Xixi é coisa de criança. Eu não represo a gargalhada quando um amigo adulto e de vida feita comenta que vai fazer xixi. Imagino o cara sentado. Infantil como Ivo viu a uva. Já urinar é muito laboratorial. Prefiro mijar, direto, rápido e verdadeiro. As árvores mijam. Os relâmpagos mijam. Os cachorros mijam para demarcar seu território. Aliás, o correto é não anunciar, ir ao banheiro apenas, para evitar constrangimentos vocabulares." (p. 18)

"Uma mulher não se interessa por um homem que seduz como quem dá as cartas, um homem que solicita a conta como quem fecha um negócio, que envolve como se fosse um investimento. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha também músculo nas pálpebras para chorar por ela, músculos na boca para guardar sua língua." (p. 66)

"As mulheres têm o direito de deslocar sua data de nascimento; elas são as idades que imaginam. Mas os homens, eles não desfrutam desse talento e são completos amadores. Nem sabem onde estão se metendo. Falta-lhes sutileza, preparo. Falta-lhes, acima de tudo, unidade." (p. 224-225)

sábado, julho 10, 2010

A História dos Quadrinhos (Parte 1)

Em 1895, Richard Felton Outcault desenhava uma página no suplemento dominical colorido do jornal New York World, chamada Down Hogan’s AlIey. A página introduziu Yellow Kid, o primeiro personagem famoso das Histórias em Quadrinhos, que celebrizaria seu roupão amarelo até nos palcos da Broadway.

Em 1904, as histórias de Yellow Kid foram compiladas e deram origem à revista em quadrinhos.

Antes do Kid, os quadrinhos eram rudimentares. Little Bears and Tigers (1892) de Jimmy Swinnerton, considerado por muitos o verdadeiro pai do gênero, não usava seqüência de quadros nem diálogos com balões.

O fato é que Yellow Kid mostrou que quadrinhos vendiam jornais. E os artistas passaram a ter seus passes disputados pelos grandes rivais da imprensa.

William Randolph Hearst, proprietário do New York Journal, não só contratou os melhores desenhistas da época, inclusive Outcault, como providenciou o segundo sucesso histórico dos quadrinhos.

Hearst sugeriu a Rudolph Dirks, então com 20 anos, que adaptasse as aventuras de Max und Moritz para o seu jornal. Surgiam os Katzenjammer Kids, mais conhecidos como Os Sobrinhos do Capitão, dois endiabrados pirralhos que adoravam atormentar a família.

As primeiras tiras (strips) eram cheias de personagens infantis. Além dos citados, havia entre os mais famosos, Little Nemo, que vivia no mundo dos sonhos e A Aninha (Little Orphan Annie), a órfã boazinha de Harold Gray.

Mas também havia muitos bichinhos humanizados como Maud de Frederick Burr Opper, o brilhante Krazy Kat de Herriman e seu sucessor, o gato Felix de Pat Sullivan, que lidavam com o humor em sua forma mais pura, ao contrário dos personagens tirados dos cartoons cinematográficos, que encenavam sempre o mesmo sketch: pequenos Davis do reino animal invariavelmente levando a vantagem sobre seus maiores e mais fortes antagonistas.

Os Três Porquinhos e o Lobo Mau, de Disney, começaram a tradição, continuada por Tom e Jerry, Pernalonga, Pica-Pau e inúmeros outros.

O bichinho mais famoso, Mickey, chegou aos jornais em 1930. Seu maior concorrente, o Pato Donald, em 1938. Em muitas partes do globo (incluindo o Brasil) é o genioso pato que lidera em popularidade.

O mérito é de Carl Barks, o artista que desenhou os primeiros quadrinhos das revistas Uncle Scrrooge (Tio Patinhas) e Walt Disney’s Comics and Stories. Ainda hoje, suas sempre reprisadas histórias de caça a tesouros perdidos inspiram novas aventuras, como Duck Tales.

O charme do “tipo azarado” foi outro fator de sucesso de Donald. O azarado era uma categoria de personagem popular no início dos quadrinhos,descendente de Happy Hooligan (1899, de Opper), Mutt (que fazia dupla com Jeff) e Dagwood (o marido de Blondie).

A criação de uma rede de distribuição nacional (Syndication) causou o primeiro grande impacto nos quadrinhos.

Os personagens de maior identificação pertenciam à classe média baixa e ignoravam a era do jazz – à exceção de Polly, da tira Positive Polly (mais tarde, Polly and Her Palls) de Cliff Sterrett, que despertava temores em seus pais devido a seus vestidos escandalosos e estilo coquete.

Pafúncio (Bringing Up Father) de George McManus, foi a tira mais bem sucedida do período, centrando seu argumento na guerra doméstica entre um casal novo-rico.

Foi McManus, aliás, quem criou a primeira tira familiar, The Newlyweds, responsável pela temática predominante nas primeiras décadas: a crise entre a bela esposa atarefada e o bom marido vagabundo – tema levado à perfeição por Chic Young nas tiras de Blondie.

As primeiras tiras de quadrinhos eram cômicas e caricatas e por isso foram chamadas de comics, nome que persistiu mesmo quando seu conteúdo se abriu para o campo da aventura e dos problemas sociais. Os quadrinhos de humor (funnies) reinaram até os anos 30.

Contudo, a partir do crack da economia americana, até mesmo personagens de traço caricato como Ferdinando (L’il Abner), de Al Capp, passaram a temperar o humor tradicional com um estilo satírico grotesco.

Mas a principal guinada dos comics, que passaram a refletir a necessidade de fuga da crise do período entre-guerras, foi o surgimento das tiras de aventura e dos super-heróis.

Foi um marinheiro introduzido por Elzie Segar na série ThimbleTheatre (1924) quem fez a transição. Popeye foi o primeiro super-herói dos quadrinhos, adquirindo super-força ao ingerir espinafre.

A era das tiras de aventura começou, de fato, com Tarzan e Buck Rogers, publicados, por coincidência, no mesmo dia (7 de Janeiro de 1929).

As primeiras tiras de Tarzan foram adaptadas do livro Tarzan dos Macacos de Edgar Rice Burroughs, de 1914.

Harold Foster, o autor da adaptação, desenvolveu uma técnica romanceada em suas ilustrações, substituindo os balões convencionais por legendas.

A idéia foi especialmente feliz por resolver um problema peculiar: Tarzan, de acordo com o conceito original de Burroughs, não falava nenhuma linguagem específica.

Após Foster, o melhor artista de Tarzan foi Burne Hogarth, responsável pela transformação do Homem-Macaco em um super-herói selvagem.

Buck Rogers foi o primeiro herói espacial. Boa parte dos conceitos de suas tiras, de autoria de Phil Nowlan e Dick Calkins, eram baseados em escritores como Jules Verne e H. G. Wells.

O próprio tema das histórias, um astronauta do século XX que despertava cinco séculos no futuro, possuía relação direta com A Máquina do Tempo de Wells.

Suas aventuras ainda mostraram o primeiro pouso na Lua, mísseis, lasers, televisores, robôs e, numa seqüência de 1939, seis anos antes de Hiroshima, uma descrição da bomba atômica.

Buck Rogers também foi a primeira novela radiofônica adaptada dos comics (1932) e o personagem da primeira revista em quadrinhos mensal dos EUA, Famous Funnies (1933).

O filão aberto por Buck Rogers foi seguido por Brick Bradford, outro viajante do tempo, criado por William Riu e Clarence Gray em 1933.

Graças a seu “Balão do Tempo”, o herói vivia aventuras que se desenrolavam tanto na pré-história como no futuro distante.

A idéia colou até mesmo no funnie Brucutu (Ailey Oop) de V. T. Hamlin, também de 33. Em 1939, Brucutu e sua namorada Ula (Dola) foram desmaterializados em sua época pré-histórica, graças a uma engenhoca do tempo, e transportados para o século XX.

Mas nenhum personagem de ficção foi tão famoso quanto Flash Gordon.

O herói, criado por Alex Raymond em 1934, foi a outro planeta, salvou a terra da destruição e ainda lutou ao lado dos americanos na Segunda Guerra Mundial. Flash Gordon foi também a primeira aventura dos quadrinhos adaptada para o cinema (em 1936).

Alex Raymond era o artista mais criativo de seu tempo. No mesmo dia em que Flash Gordon foi publicado, ele lançou Jim das Selvas (Jungle Jim), em aventuras transcorridas no Sudoeste Asiático. Ao lado da bela Lil e de seu companheiro hindu, Kolu, Jim Bradley disputava o público de Tarzan com o único rival a altura da arte de seu autor: Hal Foster.

As selvas também foram exploradas pela editora Fiction House, especialmente nas páginas da revista Jumbo Comics, lançada em 1939 e adaptada do maior sucesso da editora, as Jungle Stories dos anos 20.

Jumbo Comics apresentava aventuras de vários personagens, entre eles Hawk, criado por Will Eisner, e Sheena, uma garota perdida na selva. A loira de maiô tigrado, inventada por W. Morgan Thomas, foi a primeira heroína das revistas em quadrinhos. Em 1942, essa versão feminina de Tarzan ganhou revista própria.

A King Features, a editora mais poderosa da época, também tinha a sua Jungle strip. Na verdade, o Fantasma (The Phantom), uma criação de Lee Falk e Ray Moore em 1936, era mais que uma simples história de selva.

O Fantasma era um justiceiro mascarado, um dos primeiros heróis uniformizados, que cumpria o juramento de um ancestral do século XVI, combatendo o mal nas selvas.

Seus auxiliares eram os terríveis pigmeus Bandar, os únicos além de sua namorada, (e posteriormente esposa) Diana Palmer, que conheciam a localização da caverna da Caveira, seu lar, e os segredos de sua origem.

Para os malfeitores, o Fantasma era uma lenda, “o espírito que anda”, um imortal com mais de quatrocentos anos de idade, que deixava em suas vítimas a marca da caveira.

As histórias de Tim e Tom (Tim Tyler’s Luck), de Lyman Young (irmão de Chic Young, autor de Blondie) também chegaram às selvas da África.

Entretanto, a tira começou como uma aventura de aviação, vertente inspirada no vôo de Charles Lindenbergh através do Atlântico, em 1927.

O herói mais popular entre inúmeras tiras de aviação dos anos 30 era Ace Drummond, de Eddie Rickenbacker e Clayton Knight.

O western também habitava as tiras. Os principais “mocinhos” dos quadrinhos eram o Rei da Polícia Montada (1935) de Zane Gray, Red Ryder (1938) de Fred Harman e Zorro (The Lone Ranger, 1939), adaptação da mais popular série radiofônica de todos os tempos.

Havia aventuras realmente exóticas, como as vividas na China por Terry e os Piratas, de Milton Caniff, as inúmeras voltas ao mundo de Tintin, o personagem de quadrinhos mais popular da Europa, criado por Hergé, aliás George Remis, num jornal de Bruxelas, Bélgica, em 1929.

Mas o grande filão das tiras dos anos 30 foi mesmo a realidade das ruas, transformada em manchetes graças à onda de violência que varreu os EUA durante a Lei Seca.

A primeira tira policial séria foi desenhada por Chester Gold em 1931: Dick Tracy atuava em Chicago, o principal reduto dos gangsterismo, na época dominada por Al Capone.

Seus inimigos eram grotescos, deformados como o crime. Por isso, Dick Tracy entrava em ação derrubando portas a tiros de metralhadoras e esparramando sangue em quantidade industrial.

O maior noir dos detetives dos quadrinhos foi Red Barry, criado por Will Gould em 1934 para disputar o concurso que daria um desenhista ao agente secreto X-9, de Dashiell Hammett.

O ruivo Barry era um irlandês durão, convicto de que a lei deveria se opor ao crime com métodos tão violentos quanto fossem necessários. Sua vida foi curta, infelizmente.

Seis anos após sua estréia, a censura interna da King Features exigiu uma reformulação do personagem, que deveria renunciar à violência e ter o conteúdo moral de suas histórias alterado. Gould encerrou a carreira.

Alex Raymond, o primeiro desenhista do detetive do FBI conhecido como agente secreto X-9, por ironia, acabou redefinindo o perfil áspero dos detetives dos quadrinhos.

Ao contrário dos tipos dos anos 30, Rip Kirby (no Brasil, Nick Holmes), que Raymond trouxe ao mundo em 1946, era um intelectual sofisticado, burguês, que amava música clássica, bebia moderadamente, jogava xadrez e golfe... até usava óculos!

O tema “herói detetive” ainda se prestaria a variações como a de Charlie Chan, o detetive chinês, Mandrake, o detetive mágico, os mascarados Spirit e Sombra e o super-detetive Batman, entre os mais famosos.

A grande contribuição das tiras de aventura, na verdade, foi uma nova concepção de desenho, que exigia conhecimento da anatomia, perspectiva, luz, sombra e uma acurada busca de autenticidade em todos os detalhes – O Príncipe Valente de Hal Foster foi o ápice.

Os enredos das tiras, porém, não eram novidade. Já existiam em pulp, revistas baratas com histórias curtas estreladas por um mesmo personagem. Doc Savage, criado por Lesse Dent, foi o primeiro herói a se denominar “super-homem”.

O Sombra de Maxwel Grant, por sua vez, foi a grande influência de Batman. Quando os dois se encontraram, em 1972, Batman admitiu: “Nunca disse a ninguém, mas você foi minha maior inspiração! Será uma honra apertar sua mão”.

Doc Savage e o Sombra, personagens dos pulps, viraram quadrinhos quando sua editora, Street e Smith, decidiu entrar no boom dos comics nos anos 40.

Galeria de Personagens

Ferdinando (L’il Abner) é um caipirão que foi caçado até ao altar por Violeta (Daisy Mãe), uma loirinha ingênua e deliciosa nas medidas de Marilyn Monroe. O escritor John Steinbeck chegou a considerar suas desventuras o melhor exemplo de seu tempo. Seu maior clássico foi a saga dos Schmoos (os tipos bizarros inventados por Al Capp eram inúmeros), criaturinhas amáveis que, infelizmente, reproduziam tão rápido que ameaçavam arruinar a economia.

Krazy Kat foi precursor dos quadrinhos underground. Sua ultrajante farsa de amor e ódio envolvia um gato andrógino, um rato sádico e um policial. Ignatz era o rato com uma missão: acertar Kat com um tijolo. O gato, porém, amava loucamente o rato e via em cada tijolo um míssil de amor. George Herriman criou esse comic clássico em 1941 e morreu com ele em 1944. A tira não teve seqüência – seu apelo não era popular. Entre os ávidos admiradores de Krazy Kat encontravam-se o poeta e.e.cummings e o presidente Wilson.

As aventuras de Little Nemo, iniciadas em 1905, duravam uma página, tempo suficiente para o menino sonhar e cair da cama. O traço de Winsor Mccay possuía uma perspectiva única, que transformava as duas dimensões dos quadrinhos num plano infinito. Sua fantasia onírica antecipou o surrealismo, bombardeando o papel com rococós, sets bizantinos e detalhamento obsessivo.

Os Sobrinhos do Capitão são inspirados em Max und Moritz, onde Wilhelm Busch já misturava poemas infantis com desenhos ilustrativos. Rudolph Dirks adaptou as histórias de dois garotos levados da breca e desenvolveu a técnica de contar uma história a partir de seqüências narrativas (os quadrinhos) e do uso dos balões.

Yellow Kid, o risonho garotinho oriental de camisola amarela de Richard Felton Outcault, foi o primeiro que reuniu as características que passaram a definir a história em quadrinhos: um elenco regular de personagens em histórias com continuação, um tema comum e texto integrado à imagem, que mais tarde se desenvolveu em balões com legendas.