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segunda-feira, janeiro 24, 2011

Causos de Bambas: José Carlos Laport


Nos anos 60, a alta nobreza plutocrática americana preferia o Lyford Cay Club, em New Providence Island, nas Bahamas, ao Country Club do Rio de Janeiro.

Explica-se o aparentemente inexplicável: o Lyford Cay Club ocupava a metade da ilha onde está instalada Nassau, capital do arquipélago formado por setecentas ilhas e dosi mil arrecifes coralinos.

Já naquela época, o território das Bahamas era considerado o que se chama de Profit Sanctuary, ou seja, um santuário fora do alcance do Income Tax, o leão americano, que, comparado, faz do nosso felino um gato de armazém.

No Lyford não circulava dinheiro de nenhuma espécie, os sócios não assinavam notas, não davam gorjetas, não levavam aqueles colares com continhas monetárias.

Simplesmente, no fim do ano, faziam-se as contas de quanto havia sido gasto por todos e dividia-se o bolo em partes iguais entre os sócios.

Nunca dava menos de um milhão de dólares per capita, o que evidentemente era uma pechincha ridícula, sobretudo considerando as famílias que frequentavam aquele paraíso tropical: os Mellon, os Rothschild, os Niachos, os Onassis, para citar apenas alguns.

Solamente dois brasileiros foram admitidos como sócios pelo paraíso tropical onde se localizavam Florestas Negras, Taj-Mahals, Tulherias, Thermas de Caracalla, Bois de Boulogne e tudo que apenas os olhos dos associados e felizes convidados poderiam ver, pois era proibido entrar máquinas de filmar ou fotografar e se um helicóptero se aventurasse no espaço aéreo do Lyfor seria abatido a míssil.

Os brasileiros: Joaquim Monteiro de Carvalho (dono da Volkswagen) e José Carlos Laport (negócios com a Petrobrás), ambos miliardários.

Conta-se, a propósito de José Carlos Laport, um episódio curioso e que dá bem a medida de quem eram os coroados do Lyford Cay Club.

Laport tinha o seu centro operacional em Houston, no Texas, e como era obrigado a frequentar o seu bar predileto em New Providence, mantinha lá um sócio, Newton Lins, que o substituía nas negociações com a Petrobrás durante suas ausências.

Certa ocasião, Newton Lins comprou um Rolls-Royce rigorosamente inacreditável até para um aurífero morador de cobertura na Vieira Souto: um Camargue branco, refulgente, triunfante, de embasbacar Harun-al-Rahchid, vivo fora.

Para exibir o tesouro abissínico, Newton foi buscar o sócio no aeroporto, em Houston.

Laport chegou, acomodou a bagagem, acomodou-se e foi direto ao assunto: money, money, money.
Nenhum comentário sobre a maravilha britânica.

Frustradíssimo e inconformado com o insucesso do seu transatlântico, Newton, afetando voz passiva, arriscou, indiferente:

– Já tinhas andado num desses, Laport?

Laport:

– Na frente, nunca.

Um comentário:

Anônimo disse...

tem outra.
Sentado confortavelmente em sua habitual poltrona na 1a classe, chama um dos membros do staff de bordo: Garçon! por favor, garçon...
E vira-se o comissário de bordo e diz furiosamente: Eu não sou garçon não!!! E veio a resposta: Se voce vê-lo por aí, peça-lhe a gentileza em me servir mais outro uísque.