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sexta-feira, agosto 18, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 61)


PUTA – Modo vulgar de classificar a mulher que se relaciona sexualmente através de pagamento em dinheiro. Puto é um modo pejorativo de chamar homossexuais, mas do jeito que a prostituição masculina se alastra (ver classificados dos maiores e mais familiares jornais do país), breve os prostitutos masculinos serão classificados da mesma maneira.
Quando a puta é rica, passa a ser cortesã. Quando o puto é rico, passa a ser gay ou entendido.
De um modo geral as putas são putas forçadas pelas circunstâncias socioeconômicas.
Até pouco tempo (antes da TV Globo decidir que virgindade era feio) as moças do interior “se perdiam” e eram expulsas de casa. Sem outras habilidades, se mudavam para cidades vizinhas, onde passavam a dar mediante pagamento.
De um modo geral, as putas pobres (a imensa maioria) são excelentes mães, coisa que não acontece com as putas ricas.

Entretanto, os filhos das primeiras são chamados de filhos da puta e os das últimas emergem socialmente e se transformam em pilares da sociedade.
Neste meu livrinho vocês foram apresentados a muitas putas ricas desde Aspásia, acusada por Aristófanes de ter deflagrado a guerra entre Atenas e Esparta, mas nem por isso menos louvada por Platão (vêem como ele não era tão platônico), até Christine Keeler, que arruinou Profumo.
Há, porém, as putas pobres que, em grandes cidades americanas, doentes e sujas, aos sessenta, setenta, oitenta anos felaciam clientes por menos de um dólar.
No belo filme “Senhoras e Senhores, Boa Noite”, Ugo Tognazzi faz o papel de um aposentado cuja vida sexual se resume a ir uma vez por ano até a estrada “dove si trovanno le putanne” e se fazer masturbar enquanto pensa em atrizes famosas.
A coisa é feita ao ar livre e a prostituta pergunta antes de começar o serviço: “Mão quente ou mão fria?”
Mão quente é um luxo, de modo que Ugo é masturbado com a mão fria e para tanto paga antecipadamente 2 mil liras (pouco mais de 4 dólares). Já as putas do Rakadou, de Copenhague, costumam cobrar cerca de 1.500 dólares por noite.
Na puritana Londres vitoriana havia cerca de 80 mil prostitutas. Considerando-se que a cidade tinha menos de 3 milhões de habitantes, se excluirmos os homens, as velhas e as crianças do sexo feminino, convenhamos, era muita puta.
Talvez exista uma profissão tão antiga, mas não mais antiga.
Alguns ortodoxos garantem que existem símias da família do mandril que se oferecem sexualmente ao macho com o único propósito de lhe roubar a comida. Ele se limita a fingir que não vê. Como vocês classificariam essa transação?

QUADROS, Jânio da Silva (1917- ) – Este verbete é, em verdade, apenas um lembrete, pois a sacanagem que o nosso homenageado fez no dia 21 de agosto de 1961, todos sabem. E como dói.

Por muito menos (afinal a Noruega não tem nem 8% dos habitantes do Brasil) outro senhor, cujo sobrenome começa com Q (Quisling), foi devidamente condenado à morte por traição.

Não é à-toa que Jânio Quadros sempre foi o guru de José Sarney.

QUANT, Mary (1934- ) – Bolou e espalhou a minissaia. Em 1957, abriu uma butique chamada Bazaar, em Londres, que foi um sucesso imediato e em menos de sete anos ela já era proprietária de mais de quinhentas outras nos Estados Unidos e na Europa.
Agora deve estar uma coroa, mas quando a conheci era muito bonitinha.
Tenho saudades do tempo da minissaia, assassinada pelos Rabanes, Givanchys, Saint-Laurents e outros moços que cobriram novamente as pernas das mulheres por preferirem as pernas dos homens.

QUARK – Em 1964, a tomada do poder à força pelos militares para acabar com a pouca vergonha, o roubo, a pusilanimidade, o nepotismo e a inflação e transformar o Brasil nesta ilha de paz, prosperidade e justiça social que é hoje, não foi o único fato relevante na história do calendário mundial.
Neste mesmo ano, também, o físico norte-americano Murray Gell-Mann publicou uma teoria segundo a qual todas as partículas existentes no universo, à exceção dos léptons – partículas e antipartículas leves abrangendo o elétron e, consequentemente, o pósitron, os muos e seus correspondentes, os neutrinos – seriam constituídos de uma partícula básica, o quark.
Não se excitem, mas, cá entre nós, os quarks são de três tipos, o nefando “P”, o solerte “N” e o esguio “Y” de cabeça para baixo.
O primeiro com dois terços da carga elétrica do elétron e os outros dois com apenas um terço.
Os bárions seriam constituídos dos três quarks e os antibários de três antiquarks.
Já os mésons, mais comedidos, seriam constituídos apenas de um quark e um antiquark.
Usando este esquema é possível explicar todas as partículas existentes, com a exceção dos léptons, como já disse, e suas formas de transformação.
Portanto, segundo esta teoria, quando os quarks e os antiquarks se unem despudoradamente em trincas e pares, eles constituem toda a matéria do universo.
Na sua configuração mais estável formariam o próton. Na sua configuração mais instável, formariam o nêutron.
Prótons e nêutrons unidos constituem o núcleo de todos os átomos.
Os átomos se unem em moléculas. Estas formam as substâncias e as substâncias formam os corpos que, por sua vez, fazem sacanagens.
Tudo é quark, inclusive vocês, seu fambólios! Vão dizer que não entenderam?

ABC do Fausto Wolff (Parte 62)


RABELAIS, François (1484?-1553) – Dois caras que quanto mais investigo menos descubro sobre suas vidas, são Rabelais e Hieronymus Bosch. Não fosse pelos livros do primeiro e pelos quadros do segundo daria para desconfiar que nunca existiram.
De Rabelais, por exemplo, se sabe que foi um monge franciscano que virou beneditino. Se foi expulso pelos franciscanos ou se preferiu beneditar a franciscar, a História não registra.
Dizem que perto do fim da vida estudou medicina, mas se desconhece o nome de qualquer pessoa que tenha curado. Está aqui porque escrevia histórias de sacanagem e foi protagonista – embora não confesso – de muitas das suas narrativas.
Se o marquês de Sade houvesse lido Rabelais com maior atenção, certamente não se levaria tão a sério, substituiria a dor pelo humor e não acabaria a vida entre os malucos do hospício de Charenton.
Rabelais sacaneou muita gente e seguramente teria acabado em cana não fosse um cara tão cheio de charme a ponto de se tornar chapinha do rei Francisco I e da rainha Margarida de Valois.
Parece que a dupla real fazia pipi nas calças ouvindo as histórias desse monge do qual o descendente mais moderno é o fradinho baixinho do Henfil, talento assassinado em 1988 pelo governo brasileiro, que lhe vendeu sangue infectado com o vírus da AIDS.
O trabalho mais conhecido de Rabelais, escrito em estilo idiossincrático e debochado, são os cinco volumes que compõem As Grandes e Heróicas Aventuras de Gargantua e Pantagruel, que – está na cara – foram condenadas pela Sorbonne e pelo papa de plantão.
Ao narrar escatologicamente os bodes que criaram o gigante Gargantua, seu filho Pantagruel e o companheiro de farra, Panurge, Rabelais usou o sexo para desmascarar a mesquinhez e a hipocrisia dos poderosos; os mesmos poderosos que assariam, quase cinquenta anos depois, numa fogueira em Roma, outro frade, este dominicano, chamado Giordano Bruno, pelo crime de dizer que a terra girar em torno do sol era mais natural que a Santíssima Trindade.
Vou dar um trailer rabelaisiano. Panurge, um grande gozador (desconfio que Shakespeare bebeu no vinho de Rabelais para criar o seu Falstaf), tem um ataque de TG (tesão galopante) ao ver uma senhora da alta sociedade parisiense sair da missa. Aproxima-se galantemente e informa:
– Madame, seria de grande benefício para a humanidade, delicioso para a senhora, honroso para a sua descendência e, principalmente, necessário para mim, que eu a cobrisse a fim de propagar a minha raça.
A dondoca, completamente despida de senso de humor, manda o bom Panu procurar a turma dele. Ele, porém, não desiste:
– Garanto-lhe, madame, que bastaria olhar uma única vez para a minha magnífica mortadela...
Não consegue terminar a frase, pois leva um tapa na cara. Não perde entretanto a postura:
– Deusas e deuses celestiais, como seria feliz o homem que a tivesse em seus braços e pudesse tocar, mesmo que de leve, o seu presunto na sua presunta...
A esta altura a mulher começa a berrar e o sacana dá no pé. Domingo seguinte, porém, disposto a demonstrar a paixão que sente, chama a mulher para um canto. Ela, pensando que ele irá se desculpar, se aproxima. É quando Panurge abre o seu casaco e lhe mostra a peça duríssima:
– Olhe como a senhora me deixa.
Ela recomeça o berreiro e Panurge finalmente se convence de que a sua paixão não é correspondida. Foge e planeja a vingança.
Primeiramente mata uma cadela no cio. Depois faz das chamadas partes pudendas da bichinha uma espécie de pó.
No domingo seguinte, na igreja, joga o pó sobre a mulher que o desprezara, apesar dos seus bons modos. O cheiro do pó atrai para dentro do templo quase todos os cachorros de Paris, que se jogam sobre a madame.
Os que fizeram menos cheiraram e lamberam, os que fizeram mais a mijaram, isso para não falar dos que tentaram conhecê-la literalmente. Antes que a grã-fina pudesse se trancar em casa, ela havia atraído 600.014 cachorros.
Certamente, um exagero de Rabelais. Provavelmente não foram mais que uns quatrocentos cães.
Atenção e muito respeito, senhoras da alta sociedade carioca: Nataniel Jebão tem a receita do pó de Rabelais.

RAIS, Gilles de (1404-1440) – Barão, marechal de França, riquíssimo senhor feudal. Se distinguiu aos dezoito anos como soldado corajoso e leal, lutando primeiro nas guerras pela sucessão no ducado da Bretanha e, posteriormente, a favor da duquesa de Anjou, contra os ingleses.

Foi designado para assessorar Joana d'Arc e lutou heroicamente em muitas batalhas ao lado dela. Libertou Orleans junto da camponesa de Dorémy (que virou Santa) e consagrou Carlos VII, que o promoveu a marechal aos trinta anos.
Continuou servindo como guarda-costas de Joana quando Paris foi atacada. Depois da prisão dela ele ainda tentou libertá-la inutilmente. Como todos sabem, ela acabou assada pela Igreja.
O jovem marechal voltou para o seu condado, onde fundou a capela de Machecoul e com seus soldados encenou para a população a batalha de Orléans.

Sua bela mulher, Catherine de Thouars, o esperava em seu fabuloso Castelo na Britânia.
Era dono de uma quinta parte das terras de França, que havia herdado de seu pai e do seu avô materno. Sua corte era mais esplendorosa que a do rei e gastava dinheiro a rodo com a manutenção de centenas de criados, soldados e padres.
Além disso, era um mecenas da música, da literatura e das artes plásticas. Se dava ao luxo de ser um senhor feudal justo, boa-pinta, inteligente e amado por todos os moradores do seu domínio.
Agora eu pergunto: como que o dono de tão belíssima biografia foi condenado à morte e enforcado? Eu mesmo respondo: parece que era um mau entendido, ou seja, uma bicha muito ruim.
Aliás, botem ruim nisso: a bicha mais ruim da história da humanidade.
Assim que se retirou para o seu castelo, crianças de cinco a quinze anos, de ambos os sexos, começaram a desaparecer das redondezas. E continuaram desaparecendo durante mais de cinco anos (1435-1440).
No princípio, por incrível que pareça, ninguém reclamou. O sacana raptava, violentava e depois desmembrava os corpos dos infantes. Dava, evidentemente, preferência aos meninos, cujos pauzinhos comia como churrasquinho depois de matá-los.
Ficou impressionado com a vida dos imperadores romanos e quis superá-los, coisa que conseguiu, pois era infanticida, necrófilo, pederasta, satanista e sacrílego.
O pessoal podia adorar o seu senhor mas não era tão burro a ponto de aceitar calmamente o desaparecimento de mais de oitocentas crianças, sempre nos arredores do castelo.
Acabou sendo preso em 1440, julgado perante o tribunal eclesiástico de Nantes e, posteriormente, pela corte civil.
A princípio o monstrão sabia do seu poder – ele se recusou a tomar conhecimento das denúncias.
Quando porém, foi ameaçado com a excomunhão – vai ver que tinha medo de ir para o inferno, pois era um bom católico, que rezava e comungava todos os dias em sua capela particular com seus padres particulares –, reconheceu a autoridade da Corte, mas se declarou inocente.
Foi condenado por heresia pelo tribunal da Igreja e sentenciado à forca pelo tribunal civil.
Sua confissão, seu arrependimento e a resignação com que deixou que lhe enfiassem o laço do carrasco no pescoço fez com que fosse aclamado como um exemplo de ovelha perdida que volta ao rebanho de Cristo.
Antes de morrer se proclamou católico temente a Deus e o que é mais incrível: a população feminina, principalmente, dos seus domínios implorou que não o matassem!
Há quem diga, porém, que o duque de Bretanha estava interessado na sua ruína financeira e que ele só confessou debaixo de tortura. E o pessoal torturava para valer naquela época!
Só não torturava tanto quanto os gorilas do DOI-CODI, no Brasil, porque ainda não haviam descoberto a eletricidade. Em suma, não levou choque nos culhões. Mas, porra, que fim levaram as oitocentas crianças?

RASPUTIN, Grigori Jefimoviteh (1871? - 1916) – Deste se pode dizer tudo, menos que fosse hipócrita ou que jogasse água fora da bacia. Era metido a mágico, mas não escondia. Aliás, comparado com ele, o Tartufo, de Molière (boa a tradução do Guilherme de Figueiredo, devo dizer), não passa de um sacaninha pé-de-chinelo.

A começar pelo seu nome: Rasputin, em russo, quer dizei debochado. Em português, rasputinha, provavelmente, quer dizer amante do ditador de plantão.
Aos vinte anos de idade e quase dois metros de altura, decidiu que queria ser santo. Escolheu uma religião à altura do seu talento: uma seita chamada Khistly, cujo lema era “Peque porque você talvez seja perdoado”.
Ué,o Gilles de Rais, depois de matar oitocentas criancinhas, não medrou na hora de ser excomungado por temor de não ir para o céu? Antônio Carlos Magalhães, Roberto Campos, Delfim Netto, Newton Cruz, Celso Furtado, Moreira Franco, Saulo Ramos, Rubem Medina, Paulo Maluf, Ernesto Geisel, João Figueiredo, Walter Pires, Brilhante Ustra, entre outros, não são todos bons cristãos? Qual é o espanto? Mas rasputearei.
Os maluquetes da seita Khistly passavam os dias e as noites dançando e se chicoteando. Depois de bem dançados e chicoteados iniciavam os negócios sérios: tremendos bacanais que duravam semanas. Bons bacanos.
Como Rasputin dava cinco sem tirar e podia escalar várias mulheres numa só noite, logo se tomou líder do grupo e passou a ser conhecido como “o monge grande, porém, duro”.
Sua primeira providência foi expulsar todos os homens da seita a porradas. Em seguida perambulou anos pela Rússia acompanhado de algumas dezenas de mulheres. Ele pregava, curava e organizava surubas monumentais, tudo em nome de Deus.
Eu disse que ele curava porque, aparentemente, tinha um poder energético tão grande que bastava pousar a mão sobre a parte doente do corpo do cara que pedia o seu socorro para curá-lo. Parece, também, que não cobrava nada dos pobres e havia muitos pobres na Rússia do seu tempo.
Em 1903, ele pintou com o seu mulherio em São Petersburgo, onde foi apresenta-do a uma grã-fina doidinha (as pobres têm seu valor, mas uma ricaça boa, cheirosa e limpinha vale muito mais), dessas que vivem em cartomantes, sessões espíritas, consultam horóscopos, búzios, cuidam do biorritmo e hoje em dia dividem seu tempo entre o psicanalista e o pai-de-santo quando não estão corneando o marido.
De cara ele curou a caganeira do cachorro da duquesa Militsa (este o nome da grã-fina) e daí por diante se colocou na posição que o diabo gosta. Passava os dias enchendo a cara, trepando e curando, não necessariamente nesta ordem.
Acabou sendo apresentado ao czar (vem de César, que, por sua vez, quer dizer tesoura em inglês) Nicolau e à mulher Alexandra, que recém havia dado à luz um menino hemofílico que os melhores médicos da Corte haviam desenganado. Pois não é que o Rasputin fez com que o garoto melhorasse a ponto de convencer a czarina que ele era o único homem do mundo que podia manter o filho dela vivo?
Mal-educado, bêbado, sujo, barba longa e ensebada, fedendo, ele fazia o que queria numa corte corrompida e decadente que logo logo, com Lênin, veria o que era bom para a tosse, bronquite, rouquidão.
Sua influência sobre Alexandra era tamanha – uma vez, de porre, ele disse que a havia comido – que em 1900 ela lhe escreveu numa carta: “Meu amado mestre, redentor e mentor, eu gostaria de morrer dormindo sobre seus ombros”. E não era pelo tamanho dos ombros que Rasputin era conhecido.
Comeu metaforicamente quase todas as mulheres comíveis de corte, que lhe lambiam os dedos após ele haver comido literalmente, como sempre fazia, seus alimentos com as mãos. A polícia secreta, por ordem de membros moles e invejosos do governo, passou a vigiá-lo e reportou que em sua casa viviam entrando e saindo princesas e prostitutas.
Deduraram Rasputin para Alexandra, mas ela os chamou de detratores e os mandou ler os apóstolos, que “também beijavam as pessoas como forma de cumprimento”.
Um belo dia, porém, o príncipe Yusipov decidiu matá-lo. Não de homem para homem, pois o bicho era mais forte que um cavalo.
O príncipe e mais um bando de canalhas da extrema-direita russa o convidaram para um jantar à base de vinho Madeira e tortas recheadas de cianureto.

Rasputin comeu e bebeu veneno suficiente para matar cinco elefantes e pediu mais. Deram-lhe cinco tiros. Ele não pediu mais.

Limitou-se a cair sem perder os sentidos. Mas não morreu. Tiveram que botá-lo num saco, ainda com vida, e afogá-lo no rio.
Era casado e tinha três filhos medíocres. Quem morreu logo depois dele foi o príncipe, filho de Nicolau e Alexandra. 
O que se passou em seguida, em 1917, todo mundo sabe.

ABC do Fausto Wolff (Parte 63)


REICH, Wilhelm (1897-1957) – Dizem que era maluco. Se eu o tivesse conhecido, pagaria para ver. (Só agora que notei que comecei este verbete com o verbo dizer, o que é perigoso, pois lembra a minha ficha no SNI: “Dizem que é comunista. Atua num telejornal onde, através de comentários jocosos, faz críticas à civilização ocidental.”)
Acontece que este psiquiatra alemão foi tão sacaneado por todos os tipos de poderes que, certamente, não poderia ser má pessoa. Talvez tenha morrido maluco, mas isso acontecerá com todos nós que nos confrontarmos diariamente com a nossa ignorância.
Já por volta de 1930 disse para Freud: “Você é muito freudiano”.
Depois de lutar como soldado na Primeira Guerra Mundial, abriu uma clínica, onde tentou ajudar trabalhadores que achavam que estavam trabalhando demais e recebendo muito pouco e por isso eram considerados loucos. Foi neste período – 1924-1930 – que entrou para o partido comunista.
Para provar que não era tão visionário assim, quando Hitler subiu ao poder se mandou para a Dinamarca, onde publicou Die Massenpsychologie des Faschismus (A Psicologia de Massa do Fascismo), denunciando o comunismo como outra forma de fascismo.
Levou pau de Freud, de Hitler e, finalmente, de Stálin. Tudo antes dos trinta e três anos. Nem Cristo conseguiu tantos milagres.
Em 1934, deu um jeito de ser expulso da Associação Psicanalítica Internacional, principalmente por causa do seu livro A Análise do Caráter.
Depois de ser posto para fora da Dinamarca e da Suécia, arranjou um emprego na Universidade de Oslo, mas, em 1937, começou a ser atacado pela imprensa norueguesa, razão pela qual fez as malas em 1939 e se mandou para New York, onde abriu uma clínica psiquiátrica e deu aulas na New York School for Social Research até 1941.
Freud (como a Xuxa, todo mundo conhece, mas poucos conhecem intimamente) achava que atrás das neuroses havia a repressão sexual e mais: que a personalidade de um homem é determinada pelas suas características sexuais. Reich, porém, ia além.
Ele achava que a energia sexual reprimida era venenosa e destrutiva. No seu livro A Função do Orgasmo, de 1942, ele diz: “É preciso gozar sem inibições; descarregar toda a excitação sexual através de agradáveis e involuntárias contrações dos músculos do corpo. Um orgasmo inadequado deixa um surplus de energia no corpo que pode causar doenças”.
Enfim, ele acreditava que, na hora do orgasmo, homens e mulheres deveriam se abandonar totalmente sem inibições com todos os músculos do corpo. Vai daí que, enquanto isso não fosse resolvido fisicamente, era besteira insistir em longas e caras sessões de análise.
Era contra a repressão sexual que os adultos impõem aos mais jovens e da luta contra a autoridade dentro da família passou à luta contra qualquer tipo de autoridade. Não é à-toa, portanto, que a garotada dos anos 60 viu nele o seu guru.
Pensava mais ou menos assim: se as coisas que têm que acontecer não acontecem no momento certo e não são liberadas, elas crescem como um câncer dentro do ser humano.
No princípio ele achava que esta energia não acumulada existia apenas em homens e mulheres. Com o tempo, porém, passou a acreditar que esta energia não liberada era universal e pré-atômica.
Batizou-a de orgone, uma mistura de orgasmo com organismo. Ela seria a força prisioneira que existe em qualquer matéria do universo e seria até mesmo responsável por fenômenos paranormais como os discos voadores.
Quando declarou, finalmente, que o orgone era Deus, foi considerado definitivamente esquizofrênico.
Em 1945, ele deixou New York e se isolou no Estado de Mayne, um pouco acima.

Lá escreveu que a energia do orgone se irradia do corpo humano – uma espécie de energia psíquica –, mas apenas quando o corpo é saudável.

Quando a energia está bloqueada, provoca câncer e outras doenças como sagitário, capricórnio e gêmeos.
Para corrigir isto, ele construiu umas caixas de metal e madeira. O paciente era colocado dentro delas e recebia a superabundância de energia de orgone existente no cosmo.

Vendeu muitas dessas caixas, garantindo que elas curavam o câncer. E na época surgiram centenas de pessoas declarando-se curadas.
Em 1956, já tendo abandonado a psiquiatria há algum tempo, foi condenado a dois anos de prisão pela venda dos acumuladores de orgone. Morreu de um ataque de coração um dia antes de ser posto em liberdade.
Durante todo o tempo em que esteve nos Estados Unidos foi perseguido pela polícia, pelo FBI, pela Food and Drug Administration e, principalmente, pelos seus colegas, que insistiam que ele era louco. Queimaram os seus livros e destruíram os seus orgones, o último deles em 1957.
Dele disse o Dr. Nic Waal, um dos poucos que não o perseguiram: “Ele estava em pedaços. Em parte por sua culpa, mas principalmente por causa dos outros. Ninguém pode suportar tanta crueldade e solidão sem se quebrar interiormente”.
Pessoalmente, creio que aconteceu com Reich o que aconteceu com os psicanalistas que tentaram usar o LSD como um acelerador do processo terapêutico. Foram desacreditados e impedidos de trabalhar.
Reich era um espírito anárquico que provavelmente descobriu antes do tempo a vacina contra o câncer. Ia tirar dinheiro do bolso de muitos laboratórios e acabar com a fraude dos psicanalistas, que se resume em anestesiar a consciência da burguesia.
Einstein acreditava nele, mas, mesmo assim, ninguém ousou prosseguir suas pesquisas.

REINO Animal – O protozoário paramectum amelia pode ser unicelular mas em compensação tem oito sexos. Não me perguntem como funcionam.
Algumas espécies de cobras na Índia lutam – macho e fêmea – durante horas até que ela dê o sinal de submissão, deitando a cabeça no solo. É o momento do macho introduzir seus dois pênis. A trepada pode durar de dois minutos a dois dias.
Kinsey garante que observou casos de homossexualismo entre macacos, cachorros, búfalos, bois, ratos, porcos-espinhos, antílopes, cavalos, burros, elefantes, hienas, camundongos e morcegos.
A bactéria unicelular trinchonynpha, que vive dentro dos intestinos do cupim, é completamente bissexual. O que determina quem desempenhará o papel do macho ou da fêmea é o número de manchas no corpo. Quem tiver mais manchas será a fêmea.

Como as manchas aumentam e diminuem de número constantemente, o mesmo acontece com o sexo.
A fêmea do cavalo-marinho (égua-marinha?) tem uma espécie de pau que costuma introduzir numa abertura do saco abdominal do macho.

Lá ela deposita os ovos fertilizados, que se desenvolvem dentro do abdôme do marido até a hora dele dar à luz.
O pulgo faz, com a piroquinha, um buraco nas costas da fêmea, onde ejacula. O esperma entra na corrente sanguínea até atingir os ovários, onde os embriões se desenvolvem até o nascimento, ocasião em que começam a morder o nosso saco.
O maior pau da terra e o do elefante, que tem cerca de metro e meio, um birrinho, comparado com o maior pau do mar, que é o do baleio, com mais de 3 metros.
Quando vocês virem dois escorpiões dançando, não se enganem. Não se trata de dança, mas de foda.

Na hora de procriar o escorpião macho agarra a fêmea com suas pinças e em seguida ejacula no chão. A dança é para ter certeza de que os órgãos reprodutivos da fêmea entrarão em contato com o esperma.
Os paus de muitos insetos têm protuberâncias para evitar que saiam de dentro da fêmea, uma vez introduzidos. Se você separar dois insetos que estão trepando, poderá capar o macho e causar graves ferimentos à fêmea.
Ninguém sabe por que, mas a verdade é que a peça do touro, depois da trepada, ganha a forma de um saca-rolhas, o que impede que ele dê a segunda.
Um verme chamado platielmíntio tem o pau localizado na boca. Serve para reproduzir e para caçar vermezinhos menores, dos quais se alimenta.
O clitóris da fêmea do macaco-aranha é maior que o pênis do macho: 4 centímetros.
Agora, quem gosta de trepar mesmo é a chimpanzé. Quando está no cio, pode ser comida vinte vezes por dia. Aliás, de todos os primatas, o chimpanzé é o que mais curte. Além do ato em si, pratica masturbação e cunnilingus.
Os culhões de um elefante adulto pesam cerca de 2 quilos.
Amor entre rinocerontes é engraçadíssimo. Eles brigam durante cerca de duas horas. E não é briguinha boba. Imaginem que se chocam a uma velocidade de 30 quilômetros por hora.

Tanto a fêmea quanto o macho às vezes pesam mais de 2 toneladas cada um.

Se o macho perde a briga, nada feito. Se ganha, a fêmea se submete, ocasião em que é comida por trás durante cerca de duas horas.

O macho, segundo voyeurs zoologistas, ejacula de dez em dez minutos.
A lampreia só tem um culhão.
Desinteressadíssima por sexo é a girafa fêmea. Enquanto machos rivais brigam por sua posse, ela se limita a olhar entediada.

Quando pinta o vencedor, ela dá uma mijada que ele, imediatamente, cheira, para ver se ela está no cio.

Mesmo estando no cio, às vezes ela se chateia, interrompe a trepada no meio e vai passear.
Sem problemas freudianos, a grande maioria dos mamíferos, apenas colocados em contato com a fêmea, tem ereção imediata. Menos de cinco segundos entre a total flacidez e uma ereção vítrea.
Entre castores, é a fêmea quem provoca. Depois de encontrar o cara que lhe agrada, ela expele uma substância amarelada chamada castoreum, de uma glândula localizada entre o ânus e a vagina.

Sentindo o cheiro, o castor entende que ela está a fim e se aproxima. Trepam nadando lado a lado e a união geralmente é para toda a vida.
Cetáceos, de um modo geral, são chegados a uma suruba. É muito comum baleias dançarem um baião de três: dois machos e uma fêmea.

Há quem diga que o segundo macho serve apenas para ajudar o parceiro a colocar sua piroca colossal na não menos colossal xota da fêmea.
E os leões-marinhos que são voyeurs? Se excitam vendo os mais velhos treparem. Desconfio, porém, que esta afirmação não tenha base científica.

O que ocorre, provavelmente, é que os mais moços vêem os mais velhos trepando, se excitam e partem para as fêmeas, ocasião em que levam uma surra dos veteranos.

É que os leões-marinhos têm haréns e só quando são derrotados pela nova geração é que passam o mulherio adiante.
Os polvos fodem de frente, pelo menos esta é a impressão. Em verdade o que acontece é que o macho ejacula sobre um dos seus tentáculos e em seguida introduz, com a ajuda dele, o esperma dentro da vagina da fêmea. Em verdade os órgãos reprodutores não chegam a se tocar.
Imaginem um homem e uma mulher frente a frente fazendo sinais afirmativos e negativos com a cabeça, silenciosa e lentamente, durante algumas horas.

De repente, sem ninguém compreender por que, o homem passa a chupar os pés da mulher bem devagar.

Depois de algumas horas deste exercício, ele come a mulher por trás e a morde na nuca para não cair. Pois é assim que as tartarugas trepam.
A jacaré fêmea passa três semanas sem comer antes de ser comida metaforicamente pelo jacaré macho. Tudo isso para uma fodinha muito barulhenta que não dura mais de três minutos.

Só perdem para os pinguins, que fodem uma vez por ano por não mais de dois minutos.
E os zangões, que depois de fertilizarem as rainhas são expulsos para morrerem de fome fora da colmeia?
Temo que dentro de alguns séculos ninguém acreditará no que escrevi sobre a vida sexual dos animais, pois, com a capacidade de destruir do homo sapiens (ra! ra! ra!), até lá existirão apenas vacas, galinhas e cães.

E pensar que uma ameba – como criatura – é muito mais perfeita que o homem, pois vive inteiramente o seu potencial, enquanto que nós, provavelmente, nos destruiremos em plena pré-história do que poderíamos vir a ser.

RESTIF De La Bretonne, Nicolás Edmé (1734-1806) – Escritor de histórias de sacanagens, conhecido por seu apetite singular. Desconfio um pouco desse seu apetite, porque escreveu um livro autobiográfico chamado Monsieur Nicolás.

Se o seu apetite fosse mesmo fora do comum, ele não teria tempo de escrever uma obra de dezesseis volumes e comer as mulheres do tempo de Luís XVI, Robespierre, Danton, Marat e as mais jovens dos primeiros anos do império de Napoleão.
Diz Havelock Ellis – que como se sabe, se casou com uma representante da Sapataria Polar e gostava de ser mijado –, que Monsieur Nicolás é um precioso documento de psicologia erótica e usou muitos elementos do livro em seu A Psicologia do Sexo.
Como vocês vêem, nesta vida nada se cria, tudo se plagia, inclusive este meu ABC. Mais ou menos como o pecado original, que, no dizer de Millôr Fernandes, de original só tem o estilo de cada um.
É claro que para não ser processado por nenhum idiota que passou a vida inteira medindo o clitóris das pulgas, eu uso o meu famoso molho Wolfenbuttel, o preferido das donas-de-casa da Tijuca e adjacências.
Mas, voltando ao Nicolás Edmé. Ao contrário do Frank Harris ou do Casanova, que foi seu contemporâneo (o Casa, não o Francisco), ele era um detalhista. Sua descrição de uma mulher se masturbando: “Depois de passar o dedo médio no clitóris durante uns quinze minutos, abrindo e fechando as pernas o tempo todo, ela parou subitamente. Ficou imóvel como se sentisse dor por uns dois minutos e depois começou a sorrir.”
Diz Nicolás que começou a vida sexual aos quatro anos brincando com suas amiguinhas e amiguinhos. Aos onze teve sua primeira relação sexual completa e desde então não teria parado mais. Por sua cama teriam passado empregadas domésticas, camponesas, prostitutas e damas da aristocracia.
Precisava ter muito apetite mesmo, pois na época não haviam inventado ainda o desodorante, o mulherio tomava banho uma vez por mês e usava peruca para esconder os piolhos. Pela rainha Maria Antonieta, que só tinha três dentes, vocês podem bem imaginar o resto.
Vocês já viram que as moças que o rapaz apanhava não deviam ser lá essas coisas e acabou acontecendo com ele o que costuma acontecer nesses casos (principalmente quase cem anos antes do nascimento de Alexander Flemming e da penicilina): apanhou uma gonorréia de gancho e pelo resto de sua vida não conseguiu mijar direito.
O negócio de Nicolás era trepar e trepar com mulheres. Não fora por dois pequenos detalhes confessados em seu livro, era um cara razoavelmente normal se é que alguém consegue definir o que é normalidade a esta altura do terceiro tempo – num lugar chamado Brasil.
Em primeiro lugar, tinha fantasias incestuosas e gostava de imaginar que a moça que estava jantando, eventualmente era sua filha. Explicava essa mania dizendo que, afinal de contas, tivera tantas filhas ilegítimas que era natural que, cedo ou tarde, uma delas aparecesse na sua cama.
Em segundo lugar, era meio fetichista e na sua novela Le Pied de Franchette (não pensem que fanchette quer dizer fanchona anã) explicou a coisa: “Eu gosto de limpeza e os sapatos e os pés são difíceis de se manterem limpos. Por isso, quando encontro uma mulher de pés limpos, calçando um par de sapatos limpos, tenho que trepar com ela”.
De qualquer modo, nunca substituiu a mulher por sapatos, como um conhecido meu que se diz fetichista só porque tem a mania de levar sapatões para a cama.

ABC do Fausto Wolff (Parte 64)


REVISTAS de Sacanagem – Muito antes de Petrônio Arbitrius escrever o Satiricon já havia muita literatura erótico-pornográfíca. Revistas de sacanagem, mesmo, só começaram a aparecer clandestinamente no mundo (e no Brasil de Dom Pedro II) no século XIX.

A mais antiga talvez tenha sido a Rambler's Magazine, de Londres, que saía uma vez por mês com subtítulos como: “Os anais da galanteria, do prazer e bom-tom para entreter o mundo sofisticado e para presentear o homem com o mais delicioso banquete de bacanália”. Devia ser muito chato.
Foi, porém, apenas em 1930 que a revista americana Esquire apresentou as primeiras pin-ups, verdadeiras puritanas no trajar, se comparadas ao mulherio que Haffner, editor da Playboy, apresentaria nos anos 50 nos Estados Unidos, para ser copiado em seguida na Inglaterra com revistas como Mayfair, Men Only e Penthouse.
É claro que antes disso havia revistas de mulheres peladas, principalmente na França, que, porém, se disfarçavam subtítulos como “Sol e Saúde”, “Vida Naturista”, etc. E pensar que tinha muito nego que batia punheta vendo fotos de um bando de mulheres e homens em pêlo jogando vôlei na praia.
No Brasil, lembro que prestei minhas primeiras homenagens a Onan (ver verbete) folheando as páginas da revista Copacabana, onde Elvira Pagã e Luz del Fuego apareciam nuinhas lá pelo meio dos anos 40.

Ninguém, porém, ousava mostrar as moças de pentelhos. Eram cuidadosamente raspados antes das fotos ou retocados a posteriori.
Em 1970, Bob Guccioni, editor da Penthouse, resolveu pagar para ver e publicou a foto de uma moça acompanhada de seus pentelhos. Não deu em nada e pouco depois – em verdade, no Brasil, só em 1983, através das revistas Playboy e Status – os perigosos pentelhos viraram lugar-comum.
É verdade que antes de Gueccioni publicar a foto, a pornografia já havia sido liberada em toda a Escandinávia, Alemanha e Holanda, sem que ninguém enlouquecesse.
No meio dos anos 70, surgiram nos Estados Unidos as primeiras revistas para mulheres, onde apareciam nus masculinos frontais, ou seja, aqueles sujeitos com caras de idiotas da meia-bomba.

As primeiras revistas esgotaram rapidamente.

Rapidamente também os editores descobriram que eram mais consumidas por homens que gostavam de ver outros homens pelados que por mulheres. Eram Viva e Playgirl.
No Brasil, quando apareceram as primeiras revistinhas de sacanagem, o sucesso foi enorme.

Com a queda recorde mundial do poder aquisitivo do cruzado, elas encalharam.

Estão aos milhares nas bancas de jornais, sem que ninguém as compre.
E pensar que, no princípio dos anos 80, a voz da burguesia, via Globo e JB, acusavam as revistas de sacanagem por tudo de ruim – da corrupção policial às atuações do Botafogo – que acontecia no país. Não eram.

RICARDO I, o Coração de Leão (1157-1199) – Rei da Inglaterra, filho de Henrique II e de Leonor de Aquitânia. Gostava de briga. Pouco mais que adolescente, tentou tirar o trono do pai. Acabou perdendo a briga e pediu penico.

Seu pai, ao morrer, o amaldiçoou, o que não impediu que pegasse a coroa, também desejada por seus irmãos Felipe e João sem Terra. Durante os doze anos do seu reinado, passou apenas seis meses fora de guerras. Era bom e nunca perdeu um torneio.
Andou peleando na França, na Itália, e não fosse o cagaço de seus aliados franceses e austríacos, teria liberado Jerusalém dos sarracenos. Acabou fazendo um acordo com o sultão Saladim, que embora não corresse da raia acabou reconhecendo a coragem de Ricardo.
Seu nome se confunde com a lenda de Robin Hood, de quem teria sido grande amigo. No cerco ao castelo de Limousin, na França, acabou morto por uma flechada de besta.
Não, a flecha não foi atirada por nenhum cronista social, vereador ou animador de auditório.
Besta é o arco curto, montado como se fosse um revólver, e que voava a uma velocidade espantosa, capaz de furar armaduras.
O papa Inocente II classificou esta arma como “odiosa a Deus e imprópria para cristãos”. Era inocente mesmo.
Valente, corajoso, leal, casado com Berengária, filha do rei Sancho VI, de Castela, jamais reclamou dos seus inúmeros ferimentos. Se irritou apenas uma vez, em 1191, quando ao chegar em Marselha, com destino à Arábia, descobriu que os soldados que havia mandado na frente haviam gasto todos os fundos da campanha com prostitutas.
Berengária, como o próprio nome indica, era uma das mulheres mais feias da Europa, o que também não preocupava o coração de leão de Ricardo que, entre uma batalha e outra, gostava mesmo era de sentar num armanho.
E ai daquele que se recusasse a agasalhar o armanho entre as suas nádegas leoninas e reais!

RICHARDS, Renée (1935- ) Até 1972, era um bem-sucedido oftalmologista de New York, cujo hobby era jogar tênis. Boa pinta, 1,85m, além de bom médico era um tenista, senão excelente, dos melhores. Em 1972 desapareceu de circulação. Onde foi o doutor? Ninguém sabe, ninguém viu.
Mais ou menos nesta época começou a fazer enorme sucesso nas quadras a tenista Renée Richards, que acabou ganhando uma grana altíssima ao vencer o torneio feminino de La Jolla, na Califórnia.
Um repórter – ainda existem repórteres em alguns lugares do mundo – resolveu levantar a vida da Renée e descobriu que até o ano anterior ela havia sido o Dr. Richard Raskind, de New York.
Quando tentou entrar em outro torneio feminino, vinte e cinco competidoras saltaram fora e as quatro ou cinco que permaneceram foram obrigadas a fazer testes hormonais.
É que o braço de Renée era muito forte e se uma bola jogada por ela, em vez de bater na raquete batesse na cara de uma jogadora ela certamente cairia desmaiada, para dizer pouco.
Renée entrou com um processo judicial e durante o julgamento tirou as calcinhas e provou ao júri que onde deveria haver um pênis havia uma xota. E o juiz. decretou: “Evidência médica indica que o réu é agora uma mulher”.
É que, em 1972, o Dr. Richard Raskind, cansado de não ser campeão feminino, mandou cortar o cheio de varizes e passou a tomar hormônio feminino.
Em pouco tempo perdeu os pêlos, acabou ganhando uma bundinha razoável e um belo par de seios. Claro, tornou-se campeã feminina. Hoje está retirada das quadras e cuida apenas do marido.
Pessoalmente, creio que o gesto de Richard deveria servir de exemplo aos tenistas brasileiros que tentam furiosamente um lugar entre os trinta primeiros do ranking mundial, sem sucesso. Uma operaçãozinha à-toa poderia fazer deles campeãs.
Ao contrário do que dizia o barão de Coubertin, o importante no esporte é vencer, com ou sem pau.

ROMANA Caridade – Eufemismo poético e simpático para o ato de dar de mamar a um adulto. Em 1968, pouco antes de embarcar para o Vietnam, fui visitar as ruínas de Pompeia, a alguns minutos de Nápoles. Fiquei impressionado com um mural que mostrava uma bela jovem dando de mamar a um velho.

Alguns meses mais tarde – já na Ásia, vendo os soldados americanos dopados irem para o front móvel que podia ser a trincheira ou um restaurante elegante no centro de Saigon – me lembrei do mural.
Na hora pensei que tudo não passara de alucinação, pois a moça que tinha me acompanhado a Pompeia havia posto LSD no meu chope, em Capri.
Um ano mais tarde, voltei às ruínas e lá estava o velho mamando na garotinha. Procurei me informar e descobri que se tratava de uma lenda recontada por vários autores, entre eles Plínio, não sei se o velho ou o moço, pois ambos foram velhos e moços.
Diz a lenda que um homem foi feito prisioneiro e condenado a morrer de fome, como acontece com a grande maioria das crianças brasileiras que, porém, morrem de fome em liberdade. Afinal, somos uma democracia.
Sua filha, que havia acabado de dar à luz (é preciso recuperar urgentemente o verbo parir ou criar o verbo luzar), ia visitá-lo secretamente e o alimentava com o seu leite.
No livro White Hotel, de A.D. Thomas, que chegou a ser best-seller na Inglaterra uns seis anos atrás, o autor bebe dos seios de Freud. Para ser mais preciso: ele apanha uma maluquete paciente de Freud e dá um tratamento literário moderninho à tesão solitária da moça.
No livro (que é o diário da jovem), ela confessa que, no restaurante de um hotel, deu de mamar não só ao seu amante – o filho de Freud – como a um padre já idoso e a um cozinheiro gordo que, porém, preferiu ordenhá-la e beber o leite num copo.
Guy de Maupassant também relata o caso de um sujeito que bebia o leite da mulher amada (Liebfraumilch) num conto chamado Idylle.
Finalmente, quem leu a melhor coisa que Steinbeck já escreveu, As Vinhas da Ira, deve se lembrar de episódio semelhante.
Em matéria de leite, confesso que prefiro leite de mulher: já vem com açúcar.
A mãe da minha filha mais nova sempre deixava eu beber um pouco depois que a menina estava de estômago cheio. Bons tempos!

ABC do Fausto Wolff (Parte 65)


RUBIROSA, Porfírio (1909-1965) – Este foi o Nataniel Jebão que deu certo. Não que fosse um mau-caráter. Simplesmente, nunca soube o que significava a palavra. Tinha as pernas tortas, era baixo, moreno e possuía um nariz levemente achatado.

Nasceu no cu do mundo, na República Dominicana, filho de um funcionário do Ministério do Exterior.

Apesar disso, foi, provavelmente, o maior gigolô deste século, comeu as mulheres que quis, nunca trabalhou e morreu milionário.

Contra ele, tinha tudo, e, a seu favor, duas coisas: sabia explorar a burrice das mulheres e era dono de um pau que obedecia ao comando e, duro, chegava a 28 centímetros.
Como não fazia porra nenhuma na sua casa, seu pai decidiu levá-lo a Paris, onde adquiriu algumas firulas de sofisticação entre os vagabundos ricos do society local.
Todos os convites para festas, coquetéis e jantares que pintavam na embaixada passavam por sua mão.
Escolhia as melhores bocas-livres, punha o seu único smoking e ia para a festa.
Voltou para a República Dominicana falando inglês com sotaque francês e jogando pólo.
Numa festinha onde conseguiu se introduzir, namorou a filha do ditador, Flor de Oro Trujillo.
Claro, em quem mais ele pousaria as asas numa terra de mortos de fome como a República Dominicana, senão nela?

Ele sabia que qualquer mulher – a mais feia do mundo – acreditará em qualquer galanteio.
Dois dias depois havia comido a maluquete de dezessete anos que informou ao pai sua intenção de casar com Porfírio.
O velho Rafael, mariscal benefactor, em princípio pensou em mandar castrar o sacana, mas, graças às súplicas da filha, acabou concordando com o casamento. Decretou feriado nacional e para não se aporrinhar com o genro, o despachou para a embaixada em Berlim.
Na Alemanha comeu quem quis e se tornou amigo de cronistas sociais e todo o pessoal do jet set.

Cansada de ser corneada, Flor de Oro começou a botar cornos em Porfírio que, porém, elegantemente, não reclamou. Era um sujeito fino.
Os dois se separaram, mas o velho ditador, em vez de castrar o ex-genro, o manteve na carreira: “É um filho da puta, um mentiroso e o sujeito mais preguiçoso do mundo, mas graças a ele a República Dominicana aparece na imprensa internacional”.
É claro que Porfírio, durante os cinco anos que viveu com Flor de Oro, se encarregou de passar muito do dinheiro dela para os seus bolsos. Sua explicação: “Afinal, era grana que o velho havia roubado dos camponeses do meu país”.
A esta altura, já havia feito a fama e deitado na cama, ou feito a cama e deitado na fama. A verdade é que o mulherio vinha aos lotes da América e das principais cidades europeias para provar o tremoço do moço. E não saíam arrependidas, pois o biltre estava sempre de prontidão.
Um dia, a famosa atriz francesa Danielle Darrieux, que era linda mas não devia ser exatamente um cérebro, pintou na sua cama e se apaixonou por ele.
Quando os alemães entraram em Paris, uma das primeiras providências que tomaram foi enjaular o gigolô latino-americano. Pois ele não havia comido algumas das melhores mulheres da Alemanha?
Como amor de pica é amor que fica, Danielle deu para todo o comando militar alemão em Paris até conseguir que soltassem o nosso Porfírio, que acabou casando com ela.
Quando, porém, em 45, a atriz levou sua mãe para morar com eles, ele pediu divórcio: “Morar com velha não dá pé”. Deve ter pensado: “Perdi muito tempo com a Danielle; é hora de tratar de negócios”.
Conseguiu se aproximar de nada menos que a herdeira do rei do tabaco, Dóris Duke, a mulher mais rica do mundo. Não era bonita e tinha tanta inteligência quanto uma lata de sardinha vazia, mas o marmotão sempre duro do Rubi não se impressionava com detalhes.
O casamento durou treze meses, ao fim dos quais ele saiu com um milhão de dólares. Achou pouco e partiu para cima de outra herdeira, Barbara Hutton, que já havia se divorciado de quatro maridos, entre eles Cary Grant, que, boboca, saiu sem levar um tusta.
Este casamento de Rubi durou menos de meio ano e custou à milionária, no barato, um milhão de dólares por mês.
Entre uma comida e outra se meteu com uma grande galinha de Hollywood, a atriz Zsa-Zsa Gabor, cuja especialidade era casar com homens burros e ricos.
Cansada de homens burros e ricos (mas já bastante rica), ela decidiu casar com George Sanders, um ator requintado, inteligente e sofisticado. Era demais para a Zsa-Zsa, que quase não entendia nada do que Sanders dizia.
Partiu para Porfírio, cuja linguagem entendia perfeitamente. Afinal, eram colegas.
Sanders encheu o saco e uma noite parou em frente à casa onde Zsa-Zsa e Porfírio fornicavam e atirou um tijolo embrulhado em papel-presente que atravessou a vidraça. Depois subiu ao quarto acompanhado de dois detetives e disse para a mulher: “Feliz Natal, meu bem!”
Sanders se suicidaria muitos anos depois, deixando um bilhete: “Esta vida é muito chata”.
Rubirosa casou pela última vez em 57 com uma atrizinha francesa chamada Odille Rodin.
Em 65, deixou Odille no apartamento e saiu para dar uma volta de carro: álcool mais automóvel a 120 por hora igual árvore. Foi como o Rubi morreu.
Odille, com todos os seus milhões, desistiu da carreira cinematográfica e se transferiu para o Rio de Janeiro onde desempenha intensa atividade sexual até hoje.

RUFIÃO – Alguns anos atrás fui visitar o haras do meu velho amigo Raul Bailly, em Teresópolis. Mostrou-me vários cavalos e éguas puros-sangues, ganhadores de muitas corridas na Gávea e em Cidade Jardim.

Havia um cavalo isolado num canto e perguntei que bicho era aquele.

E o Raul: “Este é o rufião”.

“E corre bem?”, perguntei.

“Rufião não corre”, respondeu o Raul. “Ele é o cavalo que excita as éguas. Quando elas estão no ponto, expulsamos o rufião e o garanhão de raça monta nelas. Facilita o processo de reprodução e não cansa o garanhão”.
Destino triste, não é mesmo? Mas poderia ser pior.

Sério, vida pior que a do rufião (que, depois de fazer perfumarias com dezenas de éguas que vão ser comidas pelo garanhão, sai feito louco de pau duro) é a do pobre do cavalariço que bate uma punheta nele, no fim de um dia de trabalho.

SADE, Donatien Alphonse François, Marquês de (1740-1814) – Muito pouco se sabe sobre a vida deste conde que insistia em ser chamado de marquês. Promovia orgias nas quais sodomizava mulheres (aparentemente não entregava o anel) que gostava de chicotear.

Vai daí que algum idiota qualquer decidiu criar a palavra sadismo para classificar aqueles que obtêm prazer sexual através da dor dos parceiros.
Pessoalmente, porém, creio que o sádico é invenção do masoquista. Por exemplo: você leva uma jovem para a sua cama. Na hora de fuder, ela, que foi para a cama voluntariamente, fecha as pernas, dificulta a penetração, faz cu doce.

Você lhe dá um leve tapinha na bunda ou no rosto e verifica que ela começa a suspirar e a gemer mais alto.

Você bate um pouco mais forte, ela começa a gemer mais alto ainda e a pedir mais.

Resultado: a masoquista inventou o sádico que, em verdade, se contentaria em trepar sem porradas.
Há masoquistas exagerados, entretanto, que levam sua culpa subconsciente a alturas tamanhas que só se contentam com a morte.
O verdadeiro sádico é o estuprador, o torturador que tem prazer em fazer mal e que de um modo geral é impotente.
Não é o que acontecia com Donatien. Era baixinho e boa-pinta. Nasceu de família aristocrata, numa época de total decadência.
A roupa preferida da classe dominante era o deboche e a hipocrisia. Os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais alienados, procurando ignorar o tarugo que a revolução estava preparando para eles.
Sade teve uma educação exemplar: Voltaire, Rousseau, Diderot. Aos quatorze anos entrou para o Exército, onde se distinguiu pela bravura e pelo criticismo.
Embora não fosse viado, saiu da vida castrense com a mesma filosofia que Camus pregou em Calígula: “Se a vida é um absurdo porque acaba na morte, então vou viver o absurdo até as últimas consequências”.
Para vocês imaginarem como era obtusa a burguesia da época, Sade, que era um aristocrata decadente, recebeu de George Pelagie de Montreill, um burguês riquíssimo, nada menos que o equivalente a meio milhão de dólares para se casar com a filha dele, René, e assim introduzir a família na nobreza.
Rico, inteligente, entediado, o modo que Sade encontrou para demonstrar seu desprezo pela sociedade foi fudendo.
Sua mulher jamais reclamou dos inúmeros casos que começou a ter logo após o casamento.
Implicava com a religião ou com o mau uso que se fazia da religião, uma vez que todos iam à igreja e se diziam cristãos, embora praticassem, como no Brasil de hoje, todas as patifarias de ordem social, política, econômica e sexual.
Logo chegou à conclusão de que um deus que permitia tais coisas não merecia respeito.
Sua primeira prisão ocorreu aos vinte e três anos, quando tentou convencer uma prostituta – Jeanne Testard – a quebrar um crucifixo, a chicoteá-lo (olhem o lado masoquista, muito antes do próprio Masoch ter nascido!) e a ser chicoteada por ele.
Passou apenas quinze dias na cadeia, pois a família do sogro era muito influente.
Os puteiros de Paris, por ordem da polícia, não permitiram mais a sua entrada, mas ele se arranjava com amadoras.
Um dia conquistou uma viúva – Rose Keller – que levou para a cama e a chicoteou o quanto quis. Ela teria conseguido escapar e aproveitado para denunciá-lo.
Foi preso novamente e só foi libertado porque engravidou a mulher, o que lhe permitiu o livramento condicional. Mas não se emendou.
Mudou-se para um castelo de sua propriedade onde, com a ajuda da mulher, da cunhada e da própria sogra, encenou rituais sexuais de sexo oral, carnal e chicotadas com as criadas e as camponesas locais.
Viajou para Marselha com um criado, que saiu em campo e encontrou quatro prostitutas que entregaram os respectivos anéis e quase enlouqueceram, pois ele lhes teria dado um afrodisíaco (ver verbete) chamado mosca espanhola.
O escândalo conseguiu irritar sua sogra e Sade, que havia fugido e vivia clandestino, foi condenado à morte.
Reapareceu em 1774, com a subida ao poder de Luís XVI, que o anistiou.
Instalou-se com a mulher em outro castelo de sua propriedade e juntos faziam surubas incríveis com meninas entre quinze e dezoito anos.
Tentaram prendê-lo, mas a sogra já havia feito as pazes com ele e subornou um monge para dizer que a disciplina que se aplicava às jovens criadas no castelo de Sade era a mesma que se aplicava nos mais respeitáveis conventos.
Em 1777, brigou novamente com a sogra e foi preso. Na cadeia descobriu a masturbação e a literatura. Quando não estava escrevendo (Julieta, Filosofia de Alcova, 120 Dias de Sodoma, etc.) estava batendo punheta. É bom dizer que sua literatura filosófica, cheia de eufemismos, é de péssima qualidade.
Colocado no hospício de Charenton, não dava conta das mulheres que vinham dar para ele.
Finalmente, foi libertado pela Revolução Francesa e transformou-se no cidadão Sade, que combatia a promiscuidade da aristocracia.
Chegou a juiz, mas negou-se a condenar a sogra à morte, o que fez com que fosse considerado moderado e – quase, quase – levado à guilhotina.
Com o fim da revolução resolveu ser autor teatral, mas acabou no hospício de novo porque sua peça Justine satirizava Napoleão e sua mulher Josephine.
Morreu em Charenton, onde durante anos dirigiu os loucos, que interpretavam peças de sua autoria.
Sade foi um debochado, gostava de fuder, mas o fato de nunca ter matado ninguém e das mulheres o amarem apesar dos supostos maus-tratos me faz pensar que foi, principalmente, um opositor do poder que teve a coragem de fazer às claras o que todo mundo fazia às escondidas.
Certamente não era um sádico. Depois de um reestudo, acabará reemergindo para a História como herói.

Bruno Mazzeo e os “365 Motivos para Ser Vascaíno”


Torcedores fanáticos, o ator e roteirista Bruno Mazzeo e o publicitário Sérgio “Zé do Pipo” Almeida enumeram uma razão para amar o clube de são Januário para cada dia do ano. O resultado está em “365 Motivos para Ser Vascaíno”. O livro foi lançado pelo selo dedicado ao futebol da editora Leitura, o “Paixão entre Linhas”.

Com prefácio de Roberto Dinamite, o maior ídolo e ex-presidente do Vasco, a obra é uma espécie de resgate histórico do clube. Os autores pesquisaram a fundo e, entre outras informações, apresentam dados sobre as grandes goleadas, os maiores ídolos, os treinadores e dirigentes emblemáticos e os principais títulos. Não faltam também provocações aos rivais, como descrições detalhadas e cheias de humor de derrotas históricas.

Confira abaixo um trecho do livro com os cinco primeiros motivos para se tornar vascaíno.

01. O coração em forma de cruz.

“Vamos todos cantar de coração, a Cruz de Malta é o meu pendão”

Quem leva a Cruz de Malta no peito desde que nasceu é um privilegiado. O Vasco é o único clube do Brasil que, mais do que um escudo, tem uma logomarca. Há mais de 112 anos, a Cruz de Malta, Cruz Pátea, Cruz de Cristo ou simplesmente Cruz do Vasco é religião para milhões de torcedores fiéis.

02. Herói dos mares e dos gramados.

“Tens o nome do heroico português, Vasco da Gama, a tua fama assim se fez”

Em 1898, completavam-se 500 anos da descoberta do caminho marítimo para as Índias. Nada mais justo do que homenagear o heroico português responsável pela façanha, dando o seu nome ao novo clube que estava sendo fundado pela colônia lusitana no Brasil. O Club de Regatas Vasco da Gama levou o navegador de volta aos livros de história. Desta vez, por suas glórias em terra firme.

03. Felicidade, teu nome é Vasco.

“Tua imensa torcida é bem feliz, Norte-Sul, Norte-Sul deste Brasil”

O Vasco nasceu como um clube do povo, com seguidores de todas as etnias e classes sociais. O amor pela Cruz de Malta começou no Rio de Janeiro, mas logo se alastrou de Norte a Sul do país. Quando a equipe joga fora do Rio, muitas vezes a nossa torcida é maior do que a do time da casa. Isso sem falar nos adeptos além-mar.

04. Um clube brilhante.

“Tua estrela, na terra a brilhar, ilumina o mar”

A camisa do Vasco tem uma constelação que representa as nossas maiores glórias: o Campeonato Invicto de Terra e Mar de 1945, o Sul-Americano de 1948, a Libertadores da América de 1998, a Copa MERCOSUL de 2000 e os quatro Campeonatos Brasileiros vencidos em 1974, 1989, 1997 e 2000. É por isso que dizem que quem enfrenta o Vascão sempre acaba vendo estrelas.

05. Campeão de muita categoria.

“No atletismo és um braço, no remo és imortal”

O Vasco é uma potência poliesportiva, com atletas consagrados em várias modalidades. No atletismo, preparamos campeões olímpicos como Ademar Ferreira da Silva e José Telles da Conceição. No remo, produzimos heróis como Joaquim Carneiro Dias, Mario Lamosa e os irmãos Ricardo e Ronaldo Carvalho. O Vasco está presente em muitos outros esportes e sempre entra para vencer.

quinta-feira, agosto 17, 2017

ABC do Fausto Wolff (Parte 56)


PEIXE – Tirésias – que não tem nada a ver com o peixe – não passava de um cidadão tebano dos mais comuns. Um dia, porém, decidiu matar um casal de serpentes. Pra que que o idiota foi fazer uma coisa dessas? Imediatamente os deuses o transformaram em mulher.

Algum tempo depois Zeus e Hera, para trocarem de tédio (os imortais se chateiam pacas) começaram a discutir quem gozava mais na hora de trepar, o homem ou a mulher.
Como não chegassem a conclusão alguma, mandaram chamar Tirésias, que na ocasião era mulher mas já havia sido homem, e lhe perguntaram: “Como é que é, Tira, você gozava mais quando era homem ou agora que é mulher?”
E ela: “Mulher goza muito mais”.
Hera, que era de opinião contrária, cegou-o na hora. Zeus, talvez por achar que ceguinha ela não arranjaria nem mesmo pro café, a transformou novamente em homem e lhe deu o dom da profecia.
Depois disso ele ficou célebre e fez figuração em várias tragédias, como em Édipo-Rei de Sófocles e nas Bacantes, de Eurípedes.
E o peixe? Pois é: tem um peixinho que leva uma vida muito melhor que os outros, pois ninguém o aporrinha. Deveria chamar-se Tirésias, mas chama-se “Limpador”.
É que o sacana tem o hábito de comer parasitas que se grudam no corpo dos peixes maiores. Como precisam dele para limpá-los, os peixões não o comem.
O limpador anda em bandos: um macho, que é o líder, e várias fêmeas.
Quando o macho morre, a fêmea principal muda de sexo e toma o seu lugar até morrer e ser substituída por outra que também vira macho.
Caso único de hermafroditismo (que funciona) no reino animal. Fim da aula dedicada às feministas.

PELOTAS – Cidade do sudeste do Rio Grande do Sul à margem esquerda do rio São Gonçalo, que liga a Lagoa Mirim à Lagoa dos Patos. Foi fundada em 1780 com o nome de São Francisco de Paula e rebatizada como Pelotas em 1830, quando virou cidade. Por que Pelotas, que em espanhol quer dizer culhões (“No me rompas las pelotas”), eu não sei.
Hoje é a terceira cidade do estado em população (maiores só Porto Alegre e Esteio), o principal porto para transporte de gado, além de ser o maior produtor de charque do Brasil.
Dizem, mas não provam, que é a cidade brasileira que tem o maior número de viados por metro quadrado.
Sacanagem, pois nos últimos dezoito anos, o município dobrou a população, que deve andar por volta dos 300 mil.
A fama do pelotense jogar água fora da bacia é antiga e se deve à rivalidade entre porto-alegrenses e pelotenses.
Esses, mais ricos, mandavam seus filhos estudar na Europa. Voltavam sofisticadíssimos, ocasião em que eram chamados de bundinhas. De bundinhas a darem as bundinhas foi um passo.
Como não sou de botar a mão no fogo por ninguém, repasso a história que me foi contada por um pelotense.
Disse-me ele que a Câmara de Vereadores da cidade, cansada da fama, resolveu reagir.
Depois de muito discutirem, decidiram chamar o Nhonhonho, um pelotense dono de uma mangueira de mais de 50 centímetros que, por incrível que pareça, endurecia.
Deram-lhe um dinheiro e mandaram-no (comecei na ordem indireta e assim irei até o fim) passear pelo Brasil.
Já no mijador da rodoviária de Porto Alegre, o armanho do Nhonhonho fez o maior sucesso.
Os caras se aproximavam e perguntavam pro dono da vará:
– De onde és, tchê!
E ele, abotoando a braguilha, muito orgulhoso:
– De Pelotas, com muita honra.
Em São Paulo já havia quase recuperado a reputação da cidade natal.
Ao chegar no mijador da Central do Brasil, no Rio, e tirar a mangueira (era tão grande que o sacana tinha que mijar em diagonal) pra fora, aproximou-se um carioca e disse:
– Pelo tamanho da peça, já vi que você é pelotense.
– Como foi que adivinhaste?, perguntou o Nhonhonho.
E o carioca, implacável:
– Pra aguentar uma vara dessas, só as bichas de Pelotas.

PÊNIS, Astrolábio da Silva (1901-1964) – Contínuo da Caixa Econômica Federal e chefe do clã dos Pênis, família originária da Bahia. Em verdade, tudo começou no século XVII, quando aportou por lá um grumete holandês chamado Leopold van der Penits que com o correr dos tempos teve o “t” cortado e virou Pênis.
Durante anos os descendentes de Leopold van der Penits, que voltou para a Holanda onde morreu sem saber a confa que havia armado, tentaram se livrar do sobrenome.
Finalmente, o velho Astrolábio da Silva Pênis conseguiu mudá-lo.
Hoje seus filhos, filhas e netos ostentam orgulhosamente o sobrenome Trolha.
Se vocês duvidam, perguntem pro Tenório Prepúcio Rocha, que vende ouro na Rua da Alfândega, no Rio, que não me deixa mentir.
O que é que vocês queriam, porra? Que eu explicasse o que é pênis? Quem tem sabe e quem não tem, mais dia menos dia acabará sabendo.

PENTELHOS – Trata-se de um ramo da família Pênis, mas, também, intimamente ligado à família Xota. Durante séculos acreditou-se que a simples exposição dos pentelhos (também conhecidos entre os membros da Academia Brasileira de Letras como “pêlos púbicos”) numa revista qualquer poderia ser o primeiro passo para a Terceira Guerra Mundial e o Apocalipse. Tanto isso é verdade que durante décadas a revista Playboy raspava os pentelhos das suas modelos.
Em abril de 1970, porém, Bob Guccione, editor da revista Penthouse, resolveu correr o risco e publicou a foto de uma moça com pentelhos. Como se sabe, o mundo não acabou e árabes e judeus continuaram a se matar como se nada tivesse acontecido.
Os pentelhos aparecem em homens e mulheres entre onze e treze anos. Há casos de mulheres, perfeitamente normais, onde eles só fazem sua aparição por volta dos dezoito anos.
Walter Frank (que não verbeteio porque mentiu demais) diz em seu livro, My Secret Life: “Conheci uma irlandesa que tinha pentelhos ruivos que chegavam até o umbigo na parte da frente e até o começo da espinha dorsal na parte de trás”.
Mas como eu já disse, o cara chutava exageradamente.
Verdade mesmo é que quando Flores da Cunha foi interventor no Rio Grande do Sul, em 1930, um grupo de mães foi até o Palácio Piratini se queixar de que os meninos mais velhos estavam molestando os meninos e meninas mais moços que tomavam banho pelados todas as tardes na praia de Belas, atrás do Palácio. Sentenciou o interventor:
– De hoje em diante só pode tomar banho pelado o guri ou a guria que não tiver pentelhos.