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quinta-feira, março 01, 2012

O Amor não é...


por Luana Segatto

“O amor não é aquilo que faz teu coração palpitar. O nome disso é taquicardia. O amor é outra coisa.”

No ar há mais de 2 anos e com quase 200 posts, o twitter @naoehamor reúne mais de 10 mil seguidores, dentre eles alguns ilustres, como Gregório Duvivier e William Bonner, todos interessados em descobrir o significado para uma das palavras mais complexas do nosso vocabulário.

O autor do twitter que reúne frases como “O amor não faz você ver a vida com outros olhos. O nome disso é transplante de córnea. O amor é outra coisa” é anônimo.

Listando uma série de clichês românticos, o autor diverte seus seguidores com frases que sempre terminam em “o amor é outra coisa”.

Mas, afinal de contas, para ele, o que é o amor?

– Nós não definimos o amor. Apenas identificamos tudo aquilo que pode ser confundido com este sentimento – explica.


Thaiz Schmitt, Márcia Spézia, Adriane Galisteu, Edson Aran (diretor de redação de Playboy) e Ana Lúcia

A ideia surgiu do trecho de um artigo postado no blog de Edson Aran, que deu início à essa estrutura de frases sobre o que não é amor.

Questionado se o amor ou algum relacionamento também motivaram a criação do twitter, não hesita: “Eu namoro há 4 anos e meio. Mas o amor não faz você passar anos ao lado de uma pessoa. O nome disso é penitenciária. O amor é outra coisa”.

Nos anos 80, a série de figurinhas e papeis de carta “Amar é...” virou febre entre jovens românticas que tentavam “coisificar” o amor.


Antes delas, um sem número de autores, músicos, poetas e pessoas comuns tentaram explicar o que de fato era aquele sentimento tão... misterioso.

Se a conjugação do verbo amar é simples, achar seu significado é bem mais complicado.

Mas depois do twitter anônimo, surgiram outros que também tentam fazer a missão mais divertida.

Marco Broghi, do twitter @naoeamor, é um deles.

“É difícil falar do amor sem ser óbvio”, diz.

Difícil mesmo.

Talvez Nietzsche, quando definiu que “o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são”, tenha chegado perto.

Ou seria Mario Quintana, quando escreveu que “a melhor definição de amor não vale um beijo”?



NOTA DO EDITOR DO MOCÓ

Apesar da febre tuiteira da série Amor não é, Edson Aran anda meio puto com a presepada conforme deixou transparecer nessa entrevista feita ao site Bumerangue, do Vitor Diel, em abril do ano passado:

Negada deve achar que tu tens o trabalho mais legal do mundo — como diretor de redação da Playboy, tu és pago para passar o dia todo vendo foto de mulher pelada. É isso mesmo?

Vou te contar um troço: teve um dia lá na redação, já faz uns meses, que eu me peguei admirando as fotos de uma moça e pensando “nossa, como ela é gostosa!” E aí me toquei que, de tanta preocupação, pressão e outros “ão”, fazia um tempão que eu não relaxava e curtia o trabalho, observava uma foto só pelo prazer de observá-la. Depois disso eu adotei um Grilo Falante ao contrário, que fica sempre me lembrando: “Se liga! Se não for para se divertir não vale a pena…”

Tu és escritor, redator de humor, cartunista, tuiteiro compulsivo e jornalista empregado. Bastante coisa, hein? Como tu administras teu tempo para te dedicares a tudo isso com a mesma disciplina? Ou rola um ghost writer às vezes? Fala a verdade.

Quem mexia com ghost writer era o Chico Xavier. Eu sou apenas workaholic e não tenho vida social. Só isso.


Muita gente no Twitter imita tuas piadas, como aquela do sapateado e a série “o amor não é”. Tu consideras o roubo de piadas um elogio à tua criatividade?

O sapateado eu não ligo, porque inventei isso para pontuar a tuitagem, ou seja, para escrever depois que eu falava alguma coisa séria e pesada. Aí eu vinha com “E agora algo totalmente diferente — um número de sapateado! Tap! Tap! Tap!”, etc. Já “o amor não é” me deixa puto. Eu inventei isso faz nove anos no Site do Aran. A idéia é comparar algo extremamente mundano com frases feitas sobre o amor. É quase um hai-kai na composição e na dificuldade. Aí vem um monte de babacas e faz de qualquer jeito, sem se ligar na sutileza da composição. Quando criaram um twitter chamado “naoehamor”, ou uma bosta dessas, eu mandei uma mensagem e pedi que eles parassem com isso. Eles não pararam, ficaram indignadinhos e responderam que era “homenagem”. Ora, vão homenagear a mãe deles, que trabalha dia e noite no bordel para levar dinheiro para casa! Não é homenagem, é roubo puro e simples. E agora um sensacional número de sapateado! Tap! Tap! Taptaptaptap! Taaaaaaaaapppppp! Tap! Tap! Tap!

Millôr Fernandes recomenda a leitura de “O imbecilismo”, de Edson Aran. Millôr Fernandes é um gênio. Logo...

Logo ele também faz bobagens e, portanto, talvez não seja tão gênio assim.


Complete as lacunas: Fui ao ______ onde comi uma _______, uma _______ e uma _______ . A _______ estava ________.

(o normal é cinema/pipoca/jujuba/bala/pipoca/murcha)

Sabe como eu completei? Puteiro / loira / japonesa / anã / japonesa / morta.

Sei não, mas seu psicanalista não vai achar nada engraçado. Vamos fazer um bate bola? Comente as seguintes palavras, personagens ou expressões. Primeiro: Jair Bolsonaro.

Fascistinha ridículo.

Presidenta.

Tá mais eficienta do que eu tinha em menta.

Língua.

Sou bom nisso.

Brasil.

Economicamente, vai na direção do Primeiro Mundo. Culturalmente, vai na direção dos quintos.

São Paulo.

Shoppings.

Minas Gerais.

A comida é um trem bão demais da conta, sô.

Mamilo.

Dois.

MPB.

Máfia, Pretensão e Bobagem.

Algum recado para os nove leitores de Bumerangue?

Oi, vocês vêm sempre aqui?

E aí, curtiu?

Achei legal, mas o leitor é quem sabe. O leitor tem sempre razão. Mesmo quando não tem.

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